Rabi Dosa ben Harkinas diz: quem passa diante da arca em Yom Tov de Rosh Hashaná diz: "fortalece-nos, Hashem nosso Deus, neste dia de Rosh Chodesh, seja hoje, seja amanhã" — mencionando Rosh Chodesh na bênção, com a condição ajustada à incerteza sobre qual dos dois dias é o verdadeiro início do mês — e no dia seguinte diz: "seja hoje, seja ontem" — invertendo a fórmula, para cobrir a mesma incerteza a partir da perspectiva do segundo dia. Mas os Sábios não concordaram com ele — nem quanto a mencionar Rosh Chodesh na Amidá de Rosh Hashaná, nem quanto a condicionar a fórmula a qual dos dias é o verdadeiro — preferindo uma bênção fixa, sem menção de Rosh Chodesh e sem qualquer condição entre os dois dias.
Rosh Chodesh e Rosh Hashaná: dois memoriais que se sobrepõem. Este versículo une, num único mandamento, o toque de trombetas tanto nas festas quanto em cada princípio de mês — e Rosh Hashaná é, ao mesmo tempo, uma festa por direito próprio e o Rosh Chodesh do sétimo mês. A proposta de Rabi Dosa nasce exatamente dessa sobreposição: ele quer que a Amidá reconheça explicitamente o caráter duplo do dia, mencionando "este dia de Rosh Chodesh" na própria bênção de Rosh Hashaná. Os Sábios recusam — não porque neguem a sobreposição, mas porque preferem não introduzir na liturgia fixa uma fórmula condicionada à incerteza sobre qual dia é, de fato, o Rosh Chodesh.
O Rambam codifica o princípio que fecha o capítulo: em nosso tempo, com o calendário fixo por cálculo, os dois dias de Rosh Hashaná são tratados com absoluta igualdade, sem qualquer distinção condicional entre eles.
Em nosso tempo, em que fazemos dois dias na diáspora, do mesmo modo que se toca o shofar no primeiro dia, toca-se no segundo. E se o primeiro dia cair em Shabat, toca-se no segundo.
O fio que atravessa todo o final do Perek Gimel. Esta halachá resume, em uma frase, a razão pela qual os Sábios rejeitaram as três últimas propostas de Rabi Yehuda e Rabi Dosa nesta seção do capítulo: se o segundo dia de Rosh Hashaná recebe exatamente o mesmo tratamento do primeiro — mesmo toque de shofar, mesma proibição, mesma santidade —, não há espaço para eiruvin distintos por direção, condições sobre cestos de tevel, ou fórmulas litúrgicas hesitantes entre "hoje" e "amanhã". A prática de tratar os dois dias como uma unidade indivisível, já implícita nesta mishná, tornou-se o costume consolidado de Israel em relação a Rosh Hashaná.
Encerramento do Perek Gimel: os comentadores explicam a fórmula proposta por Rabi Dosa e por que os Sábios preferiram uma bênção fixa, sem menção de Rosh Chodesh nem condição entre os dias.
"Rabi Dosa ben Harkinas diz: quem passa diante da arca etc." — Rabi Dosa reúne nesta declaração duas opiniões: a primeira, que ele menciona Rosh Chodesh em Rosh Hashaná; a segunda, que ele condiciona em Rosh Hashaná, dizendo "seja hoje, seja amanhã".
E o princípio entre nós, como já mencionei, é que os dois dias de Yom Tov de Rosh Hashaná são uma única santidade, e a condição não é permitida entre eles.
E o princípio entre nós é também que não se menciona Rosh Chodesh na oração de Rosh Hashaná, mas se faz uma única menção que serve para ambos, conforme o versículo: "no dia encoberto, para o dia de nossa festa" — festa em que o Rosh Chodesh fica encoberto dentro dela.
Eis que já se esclareceu que as palavras de Rabi Dosa são todas rejeitadas.
"Fortalece-nos" — dá-nos ânimo e vigor, como em "os armados irão adiante" (Bemidbar 32); outra explicação: salva-nos e livra-nos, como em "livra-me, Hashem, do homem mau" (Salmos 140).
"Seja hoje, seja amanhã" — se é hoje, "fortalece-nos hoje"; e se é amanhã, "fortalece-nos amanhã".
"Mas os Sábios não concordaram com ele" — nem quanto a mencionar Rosh Chodesh em Rosh Hashaná, nem quanto a condicionar "seja hoje, seja amanhã"; mas diz-se "fortalece-nos" de modo fixo em ambos os dias, sem mencionar Rosh Chodesh de forma alguma. E a halachá segue os Sábios.
"Fortalece-nos" — dá-nos ânimo e vigor, como em "os armados irão adiante" (Bemidbar 32).
"Seja hoje, seja amanhã" — se é hoje, "fortalece-nos hoje"; e se é amanhã, "amanhã".
"Mas os Sábios não concordaram com ele" — a Guemará explica que a discordância pode recair sobre a condição em si — pois sustentam que não há dúvida real, mas que o primeiro dia é certamente Rosh Chodesh — ou sobre a própria menção, pois sustentam que não se menciona Rosh Chodesh em Rosh Hashaná de modo algum.