Alguém que tinha alguns filhos impuros e outros puros (e todos queriam beber juntos, do mesmo jarro, do vinho comprado com dinheiro do segundo dízimo): deixa o sela e diz: o que os puros beberem, este sela está resgatado sobre isso (uma declaração de resgate condicional e retroativo, dirigida especificamente à porção que vier a ser bebida pelos filhos puros). Resulta que puros e impuros bebem do mesmo jarro (pois, no momento em que cada gole é bebido pelos puros, ele se torna retroativamente "vinho do dízimo", já resgatado; e o que os impuros bebem nunca chega a ser dízimo, mas sim vinho comum, adquirido com o dinheiro já resgatado).
Esta mishná combina dois princípios já vistos: o consumo do dízimo apenas em estado de pureza ritual, e o mecanismo de resgate (chilul) como ferramenta prática para resolver situações complexas.
Como funciona, na prática, esta solução? Segundo o Bartenura, o mecanismo é sutil: o pai não tenta separar fisicamente o vinho — todos bebem do mesmo jarro. Em vez disso, ele faz uma declaração de resgate que se aplica, desde já, apenas à porção específica que os filhos puros vierem a consumir. Cada gole que um filho puro bebe é, retroativamente, transformado em vinho comum (pois o sela previamente separado absorve sua santidade), tornando lícito bebê-lo mesmo em pureza plena, exatamente como qualquer outro resgate do dízimo. Já o vinho que os filhos impuros bebem do mesmo jarro nunca foi objeto dessa declaração — nunca foi, portanto, "designado" como dízimo a ser resgatado —, e por isso nunca teve, para eles, status de vinho sagrado; era, desde sempre, vinho comum como qualquer outro (comprado, é claro, com o dinheiro do dízimo, mas cuja santidade específica nunca recaiu sobre a porção consumida pelos impuros, graças à cláusula condicional). O resultado prático é que ninguém — nem puros, nem impuros — jamais consome vinho do dízimo em estado de impureza, embora todos bebam fisicamente do mesmo recipiente, ao mesmo tempo.
O princípio geral de que o segundo dízimo não pode ser consumido em impureza está codificado em Hilchot Maaser Sheni veNeta Reva, capítulo 3, halachot 1 e 4. O Rambam não formulou, porém, uma halachá redigida especificamente para o caso concreto desta mishná — o pai com filhos parcialmente puros e parcialmente impuros —, tratando-o como uma aplicação prática e derivada do princípio geral, e não como uma norma independente. Registra-se aqui essa ausência com honestidade, seguindo apenas o comentário do Rambam à própria mishná, reproduzido abaixo.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná, que encerra o segundo perek de Massechet Maaser Sheni.
Os impuros estão proibidos de comer o segundo dízimo, pois ele é sagrado; e é necessário que saibas qual é o tipo de impureza deles, e então saberás qual deve ser a forma da bebida deles (o Rambam nota, em seguida, uma distinção técnica adicional: dependendo do tipo específico de impureza dos filhos — se, por exemplo, forem zavim, cuja impureza é mais grave e se transmite até pelo simples ato de manusear o recipiente —, pode ser necessário cuidado adicional quanto ao próprio copo usado, mesmo que o vinho servido a eles já seja comum)... E o que os puros beberem será segundo dízimo, como se o tivessem comprado com este sela do segundo dízimo, e o sela sairá para o uso comum, conforme a lei do dinheiro do segundo dízimo que se gasta em alimentos (a lógica é a mesma de qualquer resgate comum: o dinheiro sagrado "compra" o alimento, absorvendo sua santidade, e o próprio dinheiro se torna comum — aqui aplicada de forma retroativa e seletiva, gole a gole, apenas à porção efetivamente bebida pelos filhos puros).
"Deixa o sela e diz": o que os puros beberem do vinho, quando o beberem, que este sela esteja resgatado sobre ele desde agora (uma condição com efeito retroativo, fixada no momento da declaração, mas que só se ativa de fato no momento em que cada gole específico é efetivamente bebido pelos filhos puros). Resulta que o que os puros beberam era dízimo, e o que os impuros beberam era comum. E não se trata de vinho comum e segundo dízimo misturados um com o outro, pois o vinho não é sagrado com a santidade do dízimo, exceto quando, ao ser bebido, apenas aquele vinho que foi bebido volta a ser dízimo retroativamente (o Bartenura enfatiza o ponto crucial: não há mistura física de vinho sagrado e comum no jarro — o vinho inteiro permanece, na prática, comum, exceto pela porção específica que, no exato instante do consumo pelos puros, é retroativamente "convertida" em dízimo já resgatado, sem jamais ter existido fisicamente como tal antes desse momento).