Um forno que veio cortado [em peças] da casa do artesão, e fez para ele aros, e os coloca sobre ele, e ele é puro; [se] se tornou impuro, e removeu seus aros, é puro. Se os devolveu, é puro. Se o rebocou com barro, recebe impureza, e não é necessário acendê-lo, pois já foi aceso.
Esta mishná trata de um forno fabricado por peças, transportado dessa forma pelo artesão que o construiu, e montado apenas com aros externos — como os aros de um barril — que seguram suas placas juntas sem qualquer barro entre elas. Enquanto está montado apenas dessa maneira, permanece puro, pois os aros, por si, não constituem uma verdadeira construção que una as partes num único vaso — são um mero apoio temporário, como as amarrações (limudin) mencionadas na mishná. A mishná então apresenta um caso em que esse mesmo forno, montado com aros, veio a se tornar impuro por alguma outra via; e ensina que, se o dono então remover os aros, desmontando as peças, o forno se purifica de imediato, pois esse desmonte equivale a quebrá-lo. E, algo notável, mesmo que ele depois recoloque os mesmos aros, remontando o forno exatamente como estava, ele continua puro: os aros nunca funcionam como uma verdadeira reconstrução do vaso, de modo que remontá-lo com eles não o faz reverter à sua impureza anterior. A situação muda radicalmente, porém, se o dono rebocar essas peças com barro verdadeiro, unindo-as de fato: nesse momento ele se torna um forno completo e genuíno, voltando a ser suscetível à impureza. E, nesse caso específico, não é necessário um novo aquecimento para completar sua fabricação, pois esse forno já havia sido aceso antes, quando ainda estava montado apenas com os aros — e essa cozedura anterior já basta, ainda que na ocasião ele estivesse numa condição em que os aros não lhe conferiam o estatuto pleno de vaso.
“Limudim” são amarrações e coisas que o firmam e ligam suas partes umas às outras, até que seja possível assar nele. E diz que, quando puseram essas amarrações, e ele é puro, e depois disso se torna impuro, então essas amarrações que ligam suas partes o tornam apto a receber impureza; e quando se removem as amarrações e suas partes se separam, purifica-se sem dúvida, pois isso já se quebrou de sua ligação uma segunda vez. E se lhe devolveu suas amarrações, permanece em estado de pureza, e as amarrações não lhe servem como uma construção — e assim como não se diz que ele voltou à sua impureza quando ligou suas partes, também não recebe impureza depois disso, a menos que o reboque com barro, e então se chama forno completo, e se tornará impuro no futuro, e não precisará de aquecimento para o término de sua fabricação, pois já foi aceso, sendo dono de amarrações — eis que já se explicou que as amarrações não lhe servem como construção, exceto uma única vez, a primeira, que é quando vem da casa do artesão; essa é a intenção desta halachá.
Sobre “um forno que veio cortado”: que o artesão o fez em placas, para ligá-las juntas por meio de armações — que são aros, chamados “circulos” [em língua estrangeira], semelhante ao que fazemos com os barris nos quais se põe vinho. E a esses aros e armações o Tana chama “limudin”.