As varas que saem do aris, e ele as poupa de cortar — defronte delas é permitido. Se as fez para que os ramos novos caminhassem sobre elas, é proibido.
A Mishná introduz um critério central para todo o sistema de kilaei hakerem: a intenção (machshavá) do proprietário determina se uma estrutura vazia é tratada como parte do aris proibido ou não.
A mesma vara pode ou não ser "apiperot", conforme a intenção de quem a deixou. Quando varas se projetam para além dos limites regulares do aris, o dono às vezes as deixa ali simplesmente porque "tem pena" delas — não quer cortá-las desnecessariamente, sem qualquer plano de usá-las para sustentar futuros ramos. Nesse caso, a Mishná ensina que o espaço diretamente abaixo dessas varas é permitido para semeadura, pois elas não têm o status de "apiperot" (armação destinada a receber ramos) — são apenas um resto que ele preservou por economia ou hábito. Mas se ele deixou aquelas varas especificamente com a intenção de que os ramos novos da videira, ao crescerem, se estendessem sobre elas — nesse caso, elas já são tratadas como uma verdadeira armação de apiperot desde o início, e o espaço sob elas é proibido para semeadura, mesmo antes de qualquer ramo realmente cobri-las. Este princípio conecta-se diretamente ao ensinado em 6:3: a proibição de semear sob a armação vazia depende da intenção declarada de usá-la para a videira.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam.
O Rambam codifica a Mishná sem alteração substancial, confirmando que o critério decisivo é a intenção declarada (ou presumida pelo contexto) do proprietário ao deixar as varas — e não a mera existência física delas. Não há dissidência registrada entre os Sábios sobre este princípio.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
"As poupa de cortar": ou seja, teve pena delas para cortá-las, com receio de que o aris se estragasse, e não as deixou porque sua intenção era voltada para elas, mas por outra razão além dessa — e por isso é permitido semear sob elas, pois não são consideradas parte das apiperot, a menos que sua intenção fosse treliçar sobre elas os ramos que crescerão.
"As varas que saem do aris": que se projetam para fora da estrutura ordenada do aris.
"E as poupa de cortar": pois não as deixou ali com a intenção de treliçar a videira sobre elas, mas apenas porque tem pena delas.
"Defronte delas é permitido": pois não são consideradas parte das apiperot, portanto é permitido semear sob elas.
"Para que os ramos novos caminhassem sobre elas": ou seja, para treliçar sobre elas os ramos das videiras quando brotarem e crescerem.