Quem faz voto de se abster da relação conjugal com a esposa — Bet Shamai diz: duas semanas. Bet Hilel diz: uma semana. Os estudantes saem para o estudo da Torá sem permissão por trinta dias. Os trabalhadores, uma semana. A oná mencionada na Torá: para os ociosos, todos os dias. Para os trabalhadores, duas vezes por semana. Para os arrieiros, uma vez por semana. Para os cameleiros, uma vez a cada trinta dias. Para os marinheiros, uma vez a cada seis meses — palavras de Rabi Eliezer. — Se o marido faz um voto proibindo a si mesmo o prazer da relação conjugal com a esposa, Bet Shamai permite que o voto dure até duas semanas antes de obrigá-lo a divorciá-la e pagar a ketubá; Bet Hilel é mais rigoroso com o marido e limita a apenas uma semana. Os estudantes de Torá têm permissão especial para se ausentar de casa por até trinta dias sem consultar a esposa, dedicando-se ao estudo; já os trabalhadores comuns só podem se ausentar por uma semana antes de precisarem voltar para cumprir sua obrigação conjugal. A mishná então define, segundo a ocupação de cada homem, a frequência mínima da oná estabelecida pela Torá: os homens sem ofício fixo (que não têm trabalho pesado) devem cumprir a oná todos os dias; os trabalhadores que saem cedo e voltam à noite, duas vezes por semana; os arrieiros que viajam a locais próximos, uma vez por semana; os cameleiros que viajam para mais longe, uma vez por mês; e os marinheiros, que passam longos períodos no mar, apenas uma vez a cada seis meses — segundo a opinião de Rabi Eliezer.
A frequência mínima da relação conjugal — a oná — é uma das três obrigações bíblicas explícitas do marido para com a esposa, ao lado do sustento e da vestimenta.
A palavra "oná" no versículo é o termo técnico para a relação conjugal devida pelo marido, e a Torá não especifica sua frequência exata — apenas exige que ela não seja diminuída. Coube aos sábios definir, com base na palavra "onah" (que também sugere a ideia de "período" ou "tempo determinado"), a frequência mínima devida segundo a ocupação de cada homem: quanto mais fácil e disponível é o trabalho do marido, maior a frequência exigida, e quanto mais exigente e distante é seu ofício, menor a frequência — mas nunca inferior ao mínimo estabelecido para sua categoria profissional.
Rambam, no Perush HaMishná, esclarece a lei final sobre o limite de tempo do voto e sobre a permissão dos estudantes para se ausentar.
Rambam decide que a lei segue Bet Hilel: o marido pode manter o voto por apenas uma semana, e além disso deve divorciá-la e pagar-lhe a ketubá, mesmo que ele seja cameleiro ou marinheiro, cuja oná normal já é mais espaçada. Sobre os estudantes de Torá, Rambam observa que a permissão de trinta dias mencionada na mishná é a opinião de Rabi Eliezer, mas a lei segue os sábios, que permitem ao estudante se ausentar por até dois ou três anos para se dedicar ao estudo, desde que tenha o consentimento — ainda que tácito — da esposa.
Bartenura detalha a lógica da disputa entre Bet Shamai e Bet Hilel e o significado de cada categoria profissional; Rashi, sobre a Guemará, confirma o contexto do voto e a natureza de cada ofício.
Bartenura explica que o voto em questão é do tipo em que o marido proíbe a si mesmo o prazer da relação conjugal com a esposa — pois um voto no sentido contrário, proibindo a ela o prazer da relação com ele, não seria válido, já que essa relação já é devida a ela por obrigação bíblica. Sobre a disputa entre as escolas, Bartenura explica que Bet Shamai deriva o limite de duas semanas do período de impureza da mulher que dá à luz uma filha, enquanto Bet Hilel deriva o limite de uma semana do período de impureza da menstruante — um período mais curto e mais frequente, portanto mais adequado como base de comparação, pois o voto do marido, como a menstruação, é algo relativamente comum, ao contrário do parto. Sobre as categorias profissionais listadas depois, Bartenura detalha que os "taialin" são homens sem ofício fixo, os arrieiros saem a vilarejos próximos para trazer produtos, os cameleiros viajam para lugares distantes com suas caravanas, e os marinheiros cruzam o mar aberto — e a lei final segue os sábios quanto ao prazo de ausência dos estudantes.
Rashi confirma que o voto tratado na mishná é apenas aquele em que o marido restringe a si mesmo, pois o inverso não teria validade — o dever de oná é uma obrigação sobre ele, não sobre ela, conforme o versículo "sua relação conjugal ele não diminuirá". Rashi ainda esclarece os termos das profissões: os arrieiros são os que saem aos vilarejos vizinhos para trazer grãos e vendê-los no mercado local; os cameleiros são comerciantes que transportam fardos em caravanas de camelos para lugares distantes; e os marinheiros são os que se aventuram pelo mar aberto, chegando aos confins da terra — daí a diferença tão grande na frequência da oná exigida de cada um.