As marcas dos tecelões e as marcas dos lavandeiros são proibidas por kilaim. Aquele que dá um único ponto [de costura] — não é união, e não há nele kilaim; e aquele que o retira em Shabat está isento. Fez suas duas pontas para um mesmo lado — é união, e há nele kilaim; e aquele que o retira em Shabat é responsável. Rabi Yehudá diz: até que faça três. O saco e o cesto se somam para [a medida de] kilaim.
A última Mishná do tratado fecha o exame do que constitui "união" (chibur) para efeito de shaatnez — critério que também determina a responsabilidade por rasgar essa união em Shabat — e termina com a regra de que peças de tecidos diferentes conectadas a um mesmo saco ou cesto se somam para a proibição.
Por que o número de pontos de costura determina se há kilaim — e por que essa mesma linha define a responsabilidade em Shabat. A Mishná abre com um caso claro: as marcas de identificação que tecelões e lavandeiros costuram nas roupas de seus clientes — para não confundir a peça de um cliente com a de outro — são proibidas por kilaim caso a marca seja de um material (lã ou linho) diferente do tecido da veste, ainda que a marca seja pequena e sem valor algum para o dono. O restante da Mishná examina, com precisão técnica, quantos pontos de costura constituem "união" (chibur) suficiente para ativar a proibição — a mesma pergunta que, por uma elegante coincidência estrutural, determina também se rasgar essa costura em Shabat constitui a transgressão de "rasgar" (koreia): um único ponto de agulha — a linha entra e sai da veste sem que suas duas pontas fiquem do mesmo lado — não une verdadeiramente duas peças, de modo que não há kilaim, e desfazê-lo em Shabat não gera responsabilidade, pois não equivale a "rasgar com a intenção de costurar de novo" (ação proibida apenas quando envolve pelo menos duas costuras). Mas quando as duas pontas do fio ficam do mesmo lado — a linha entra, sai e volta a entrar, sendo então atada — a união é real, o kilaim se ativa, e desfazer essa costura em Shabat torna a pessoa responsável. Rabi Yehudá exige um padrão ainda mais estrito: apenas quando o fio passa três vezes pela veste (entra, sai, entra) é que se considera costura firme o bastante para gerar união e responsabilidade plena. A Mishná — e com ela, o tratado inteiro — se encerra com uma última extensão: o saco de lã e o cesto de linho (ou vice-versa), quando amarrados um ao outro por essas mesmas costuras de união, somam-se para a proibição de kilaim como se fossem uma só peça, mesmo pertencendo originalmente a dois utensílios distintos.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam.
O Rambam codifica a Mishná quase literalmente, adotando o padrão do primeiro sábio (dois pontos, ou um ponto com as pontas do mesmo lado) em vez do padrão mais estrito de Rabi Yehudá (três pontos), encerrando assim o último capítulo de Hilchot Kilaim com a mesma progressão da Mishná.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
"Marcas dos tecelões e dos lavandeiros": são os sinais que os tecelões e os lavandeiros de vestes fazem em suas roupas para que não se misturem; e se fizer um sinal com fios de lã sobre veste de linho, ou o contrário, eis que é kilaim.
"Aquele que dá um único ponto": introduzir um fio em duas vestes como uma só, e quando alguém o puxa, sai de forma reta — e ele [o tanna] diz que essas duas vestes não estão unidas; e se uma delas se contaminou, a outra não se contamina — e este é o sentido de "não é união". E se uma delas é de linho e a outra de lã, não há nelas kilaim; e quem puxa dela um fio em Shabat está isento e não é considerado "rasgar".
"Fez suas duas pontas como uma só": é quando se unem as duas pontas do fio de um mesmo lado, e se une veste a veste, formando duas costuras...
E o que disse "o saco e o cesto se somam para kilaim" — quer dizer que, quando se reúne veste de lã e de linho e as une a um pedaço de saco ou cesto, já as uniu junto ao saco ou ao cesto, uma parte com a outra, e há entre elas alguma união, e se tornam kilaim, sendo proibido vestir aquela veste unida de ambas. E assim disseram no Sifrê: "juntos", de qualquer modo. E a lei não é conforme Rabi Yehudá.
"Marcas dos tecelões": é costume dos tecelões e lavandeiros marcar o nome do dono na veste por trabalho bordado, para que não se troque a de um pela de outro; e se a veste é de lã e a marca de linho, ou o contrário, é proibido por kilaim.
"Um único ponto": uma única inserção da agulha na veste, apenas uma vez. "Não é união": para impureza e pureza — se um deles se contaminou, o outro não se contamina.
"Fez suas duas pontas para um mesmo lado": por exemplo, passou a agulha uma vez sem levar todo o fio, e passou a agulha uma segunda vez, e as duas pontas ficaram do mesmo lado, e as atou.
"Até que faça três": que insira, retire, e volte a inserir três vezes. E a lei não é conforme Rabi Yehudá.
"O saco e o cesto se somam para kilaim": se um pedaço de veste de lã está unido ao saco, e um pedaço de veste de linho está unido ao cesto, e os uniram juntos por duas costuras, somam-se, ainda que estejam unidos a dois utensílios diferentes.