Aquele que consagra com terumot, com dízimos, com os dons [do cohen], com as águas da purificação ou com as cinzas da purificação — eis que ela está consagrada, mesmo que ele seja um israelita [não cohen]. — Encerrando o Perek Bet, a mishná ensina que, ao contrário dos itens da mishná anterior — todos proibidos ao proveito —, os itens agora listados têm valor comercial legítimo e reconhecido, e por isso servem validamente para o kidushin. A terumá (grande e a do dízimo) e os dízimos (o primeiro dízimo e o dízimo do pobre) são bens que, embora reservados para consumo por cohanim, levitas ou pobres respectivamente, podem ser legitimamente vendidos a quem tem direito de consumi-los — e portanto têm valor de mercado real. O mesmo vale para os "dons" (matanot) — o braço, as bochechas e o estômago do animal, dados ao cohen — e para as águas e cinzas usadas no ritual de purificação da impureza contraída por contato com um cadáver (mei chatat e efer chatat): mesmo sendo destinados a um uso ritual específico, uma pessoa impura que precisa deles pode legitimamente comprá-los, ou pagar por sua entrega e preparação. A mishná fecha com uma precisão importante: mesmo um israelita comum — não um cohen ou levita — pode consagrar validamente com esses itens, desde que os tenha adquirido legitimamente (por exemplo, herdando-os de um avô materno que era cohen, ou possuindo produtos ainda não separados como terumá mas que, por direito, já lhe pertencem para separar), pois a propriedade legítima do item, e não a identidade tribal de quem o possui, é o que determina a validade do kidushin. Com esta mishná, encerra-se o Perek Bet de Massechet Kidushin — dez mishnayot dedicadas à mecânica jurídica detalhada do kidushin: quem pode realizá-lo, os efeitos do erro e da condição, os limites impostos pelas uniões proibidas, e os tipos de bens que podem ou não servir como seu objeto.
Rambam identifica com precisão cada categoria mencionada na mishná — terumá grande e terumá do dízimo; primeiro dízimo e dízimo do pobre; o braço, as bochechas e o estômago como dons sacerdotais — e explica o caso específico do israelita comum: trata-se de alguém que herdou produtos ainda não separados (tevel) da casa de seu avô materno, que era cohen; a lei considera que "dons ainda não separados são como se já tivessem sido separados", de modo que ele já adquiriu, de fato, a propriedade legítima sobre a futura terumá e pode vendê-la a quem tem direito de consumi-la — e, portanto, também consagrar validamente com ela. Rambam explica ainda que as águas e cinzas de purificação podem ser legitimamente vendidas ao impuro que precisa delas para se purificar, cobrando-se o transporte da água e das cinzas, mas nunca o ato ritual da aspersão em si.
Bartenura confirma a mesma identificação técnica de cada categoria e explica em detalhe o caso do israelita: mesmo que ele não tenha ainda separado formalmente a terumá de seus produtos (tevel), sendo herdeiro de um cohen, a lei o trata como se já tivesse feito a separação — os produtos já são, de fato, seus para separar e vender aos cohanim, e ele pode legitimamente usar esse valor para consagrar uma mulher. Sobre as águas e cinzas de purificação, Bartenura reafirma que se pode cobrar por trazê-las e prepará-las (misturar as cinzas na água), mas nunca pelo próprio ato ritual de aspergir ou de "consagrar" as águas — o serviço ritual em si permanece gratuito, distinto do valor comercial do material.
Rashi identifica sucintamente os "dons" (matanot) mencionados na mishná com os três presentes específicos que a Torá determina que todo israelita entregue ao cohen de qualquer animal abatido para consumo comum: o braço dianteiro, as bochechas e o estômago — itens que, apesar de destinados por lei ao cohen, têm valor comercial próprio e reconhecido, o que os torna aptos, como os demais itens da mishná, a servir de objeto válido para o kidushin.
Com esta mishná encerra-se o Perek Bet de Massechet Kidushin — dez mishnayot dedicadas à mecânica jurídica detalhada do kidushin: quem pode realizá-lo (por si ou por agente), os efeitos do erro sobre o objeto ou sobre condições pessoais declaradas, a distinção entre condição explícita e casamento sem especificação, os limites impostos pelas uniões proibidas (arayot), e os diferentes tipos de bens — proibidos ou permitidos ao proveito — que podem servir como objeto da consagração. O tratado prossegue, no Perek Guimel, com os casos de kidushin por condição (tenaim) mais complexos e os casos de dúvida sobre a validade do kidushin.