O barril que se furou, e o tapou com borra de vinho — protegeu-o. Se o rolhou com um sarmento de videira, até que unte pelos lados. Se eram dois, até que unte pelos lados e entre um sarmento e outro. Uma tábua colocada sobre a boca do forno: se untou pelos lados, protegeu. Se eram duas, até que unte pelos lados e entre uma tábua e outra. Se as fez com encaixes ou com pinos, não é necessário untar no meio.
A mishná trata de reparos de furos em barris e fornos. Se o barril se furou e a própria borra de vinho, ao se depositar, tapou o furo por si mesma — isso já conta como vedação suficiente, sem necessidade de untar. Se, em vez disso, alguém tapou o furo com um sarmento de videira, o simples encaixe do sarmento não basta: é preciso untar as bordas ao redor dele com uma substância vedante; e, se foram usados dois sarmentos, é preciso untar tanto as bordas externas quanto o espaço entre os dois sarmentos. O mesmo princípio se aplica a uma tábua de madeira comum colocada sobre a boca do forno para cobri-la: uma só tábua, untada nas bordas, já protege; duas tábuas exigem, além da untão das bordas externas, a untão da junção entre elas — a menos que tenham sido unidas por encaixes de madeira ou por pinos, caso em que a própria união rígida dispensa a necessidade de untar o meio.
Sobre “se o rolhou com um sarmento”: quando o tapou com madeira de videira, será necessário untar com piche, ou algo semelhante, ao redor do sarmento, junto ao corpo do barril; e, se tapou o furo com dois sarmentos, será necessário untar o furo com piche e também entre os dois sarmentos. E está claro que “a tábua” ({TM('néser')}) é a prancha, entre os vasos retos de madeira, e por isso protege, como já explicamos no início do capítulo.
E “sinin” é quando se perfuram, na espessura de duas peças de madeira, dois furos alinhados um diante do outro, e se toma uma peça de madeira fina e pequena, e se introduz uma parte dela numa das peças e a outra ponta na outra peça, e se bate com um martelo até que as duas peças se encontrem e se tornem uma só madeira — o que os carpinteiros chamam, entre nós, “alfanan”; e sobre esse processo se diz “as fez com sinin”. E “shogmin” é outra coisa: quer dizer quando se unem as duas peças de madeira até se tornarem uma só, e então não será necessário unir entre elas.
Sobre “e o tapou com borra de vinho — protegeu-o”: esta mishná é anônima segundo os sábios, que sustentam que há tampa hermética válida também por dentro do vaso.
Sobre “até que unte”: ao redor do sarmento, pelos lados; mas sobre o próprio sarmento não é necessário untar.
Sobre “uma tábua”: é um dos vasos retos de madeira.
Sobre “com sinin”: que colocou, entre uma tábua e outra, lascas finas de espinheiro.
Sobre “ou com shogmin”: cascas de madeira de shogmin. E essas cascas se colocam entre uma tábua e outra, para uni-las.