Aquele que traz um asham talui e se soube a ele que não pecou — se ainda não foi abatido, saia e paste no rebanho, palavras de Rabi Meir. E os Sábios dizem: paste até que adquira mácula, e seja vendido, e caiam seus valores para oferta voluntária. Rabi Eliezer diz: seja oferecido, pois, se não vem por este pecado, eis que vem por outro pecado. Se depois de abatido se soube a ele, o sangue seja derramado e a carne saia para a casa da queima. Se o sangue foi aspergido, a carne seja comida. Rabi Yosei diz: mesmo o sangue no cálice, seja aspergido, e a carne seja comida.
— Encerrado no Perek Hei o longo bloco das duas peças em dúvida, o Perek Vav abre com um ângulo distinto do mesmo asham talui: não mais a dúvida que gera a obrigação, mas o que fazer com o animal já separado quando, depois, se prova que a dúvida nunca existiu — a pessoa não pecou. Se isso se sabe antes do abate, Rabi Meir julga o animal totalmente desonerado, pois, em sua leitura, a consagração de um asham talui só se firma enquanto persiste a necessidade dele; sem necessidade, nunca houve consagração efetiva. Os Sábios discordam por um motivo psicológico-halachico: o simples fato de o coração da pessoa “a incomodar” no momento da separação, temendo a dúvida do pecado, já basta para firmar a consagração com plena intenção, mesmo que depois se prove desnecessária; por isso o animal não sai puramente ao uso comum, mas fica pastando até adquirir uma mácula, quando então é vendido e seu valor cai para uma oferenda voluntária. Rabi Eliezer vai mais longe: como todo asham talui, para ele, é essencialmente uma oferenda voluntária dos piedosos, o animal deve simplesmente ser oferecido, pois se não serve a este pecado, servirá a algum outro de que a pessoa não tenha certeza de estar livre. Se, porém, a notícia de inocência só chega depois do abate, a discussão muda de terreno: o sangue já derramado não pode mais ser aspergido de modo válido, e por isso é derramado no chão, e a carne, tratada como um sacrifício desqualificado, sai para ser queimada — e não sepultada, pois um animal que chegou a ser abatido no pátio do Templo, mesmo desqualificado, segue o destino de queima e não o de sepultamento reservado ao que nunca teve santidade real. Se, no entanto, a notícia chega depois de o sangue já ter sido aspergido, o processo de expiação da dúvida já se completou por inteiro, e a carne pode ser comida normalmente, pois no momento decisivo do perdão não havia ainda conhecimento da inocência. Rabi Yosei radicaliza essa última regra, sustentando que os utensílios sagrados do Templo santificam para o serviço mesmo o que seria desqualificado, de modo que tudo o que já está prestes a ser aspergido é considerado como se já tivesse sido aspergido — mas a halachá não segue sua opinião.
המביא אשם תלוי ונודע לו שלא חטא אם עד כו': ר' מאיר אומר כיון דלא צריך ליה לא מקדיש ליה ולא מקדיש אלא על ספק וכשידע נסתלקה קדושה וחכמים אומרים לב אדם חולה מן העונות ואע"פ שנסתפק בחטא הואיל והקדיש חלה קדושה עליו לפי שגמר בלבו להקדישו ולפיכך ירעה עד שיסתאב וימכר ומקריב בדמיו עולת נדבה והלכה כחכמים ואין הלכה כרבי אליעזר ולא כר' יוסי לפי שר' יוסי אומר כלי שרת מקדשין את הפסול לקרב וכל העומד לזרוק כזרוק דמי וכל זה נדחה:
Bartenura explica: “aquele que traz um asham talui” — “saia e paste no rebanho”, junto do restante de seu gado, como uso comum pleno, pois Rabi Meir entende que, já que não precisa dele, nunca o consagrou de fato. “Paste até que adquira mácula”: porque, no momento da separação, seu coração o incomodava e ele temia a dúvida do pecado, e por isso consagrou-o com intenção completa, mesmo que no fim não venha a precisar dele; por isso o animal pasta até cair nele uma mácula, e então seus valores caem para oferta voluntária, trazendo dela uma oferenda de subida voluntária — e a halachá segue os Sábios. “O sangue seja derramado”: no canal que corre pelo pátio do Templo. “Para a casa da queima”: e, embora animais de uso comum abatidos no pátio devam ser sepultados, este é tratado como um sacrifício desqualificado, que exige queima. “Se o sangue foi aspergido”: antes de se saber a ele. “Seja comida”: a carne, pois o Misericordioso disse (Vayicrá 5): “e ele não soube, e lhe será perdoado” — no momento do perdão não deve haver conhecimento; e aqui também, no momento da aspersão do sangue, que é o momento do perdão, não havia ainda conhecimento, e assim já se completou toda a expiação de sua dúvida, sendo este um asham talui válido. “Mesmo o sangue no cálice, seja aspergido”: pois Rabi Yosei entende que os utensílios sagrados santificam para o serviço até mesmo o que seria desqualificado, e tudo o que está prestes a ser aspergido é como se já tivesse sido aspergido, sendo como se o sangue já tivesse sido aspergido antes de haver conhecimento — mas a halachá não segue Rabi Yosei.