Quem compra animal (fora de Jerusalém, com dinheiro do segundo dízimo), por engano, o dinheiro volta ao seu lugar (o vendedor devolve o valor, que permanece dízimo, e recupera o animal). De propósito, sobe e é comido no lugar (o animal deve ser levado a Jerusalém e ali abatido e consumido sob a santidade do segundo dízimo). E se não há Templo, é enterrado junto com seu couro (diferentemente dos frutos, que simplesmente apodrecem, o animal deve ser enterrado — e seu couro, que em condições normais sairia para uso comum, aqui permanece proibido e é enterrado com ele, como penalidade pela compra deliberada).
A mesma base de Devarim 14:26 — a exigência de que o consumo do segundo dízimo, ou daquilo comprado com seu dinheiro, se dê exclusivamente "no lugar que o Eterno escolher" — explica por que o animal comprado indevidamente fora de Jerusalém não pode simplesmente ser liberado para uso comum.
Por que o animal é enterrado com seu couro, e não apenas deixado para apodrecer como os frutos? A diferença de tratamento reflete a diferença material entre frutos e animais. Frutos que apodrecem simplesmente se decompõem com o tempo, sem exigir uma ação específica. Um animal, porém, não pode ser deixado ao relento da mesma forma — ele deve ser abatido ou, quando não há Templo para consumi-lo apropriadamente, enterrado como forma de retirá-lo permanentemente de qualquer uso, tal como se faz com outros itens proibidos que não podem ser destruídos por combustão ou consumo. O detalhe do couro é o ponto mais instrutivo: em circunstâncias normais (mishná 1:3), o couro de um animal comprado para carne "sai para uso comum", pois não fazia parte da intenção de compra do comprador. Mas aqui, como toda a transação foi inválida desde o início — feita de propósito, fora de Jerusalém —, a santidade do dízimo nunca foi corretamente transferida para "a carne apenas"; ela permanece grudada a todo o animal, couro incluído, e por isso ambos devem ser enterrados juntos.
O Rambam codifica este caso em Hilchot Maaser Sheni veNeta Reva (Mishné Torá), capítulo 7, imediatamente após o caso paralelo dos frutos.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná.
"É enterrada junto com seu couro": seu significado é que se enterre com seu couro se ela morrer, para que ninguém possa se beneficiar de seu couro (o Rambam esclarece o propósito da regra: não é apenas uma questão de procedimento, mas de impedir que o couro, mesmo já separado, seja aproveitado por alguém, já que ele também está sob a proibição decorrente da compra deliberada e inválida).
"É enterrada junto com seu couro": com seu couro, pois também o couro está proibido (diferentemente do caso comum, em que o couro do animal comprado para consumo sai para uso comum — aqui, como toda a compra foi inválida e deliberada, o couro compartilha a mesma proibição que a carne, e ambos devem ser enterrados).