Quem encontra um vaso com a palavra "korban" escrita nele — Rabi Yehudá diz: se era de barro, o vaso é comum, e o que está dentro dele é korban; e se era de metal, o vaso é korban, e o que está dentro dele é comum (a lógica de Rabi Yehudá é que a inscrição indica que o conteúdo do vaso foi consagrado, mas o vaso em si só é consagrado quando tem valor suficiente para isso: um vaso de barro, de pouco valor, dificilmente seria consagrado por alguém, mas um vaso de metal, mais valioso, poderia perfeitamente ser o próprio objeto consagrado). Disseram-lhe: não é costume das pessoas guardar dinheiro comum dentro de um vaso consagrado (os sábios discordam da distinção de Rabi Yehudá quanto ao vaso de metal — argumentando que, uma vez que o próprio vaso de metal é consagrado, seria estranho e incomum que alguém colocasse dentro dele dinheiro comum; a suposição mais razoável é que, se o vaso é consagrado, seu conteúdo também o é).
Esta mishná trata tecnicamente de "korban" (oferendas consagradas ao Templo), e não do segundo dízimo propriamente dito; sua inclusão neste perek se justifica pela continuidade temática dos objetos encontrados com inscrições que indicam algum tipo de santidade.
Por que a mishná trata de "korban" dentro de um tratado sobre o segundo dízimo? Embora korban (oferenda ao Templo) seja tecnicamente uma categoria de santidade distinta do segundo dízimo, os dois compartilham uma característica jurídica importante em comum: ambos são "dinheiro do Alto" (mamon gavoah), pertencente não a um indivíduo, mas a uma esfera sagrada superior, com regras específicas sobre como podem ser identificados, usados e resgatados. A mishná anterior já havia introduzido o tema de identificar dinheiro sagrado por meio de inscrições em cacos de barro; esta mishná generaliza a discussão para vasos inteiros e para a categoria mais ampla de korban, preparando o terreno para a mishná seguinte, que retorna especificamente ao caso das abreviações usadas para identificar produtos de status duvidoso, incluindo o próprio dízimo.
O Rambam codifica esta mishná em Hilchot Maaser Sheni veNeta Reva (Mishné Torá), capítulo 6, halachá 8, na sequência de sua discussão sobre objetos encontrados com inscrições indicando seu status de santidade.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná.
O valor do que está dentro de um vaso de barro é maior do que o valor do próprio vaso, e ele é tão desprezado entre as pessoas que ninguém o consagra para a manutenção do Templo (o Rambam explica a base econômica do raciocínio de Rabi Yehudá: um vaso de barro é intrinsecamente barato demais para ser consagrado por si só, então a inscrição "korban" só pode se referir ao seu conteúdo)... E a lei não segue Rabi Yehudá (o Rambam confirma que, na disputa sobre o vaso de metal, prevalece a opinião dos sábios — que o vaso de metal e seu conteúdo são ambos consagrados —, mas concorda com Rabi Yehudá quanto ao vaso de barro, onde não há disputa).
"É comum": pois não é costume das pessoas consagrarem objetos de barro para a manutenção do Templo, e a inscrição se refere ao que está dentro. "É korban": isto é, consagrado. "Comum dentro de korban": e tudo seria korban (este é o argumento dos sábios contra Rabi Yehudá — não é razoável supor que alguém guardasse dinheiro comum dentro de um vaso já consagrado, portanto tudo dentro de um vaso de metal consagrado deve ser igualmente consagrado). E os sábios só discordaram de Rabi Yehudá quanto ao vaso de metal, pois quanto ao de barro concordam que ele é comum e o que está dentro é korban. E a lei segue os sábios.