Um veado que foi comprado com dinheiro do dízimo, e morreu, deve ser enterrado junto com sua pele (um animal selvagem que morreu por si só — não abatido ritualmente — não pode ser resgatado nem seu couro aproveitado; deve ser enterrado inteiro, com a pele, pois nada dele pode ser licitamente utilizado). Rabi Shimon diz: deve ser resgatado (discordando, permite que mesmo esse veado morto sem abate seja resgatado, e não simplesmente enterrado). Se foi comprado vivo e abatido, e depois se contaminou, deve ser resgatado (neste segundo cenário — o veado foi abatido corretamente, tornando sua carne apta ao consumo, mas depois essa carne se contaminou —, a lei concorda que o resgate é permitido). Rabi Yossei diz: deve ser enterrado (discordando desta vez em sentido oposto ao de Rabi Shimon, Rabi Yossei é mais rigoroso, exigindo o sepultamento mesmo neste caso). Se foi comprado já abatido, e depois se contaminou, é como os frutos (neste terceiro cenário — o veado já estava abatido no momento da compra, e só depois se contaminou —, aplica-se a mesma regra já estabelecida para frutos comprados com dinheiro do dízimo que se contaminam, discutida na mishná anterior).
O status do veado comprado com dinheiro do dízimo se apoia na permissão geral de comprar animais e carnes com o dinheiro resgatado, mas suas regras específicas dependem de distinções sobre o método de abate e a origem da impureza.
Por que a diferença entre "morreu" e "foi abatido e depois se contaminou"? A distinção entre os três casos da mishná gira em torno de um princípio central: um animal que morre por si só (neveilá) nunca chega a ter sua carne tornada apta para consumo humano — a ausência do abate ritual (shechitá) significa que aquela carne nunca foi, tecnicamente, "comida" no sentido halájico pleno, e por isso o primeiro tana considera que ela não pode mais ser resgatada, apenas enterrada, junto com sua pele (que, tratando-se de dinheiro sagrado do dízimo, também não pode ser separada e aproveitada). Já quando o animal é abatido corretamente — seja antes, seja depois da compra —, sua carne passa a ter status pleno de alimento apto, e a impureza posterior é tratada como qualquer outra contaminação de um produto comprado com dinheiro do dízimo, permitindo o resgate (segundo a opinião que prevalece). A controvérsia entre Rabi Shimon (que permite resgatar mesmo o animal morto sem abate) e Rabi Yossei (que exige sepultamento mesmo do animal abatido e contaminado) mostra que essa fronteira entre "apto" e "inapto" para consumo não era consenso unânime entre os tanaim, cada um deslocando ligeiramente o ponto de corte.
O Mishné Torá não formulou halachá redigida especificamente para o caso do veado morto ou abatido comprado com dinheiro do dízimo — um caso relativamente raro e específico. O princípio geral de que produtos comprados com dinheiro do dízimo, uma vez contaminados, podem ser resgatados (Hilchot Maaser Sheni veNeta Reva 7:1) é a base sobre a qual o Rambam resolve este caso em seu comentário à mishná. Registra-se essa ausência de halachá redigida específica com honestidade.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná.
O primeiro tana diz que não se resgata coisas sagradas para dá-las de comer aos cães, e Rabi Shimon diz que se resgata coisas sagradas para dá-las de comer aos cães (o Rambam explica que a disputa sobre o veado morto reflete uma disputa mais ampla, conhecida de outros contextos, sobre se objetos consagrados que perderam sua utilidade podem ser resgatados para um uso degradado, como alimentar animais, ou se, uma vez impróprios, só resta o sepultamento — Rabi Shimon segue aqui sua posição mais permissiva sobre o resgate de coisas sagradas em geral)... E quando se contaminou depois de seu abate, deve ser resgatado. E Rabi Yehudá não discordou quanto a isso, pois, quando o comprou vivo, sua lei era igual à lei do próprio segundo dízimo (um animal vivo, comprado com dinheiro do dízimo, ainda mantém flexibilidade equivalente à do próprio dízimo, pois pode ser levado para qualquer lugar antes de ser abatido)... E Rabi Yossei é mais rigoroso que Rabi Yehudá, e diz que deve ser enterrado, já que foi comprado com dinheiro do dízimo (Rabi Yossei aplica, mesmo ao animal já abatido e contaminado, a mesma lógica rigorosa que Rabi Yehudá aplicava apenas aos frutos comprados com dinheiro do dízimo na mishná anterior).
"Junto com sua pele": com sua pele (o Bartenura esclarece que a expressão "al yedei oro" significa, simplesmente, "junto com sua pele" — enfatizando que o couro do animal, que normalmente teria valor comercial considerável e poderia ser separado e vendido, não pode ser aproveitado neste caso: todo o animal, pele incluída, deve ser sepultado como uma unidade, sem qualquer tentativa de extrair proveito econômico de suas partes).