Seder Tehorot · Massechet Keilim · Perek Tet-Vav · Mishná 4 de 6

A regra das alças que auxiliam no trabalho

כָּל הַתְּלוֹיִים, טְמֵאִין
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · המִשְׁנָה

A quarta mishná do capítulo trata da disputa entre Rabi Meir e os sábios sobre quais alças de vasos são suscetíveis à impureza, e da regra geral: a alça que auxilia no trabalho é impura, a que serve apenas de alça é pura

Todas as alças são impuras, exceto a alça da peneira e da peneira grossa do dono de casa — palavras de Rabi Meir. E os sábios dizem: todas são puras, exceto a alça da peneira dos moageiros de farinha fina, e a alça da peneira grande da eira, e a alça da foíce de mão, e a alça do bastão dos fiscais, porque estas auxiliam no momento do trabalho. Esta é a regra geral: a [alça] feita para auxiliar no momento do trabalho é impura; a feita apenas como alça é pura.

A mishná trata das alças ou pegas penduradas em vasos de madeira, e de sua condição como parte integrante do vaso ou como mero acessório dispensável. Rabi Meir considera que, em regra, toda alça é impura, como parte do vaso ao qual pertence, salvo a alça da peneira e da peneira grossa quando pertencem a um dono de casa. Os sábios invertem a regra: em geral as alças são puras, exceto quando pertencem a instrumentos de trabalho específicos — a peneira dos moageiros profissionais, a peneira grande usada na eira, a foíce de mão e o bastão dos fiscais reais —, pois nesses casos a alça não serve apenas para pendurar o vaso, mas é segurada com a mão durante o próprio uso do instrumento, auxiliando ativamente no trabalho. A mishná fecha com a regra geral que resume o critério: a alça funcional, que participa do trabalho, é impura; a alça meramente decorativa ou de suspensão é pura.

כָּל הַתְּלוֹיִים, טְמֵאִין, חוּץ מִתְּלוֹי נָפָה וּכְבָרָה שֶׁל בַּעַל הַבַּיִת, דִּבְרֵי רַבִּי מֵאִיר. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים, כֻּלָּן טְהוֹרִין, חוּץ מִתְּלוֹי נָפָה שֶׁל סִלָּתִין, וּתְלוֹי כִּבְרַת גְּרָנוֹת, וּתְלוֹי מַגַּל יָד, וּתְלוֹי מַקֵּל הַבַּלָּשִׁין, מִפְּנֵי שֶׁהֵן מְסַיְּעִין בִּשְׁעַת הַמְּלָאכָה. זֶה הַכְּלָל, הֶעָשׂוּי לְסַיֵּעַ בִּשְׁעַת מְלָאכָה, טָמֵא. הֶעָשׂוּי לִתְלוֹי, טָהוֹר:

Halachot · הַלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Keilim 15:4
כברה. הוא הקרבל ובו נקבים גדולים מהנפה…

Sobre “a peneira grossa” (kevará): é o “karbal”, tendo furos maiores que os da peneira fina.

Sobre “o bastão dos fiscais” (balashin): é o bastão dos que revistam; o Targum traduz “e revistou” por “uvalash” — revistam com este bastão a palha, [para ver] se escondem nela o trigo para fugir do dízimo do rei.

Sobre “auxiliam no momento do trabalho”: ajudam durante o trabalho, pois se introduz a mão nessa alça e se segura o vaso, auxiliando assim no momento de seu uso. E a lei é como os sábios.

Bartenura · Keilim 15:4
כָּל הַתְּלוֹיִין. העשויין לכלי לתלותו בו…

Sobre “todas as alças”: as feitas para o vaso, para pendurá-lo por elas. Sobre “são impuras”: porque são consideradas parte integrante do vaso.

Sobre “a peneira grande da eira”: é feita para separar o trigo e reter a palha; colocam a peneira sobre dois pedaços de madeira e a conduzem, e quando se cansam, introduzem as mãos em sua alça e continuam conduzindo — e é isto que ensina [a mishná] quando diz que auxiliam no momento do trabalho.

Sobre “o bastão dos fiscais”: os que revistam dentro dos vasos para ver se há algo apropriado para se pagar como imposto ao rei; o Targum traduz “e revistou” por “uvalash”.

Sobre “que auxiliam no momento do trabalho”: introduzem as mãos na alça quando querem usar o vaso, e se auxiliam com ela para realizar seu trabalho. E a lei é como os sábios.

Perush — os Mefarshim · הַמְפָרְשִׁים

Massechet Keilim não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraíco que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido nesta e em todas as demais mishnayot deste tratado.