E ainda disse Rabi Yehuda: a pessoa condiciona um cesto — de frutas ainda não dizimadas — no primeiro dia de Yom Tov, e come-o no segundo — declarando, no primeiro dia, que se aquele for na verdade um dia comum, parte do cesto já se torna teruma sobre o restante; e no segundo dia, repetindo a condição na direção oposta, de modo que, seja qual for o dia que se revelar comum, a separação já terá ocorrido validamente. E do mesmo modo, um ovo posto no primeiro, come-se no segundo — pois se o primeiro dia for sagrado, o ovo foi gerado em Yom Tov e permanece proibido nesse dia, mas liberado no dia seguinte, que seria comum; e se o primeiro for comum, o ovo já estava permitido, e sua permissão persiste. Mas os Sábios não concordaram com ele — pois sustentam que os dois dias de Rosh Hashaná são uma única santidade, e não se separa teruma nem se aproveita algo gerado num deles em razão do outro.
Por que não se separa teruma em Yom Tov. Este versículo permite, em Yom Tov, apenas o trabalho necessário ao preparo direto da comida — não qualquer ato relacionado a alimento. Separar teruma de um cesto de tevel não é preparar a comida em si, mas resolver seu status legal, e por isso os Sábios o consideram fora da licença deste versículo, tratando-o como shevut proibida em Yom Tov. É exatamente esse obstáculo que a proposta de Rabi Yehuda tenta contornar por meio da condição — sem jamais declarar teruma com certeza no próprio dia sagrado, mas apenas retroativamente, se aquele dia se revelar comum.
O Shulchan Aruch codifica a razão pela qual os Sábios não aceitaram a proposta de Rabi Yehuda: tudo o que é proibido no primeiro dia permanece proibido no segundo, sem distinção entre eles.
Na diáspora, onde se observam dois dias de Yom Tov por dúvida, tudo o que é proibido no primeiro dia é proibido no segundo, e excomunga-se quem o trata com desrespeito.
De Rosh Hashaná ao princípio geral de dois dias de Yom Tov. Embora este parágrafo do Shulchan Aruch trate especificamente dos dois dias de Yom Tov da diáspora — não idênticos, tecnicamente, ao caso de Rosh Hashaná, que já na época da mishná era observado como dia único mesmo em Jerusalém —, ele expressa exatamente a lógica que os Sábios opõem a Rabi Yehuda: uma vez que os dois dias formam uma unidade de santidade, não se pode tratar o que ocorreu num deles como se tivesse ocorrido apenas condicionalmente, à espera de que o outro se revele comum. A severa linguagem da excomunhão para quem despreza esta equivalência mostra como a distinção proposta por Rabi Yehuda — permitida por Rabi Eliezer para Yom Tov comum, mas negada aqui — tocava um ponto sensível da prática rabínica.
Os comentadores detalham o mecanismo da condição dupla sobre o cesto e o ovo, e voltam a explicar por que a mesma razão de Rosh Hashaná como santidade única barra também esta proposta.
"E ainda disse Rabi Yehuda: a pessoa condiciona o cesto etc." — o princípio entre nós é que é proibido separar teruma e dízimos em Yom Tov.
E o exemplo do que disse Rabi Yehuda é este: se tem diante de si dois cestos de tevel, aponta para um deles, chamando-o de "primeiro", e diz no primeiro dia de Yom Tov: "se hoje é dia comum" — quando é permitido separar teruma e dízimos — "este primeiro cesto seja teruma e dízimos sobre o segundo cesto"; e se hoje é sagrado, não há nada em minhas palavras. E no dia seguinte diz: "se hoje é dia comum, este mesmo cesto a que apontei ontem é teruma e dízimos sobre o segundo cesto"...
E já expliquei que a halachá segue Rabi Yehuda em todas estas questões — mas não quanto aos dois dias de Yom Tov de Rosh Hashaná, pois são uma única santidade.
"A pessoa condiciona o cesto" — cesto que contém frutas de tevel: condiciona-o no primeiro dia de Yom Tov de Rosh Hashaná, dizendo: "se hoje é dia comum, esta parte seja teruma sobre o restante; e se hoje é sagrado, não há nada em minhas palavras"... e no dia seguinte diz: "se ontem era sagrado e hoje é comum, aquilo que eu disse ontem seja teruma sobre o restante"... e come do cesto já corrigido, deixando de lado a parte separada como teruma.
"Mas os Sábios não concordaram com ele" — trata-se de Rabi Yosei, como dissemos, que sustenta que são uma única santidade, e não se separa teruma neles — e especificamente quanto aos dois dias de Yom Tov de Rosh Hashaná.
"Condiciona a pessoa o cesto" — de tevel, no primeiro dia de Yom Tov de Rosh Hashaná, e diz: "se hoje é dia comum, esta parte seja teruma sobre o restante; e se hoje é sagrado, não há nada em minhas palavras" — pois não se separa teruma em Yom Tov, sendo shevut de origem rabínica, como se explica no tratado Beitzá.
E no dia seguinte diz: "se ontem era sagrado e hoje é comum, aquilo que eu disse ontem seja teruma sobre o restante; e se hoje é sagrado e ontem era comum, já é teruma desde ontem" — e come do cesto já corrigido, deixando de lado a teruma.
"Mas os Sábios não concordaram com ele" — pois sustentam que ambos são uma única santidade, e não se separa teruma neles.