O bastão em cuja ponta se fez um prego em forma de chazyaná (maçaneta de ferro), é impuro. Se o guarneceu de pregos, é impuro. Rabi Shimon diz: somente quando fizer nele três fileiras. E todos eles, se os fizeram para ornamento, são puros. Se fez em sua ponta uma menicá (bainha de metal), e assim também na porta, é puro. Se era um vaso à parte e o uniu a ele, é impuro. Desde quando é sua purificação? Bet Shamai diz: desde que o danifique. Bet Hilel diz: desde que o una.
Esta mishná trata de bastões de madeira aos quais se acrescentam peças de metal na ponta. Era costume fixar na ponta do bastão uma peça de ferro arredondada, semelhante a uma maçã ou maçaneta — a chazyaná —, ou então cravejar a ponta com pregos, para torná-la uma arma mais eficaz; em ambos os casos, o bastão passa a ser considerado um vaso de metal com cabo de madeira, e portanto impuro. Rabi Shimon exige um mínimo de três fileiras de pregos para que se aplique essa regra. Mas se os pregos foram colocados apenas como enfeite, sem finalidade de golpear, o bastão permanece puro, pois se trata de metal a serviço da madeira, e não o contrário. A mishná passa então a um segundo caso: se foi encaixada na ponta do bastão — ou sob a porta, para protegê-la do desgaste do chão — uma bainha ou tubo de metal (a menicá), esse metal também serve à madeira e permanece puro; mas se essa peça já era, antes, um vaso independente e completo, e depois foi fixada ao bastão ou à porta, ela conserva sua condição original de vaso impuro. A mishná fecha com a disputa clássica entre as escolas sobre o momento exato da purificação dessa peça: Bet Shamai entende que ela só se purifica quando é deformada a ponto de perder sua utilidade como vaso independente; Bet Hilel entende que basta uni-la firmemente ao bastão ou à porta, ainda que sua forma original permaneça intacta.
Fazem-se nas pontas dos bastões pedaços redondos de ferro, semelhantes a uma romã, e esta é a que se chama chazianá; e essa forma é conhecida no Egito, onde a chamam “alromãn”. E do mesmo modo cravam pregos nas pontas dos bastões para que o golpe com eles seja mais forte. E disse Rabi Shimon que não se torna impuro, nem entra na categoria de vasos de metal, até que se unam em sua ponta três fileiras de pregos.
Sobre “e os fizeram para ornamento”: quando os fizeram para embelezar o bastão; e a maior parte do que fazem assim é com pregos finos, ornamentados de modo agradável do ponto de vista estético; e isso não se torna impuro, segundo o princípio já estabelecido de que o metal a serviço da madeira é puro. Mas se a intenção com esses pregos era golpear e bater com eles, então a madeira passa a servir ao metal.
Sobre “menicá”: um tubo. E muitas vezes cravam pregos e fazem um tubo de ferro ou de cobre nas janelas e nas portas, para ornamento; e isso também é metal a serviço da madeira. Mas se esse tubo era um vaso à parte, e não servia apenas para embelezar a porta, mas era um vaso para tirar vinho com ele ou algo semelhante, e depois foi fixado a esse bastão, então essa menicá recebe impureza como antes, pois é um vaso independente.
Voltou a outra questão e disse: quando essa menicá era um vaso e esse vaso era impuro, quando se purifica? E disseram Bet Shamai: desde que a danifique — isto é, que a golpeie com um martelo até desfazer sua forma; e Bet Hilel dizem: não assim, mas desde que a una com pregos na porta ou no bastão, e a encaixe no corpo da madeira até que fique unida a ele para embelezá-lo — então já se purificou esse vaso. E é isso o que disseram, em explicação disso, na Tosefta: se era impura e a fez para debaixo da porta, permanece impura até que se purifique; e desde quando é sua purificação? Bet Shamai dizem: desde que se danifique; e Bet Hilel dizem: desde que se una. E não é a lei como Rabi Shimon.
Sobre “chazianá”: costumam fazer na ponta do bastão algo semelhante a uma maçã de ferro, e é o que se chama chazianá. E todos os servos do rei do Egito hoje carregam nas mãos esses bastões, e os chamam “aldabus”. E às vezes cravam neles pregos para que golpeiem com eles um golpe grande e forte.
Sobre “três fileiras”: de pregos; e então é considerado vaso. E não é a lei como Rabi Shimon.
Sobre “se os fizeram para ornamento”: como quando o fez com pregos finos e ornamentados, para embelezar o bastão.
Sobre “puro”: pois é metal a serviço da madeira, como aprendemos acima que é puro; mas quando o fez para golpear e bater, eis que a madeira serve ao metal, e é impuro.
Sobre “menicá”: como uma espécie de tubo de metal, no qual se inseriu o bastão.
Sobre “e assim também na porta”: sob a porta, para que a terra não a corroa.
Sobre “era um vaso”: esse tubo era um vaso à parte, e o uniu ao bastão, e depois de uni-lo ainda é possível usá-lo como vaso.
Sobre “impuro”: recebe impureza, e permanece impuro como era.
Sobre “desde quando é sua purificação”: a menicá que se tornou impura, desde quando se purifica e sai de sua impureza?
Sobre “desde que a danifique”: desde que a estrague e reduza sua forma.
Sobre “desde que a una”: desde que a una à porta ou ao bastão e a fixe com pregos de modo que não sirva mais como vaso; já se anulou dela o nome de vaso, e ela saiu de sua impureza.