Este diz: esta é minha assinatura, e esta é a assinatura do meu companheiro; e aquele diz: esta é minha assinatura, e esta é a assinatura do meu companheiro — eis que estes são confiáveis. Este diz: esta é minha assinatura; e aquele diz: esta é minha assinatura — precisam juntar com eles outra testemunha, palavras de Rabi. E os sábios dizem: não precisam juntar com eles outra testemunha, mas a pessoa é confiável para dizer: esta é minha assinatura. — Quando cada uma das duas testemunhas assinantes reconhece não apenas a própria assinatura, mas também a do companheiro, há efetivamente dois testemunhos completos sobre cada uma das duas assinaturas, e o documento é validado sem dúvida. Mas quando cada uma reconhece apenas sua própria assinatura, Rabi entende que, como o testemunho recai sobre a caligrafia, e não sobre o conteúdo do documento, é necessária uma segunda testemunha para cada assinatura individual — por isso exige uma terceira pessoa. Os sábios discordam: para eles, o testemunho das duas assinantes recai sobre o conteúdo do documento (a dívida ou o negócio nele registrado), e cada uma delas, ao reconhecer sua própria assinatura, já está testemunhando sobre a totalidade do documento — de modo que as duas juntas já constituem testemunho pleno, sem necessidade de reforço.
A exigência bíblica de duas testemunhas para "estabelecer o assunto" está no centro da disputa entre Rabi e os sábios: o que exatamente precisa de duas testemunhas — a caligrafia de cada assinatura, ou o conteúdo do documento como um todo? Rabi aplica o versículo à autenticação da caligrafia em si, exigindo duas testemunhas para cada uma das assinaturas; os sábios aplicam o versículo ao "assunto" registrado no documento — a dívida ou o negócio —, entendendo que basta que duas pessoas, juntas, testemunhem sobre esse conteúdo, ainda que cada uma ateste apenas sua própria assinatura.
Rambam, no Perush HaMishná, confirma que a halachá segue os sábios — não é necessária uma terceira testemunha.
Rambam resume a disputa e conclui, sucintamente, que a halachá não segue a opinião de Rabi: quando cada uma das duas testemunhas assinantes reconhece apenas a própria assinatura, o documento é validado sem necessidade de uma terceira testemunha, seguindo a posição dos sábios de que as duas assinantes, em conjunto, já constituem testemunho pleno sobre o conteúdo do documento.
Bartenura explica a lógica de cada posição e confirma a halachá conforme os sábios; Rashi, sobre a Guemará, formula a premissa de Rabi — que o testemunho recai sobre a caligrafia, não sobre o teor do documento.
Bartenura explica a raiz da disputa: segundo Rabi, cada testemunha, ao dizer "esta é minha assinatura", está testemunhando apenas sobre sua própria caligrafia — e como a Torá exige duas testemunhas para cada fato, é preciso uma segunda pessoa que confirme essa caligrafia específica, resultando na necessidade de uma terceira testemunha no total. Segundo os sábios, porém, o testemunho das assinantes recai sobre o valor monetário registrado no documento — e como as duas testemunhas, juntas, já atestam esse conteúdo (uma confirmando sua parte, a outra a sua), não falta nada: duas bastam. Bartenura confirma que a halachá segue os sábios.
Rashi explica a lógica interna da posição de Rabi: quando as testemunhas comparecem perante o tribunal para validar o documento (lekayem et hashtar), elas estão testemunhando especificamente sobre sua caligrafia — isto é, confirmando que a assinatura no documento é de fato a sua letra —, e não sobre o conteúdo da transação nele registrada. Sendo esse o objeto do testemunho, aplica-se a exigência geral de duas testemunhas para cada fato isolado, e por isso é necessária uma segunda pessoa que confirme cada assinatura individualmente, totalizando três pessoas no caso da mishná.