Rabi Yehuda diz: não se eleva à kehuná com base em uma só testemunha. Disse Rabi Elazar: quando? Onde há contestadores. Mas onde não há contestadores, eleva-se à kehuná com base em uma só testemunha. Rabán Shimon ben Gamliel diz, em nome de Rabi Shimon ben HaSegan: eleva-se à kehuná com base em uma só testemunha. — Rabi Yehuda exige o padrão pleno de duas testemunhas sempre que se trata de elevar alguém à condição sacerdotal, mesmo sem oposição declarada. Rabi Elazar distingue: quando não há ninguém contestando sua kehuná, uma única testemunha basta para confirmá-la, pois não há razão real para dúvida; mas se há contestadores formais que alegam sua desqualificação, é necessário o padrão pleno de duas testemunhas para superá-los. Rabán Shimon ben Gamliel, segundo a Guemará, discorda de Rabi Elazar num ponto mais sutil: mesmo quando já houve contestação formal por dois contestadores, e o homem foi rebaixado da kehuná, uma única testemunha posterior que ateste sua aptidão pode ser somada a um testemunho anterior — dado em momento diferente — para restabelecer sua condição, equilibrando dois contra dois e devolvendo-o à sua presunção original de aptidão.
Este versículo, que relata a exclusão de famílias sacerdotais cuja linhagem não pôde ser comprovada documentalmente na volta do exílio babilônico, é a base histórica da preocupação da mishná com o rigor probatório da kehuná. A Guemará situa aqui uma exigência estrutural: em regra, a genealogia sacerdotal já estabelecida (por exemplo, pela presunção de que o pai era conhecidamente kohen) não pode ser abalada por um mero boato sem prova formal, e a disputa entre os tannaim gira em torno de qual padrão de testemunho é necessário tanto para desqualificar quanto para restabelecer essa presunção.
Rambam, no Perush HaMishná, explica com um exemplo concreto o mecanismo da soma de testemunhos (tzeruf) segundo Rabán Shimon ben Gamliel, e conclui que a halachá segue sua opinião.
Rambam ilustra a disputa com um caso concreto: um homem cujo pai era reconhecidamente kohen tem, contra si, um boato de que é filho de mulher divorciada (ben gerushá) e, por isso, desqualificado — e é rebaixado da kehuná. Vem então uma única testemunha e diz "eu sei que ele é kohen", e ele é restaurado, pois uma testemunha basta quando não há contestadores formais. Depois surgem dois contestadores formais que o rebaixam novamente, e então uma nova testemunha ateste sua aptidão. Rabán Shimon ben Gamliel soma essa testemunha à primeira, dada em momento anterior, resultando em duas testemunhas de aptidão contra duas de desqualificação — e a presunção original prevalece, restaurando-o à kehuná. Os sábios (tanna kama) discordam, exigindo que as duas testemunhas de aptidão depusessem no mesmo momento. Rambam conclui que a halachá segue Rabán Shimon ben Gamliel, pois o princípio geral é que testemunhos se somam mesmo quando dados em momentos distintos, e mesmo quando uma testemunha depõe sem a presença da outra — regra válida em todos os tipos de testemunho, exceto na entrega de um documento de divórcio (guet).
Bartenura detalha o mesmo mecanismo de soma de testemunhos e confirma a halachá conforme Rabán Shimon ben Gamliel; Rashi, sobre a Guemará, explica por que a opinião de Rabán Shimon ben Gamliel não coincide simplesmente com a de Rabi Elazar.
Bartenura resume o mecanismo: quando a genealogia de alguém já é presumida (o pai é conhecido como kohen) e surge um boato de desqualificação seguido de contestação formal por dois contestadores, uma testemunha isolada que atesta sua aptidão pode ser somada a outra testemunha isolada, dada em ocasião distinta, para juntas formarem o par necessário — equilibrando os dois contestadores e restabelecendo a presunção original. Rabi Elazar, por sua vez, exige que as duas testemunhas de aptidão testemunhem simultaneamente. Bartenura confirma que a halachá segue Rabán Shimon ben Gamliel.
Rashi esclarece a pergunta inicial da Guemará: à primeira vista, a posição de Rabán Shimon ben Gamliel parece idêntica à de Rabi Elazar, já que ambos aceitam uma única testemunha para restabelecer a kehuná quando não há contestadores formais efetivos. A diferença real, explica Rashi, está no caso em que já houve contestação dupla e o homem foi rebaixado: ali, Rabi Elazar exige que a prova de restabelecimento venha de duas testemunhas simultâneas, enquanto Rabán Shimon ben Gamliel permite somar testemunhos de momentos diferentes. Rashi nota também que um mero boato (kol) — sem testemunho formal de dois contestadores — já é suficiente para provocar uma investigação cautelar e uma remoção temporária da kehuná, "até que se apure o assunto", mas não equivale a uma contestação formal para efeitos desta disputa.