Rambam explica que Rabi Shimon isenta quem agiu depois da retratação do tribunal porque a decisão original já havia se difundido pela maioria da comunidade, e o ato deste indivíduo se inclui, por assim dizer, no ato geral da maioria. Rabi Eliezer, por sua vez, considera o caso uma dúvida, comparável a quem comeu um pedaço sem saber se era chélev ou sebo permitido — hipótese em que se traz apenas um sacrifício de dúvida, como se explicará no início do tratado Keritot; por isso quem agiu depois de saber da retratação, mas antes de saber com clareza, traz um assam talui. A Guemará esclarece que a lei segue a posição intermediária de Rabi Eliezer. Explica ainda que o “caso duvidoso”, segundo Rabi Eliezer, é o de quem estava sentado em casa — por isso obrigado ao sacrifício de dúvida —, enquanto quem estava a caminho não é obrigado a nada, segundo todos. E a controvérsia entre Rabi Akiva e Ben Azai refere-se a quem já se esforçava para partir, mas ainda não havia efetivamente partido: Rabi Akiva considera que, ocupado com os preparativos da viagem, ele não tinha como perguntar, e por isso é como quem já está no além-mar; Ben Azai pergunta em que isso difere de quem está sentado em casa, já que ele ainda se encontra na cidade. A lei segue Rabi Eliezer e Rabi Akiva.
Bartenura explica que Rabi Shimon isenta porque a decisão do tribunal já se havia difundido pela maioria da comunidade antes da retratação. Rabi Eliezer, por sua vez, considera que, como o indivíduo poderia a qualquer momento ter perguntado sobre novidades emitidas pelo tribunal e não perguntou, ele é equiparado a quem tem dúvida se pecou ou não, trazendo um sacrifício de dúvida — e a lei segue Rabi Eliezer. Explica que “sentado em sua casa” significa na mesma cidade onde o tribunal decidiu, onde era possível ouvir que haviam voltado atrás; e que “foi para uma terra do além-mar” não significa literalmente que já tivesse partido, mas que já se preparava para o caminho, ainda que não tivesse saído — pois, segundo Rabi Akiva, a própria agitação da partida o impede de perguntar se o tribunal se retratou, isentando-o do sacrifício de dúvida; Ben Azai, porém, entende que, por ainda não ter partido, ele deveria ter perguntado. E é assim que a Guemará situa a controvérsia entre eles. A lei segue Rabi Akiva.
Rashi explica que “o tribunal decidiu” refere-se ao caso em que a maioria da comunidade agiu segundo sua decisão; “e souberam que erraram e voltaram atrás” significa que se retrataram de sua decisão; e precisa que, tanto se já haviam trazido sua expiação quanto se ainda não a haviam trazido, o indivíduo que age depois de saber disso não se soma à maioria da comunidade, pois agiu depois que já era sabido o erro. Explica que Rabi Shimon isenta porque, no momento em que agiu, o indivíduo ainda agia sob a autorização do tribunal — pois não sabia que já haviam se retratado —, e por isso é considerado como quem se apoia no tribunal. Rabi Eliezer, por sua vez, considera que há dúvida se ele deve ser tratado como quem se apoia no tribunal ou como quem se apoia em si mesmo, e por isso traz um sacrifício de dúvida. Sobre “sentado em sua casa, é obrigado”, refere-se ao sacrifício de dúvida; e Rashi explica a controvérsia final: para Rabi Akiva, quem já partiu para o além-mar está certamente próximo de ser isento, pois não tinha como saber da retratação, ao passo que quem estava sentado em casa poderia ter ouvido a notícia e por isso está mais próximo da obrigação; assim se resolve, na Guemará, a disputa entre ele e Ben Azai.