Aquele que enraíza três videiras e seus troncos permanecem visíveis — Rabi Eliezer bar Tzadok diz: se há entre elas de quatro a oito côvados, estas se unem; e se não, não se unem. A videira que secou é proibida, mas não santifica. Rabi Meir diz: também o algodão-de-videira é proibido, mas não santifica. Rabi Elazar bar Tzadok diz em seu nome: também sobre a videira é proibido, mas não santifica.
A segunda Mishná do Perek Zayin trata de duas questões distintas de havracá (enraizamento): quando três videiras enraizadas se unem para formar um vinhedo, e a distinção entre "proibir" (assur) e "santificar" (mekadesh) — dois graus diferentes de consequência para quem semeia indevidamente.
A união de três videiras, e a diferença entre "proibir" e "santificar". Quando alguém enraíza três videiras separadas de modo que seus troncos originais continuem visíveis (diferindo do caso do Perek Vav, onde o enraizamento faz três videiras se tornarem seis, mas com apenas a metade visível), a questão é se essas três videiras se contam juntas como um vinhedo pleno. Rabi Eliezer bar Tzadok estabelece que isso depende da distância entre elas: apenas entre quatro e oito côvados (a faixa padrão de espaçamento de um vinhedo, vista já no Perek Bet) elas se unem; fora dessa faixa, cada uma permanece uma videira isolada. A segunda parte da Mishná introduz um princípio central: existem objetos que, mesmo proibidos para semeadura próxima, não têm o poder de "santificar" (tornar proibida por queima) a semente que ali cresce — porque, tecnicamente, não são "fruto da vinha" plena, como exige o versículo de Devarim 22:9. A videira seca é o primeiro exemplo: por precaução (para não parecer que se cultiva kilayim), é proibido semear perto dela, mas, como ela não produz mais uvas, a semente ali plantada não se torna proibida por completo. Rabi Meir estende essa mesma lógica ao "algodão-de-videira" (provavelmente uma planta parecida com a videira, mas de espécie diferente) — mesmo sem ser fruto de videira real, sua semelhança visual justifica a proibição preventiva, mas não a santificação plena. E Rabi Elazar bar Tzadok, em nome de Rabi Meir, estende a mesma regra a quem semeia diretamente sobre uma videira enraizada sem os três palmos de terra exigidos na Mishná anterior (7:1): também ali, proibido mas não santificado.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam.
O Rambam segue a Mishná e a decisão de Rabi Eliezer bar Tzadok sem controvérsia registrada. Quanto à segunda parte — a videira seca, o algodão-de-videira e semear sobre a videira enraizada —, a halachá da videira seca é codificada em Hilchot Kilaim 5:16 ("Videira cujas folhas secaram e caíram... é proibido semear ao seu lado hortaliça ou cereal, e se semeou, não santificaram"), na esteira do princípio geral de Hilchot Kilaim 5:8: "proíbem mas não santificam" — um objeto que impede a semeadura por precaução, mas cuja falta de status pleno de "fruto da vinha" impede que a semente se torne proibida por completo. O Rambam não registra halachá específica para o algodão-de-videira de Rabi Meir nem para a opinião de Rabi Elazar bar Tzadok em seu nome — ambas as posições, segundo o Perush HaMishná, não são seguidas como norma.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
O sentido de "se unem" é que se juntam umas às outras e são consideradas um vinhedo.
E o que disse "videira que secou" refere-se a quando suas folhas caíram no início do inverno, como costuma acontecer às videiras — e não se quer dizer que secou completamente e já não produz fruto algum.
E "algodão-de-videira" chama-se em árabe qutun — quer dizer: quando se semeia algodão-de-videira num vinhedo, ele não santifica o vinhedo, pois não é da espécie das sementes [de cereal ou hortaliça].
E não é a halachá segundo Rabi Meir, nem segundo Rabi Elazar bar Tzadok em sua última palavra.
"Aquele que enraíza três videiras": é costume de quem enraíza que, quando saem dois ramos de uma só videira, cava-se na terra e deita-se o ramo sob o solo naquela mesma cova, fazendo sua ponta emergir do outro lado, tornando-se uma nova videira — de modo que de três videiras se fazem seis.
"E seus troncos são visíveis": ou seja, não enterrou toda a videira sob o solo, pois, se assim fosse, três não fariam seis videiras; antes, deixou o tronco original e fez de uma videira duas.
"Se há": entre videira e videira não menos de quatro nem mais de oito côvados, elas se unem — e ainda que duas se alimentem de uma só raiz, são consideradas como duas videiras.
"A videira que secou é proibida": é proibido semear dentro de seu espaço de cultivo por causa da aparência aos olhos [de quem vê de longe e pensa que se cultiva kilayim], mas se alguém semeou, ela não santifica — e isso vale não apenas no inverno, quando é proibido semear sob ela por haver risco de aparência (pois todas as videiras parecem secas nessa época), mas mesmo no verão, quando é evidente que ela está seca, ainda assim é proibido, pelo mesmo motivo.
"Algodão-de-videira": a fibra que se chama coton, cuja árvore se assemelha à videira — é proibido e não santifica, pois não é da espécie de sementes [de cereal ou hortaliça].
"Também sobre a videira": se semeou sobre a videira enraizada na terra sem que haja sobre ela três palmos de terra [conforme 7:1] — é proibido e não santifica. E não é a halachá segundo Rabi Meir nem segundo Rabi Elazar bar Tzadok que falou em seu nome.