"Conforme todo o mandamento que me ordenaste" (ibid.) (esta frase, segundo os sábios, ensina uma condição sobre a ordem correta de separação dos diferentes tipos de dízimo): eis que, se antecipou o segundo dízimo ao primeiro (separou primeiro o segundo dízimo — a décima parte do que restava depois da teruma — antes de separar o primeiro dízimo, devido ao levita, invertendo a ordem correta prescrita pela Torá, que exige primeiro dízimo antes do segundo), não pode se confessar (a inversão da ordem invalida completamente o cumprimento da mitzvá "conforme todo o mandamento", impedindo a recitação válida da confissão, mesmo que, no final, todos os presentes tenham sido corretamente separados e entregues). "Não transgredi teus mandamentos" (ibid.): não separei de uma espécie sobre outra que não é de sua espécie, nem do colhido sobre o preso à terra, nem do preso à terra sobre o colhido, nem do novo sobre o velho (quatro condições técnicas adicionais sobre a validade da própria separação de teruma e dízimos: não se pode separar teruma ou dízimo de um tipo de produto para cobrir a obrigação de um tipo diferente; não se pode separar de frutos já colhidos para cobrir frutos ainda presos à terra, nem o inverso; e não se pode separar da produção de um ano para cobrir a obrigação da produção do ano anterior ou seguinte — cada uma dessas combinações inválidas, se ocorrida, torna a separação ineficaz e, consequentemente, impede a confissão, que pressupõe que toda a separação foi tecnicamente correta). "E não me esqueci" (ibid.): não me esqueci de te abençoar e de mencionar teu nome sobre ele (a frase final da confissão é entendida como referindo-se à obrigação de recitar as bênçãos apropriadas no momento de separar cada presente agrícola — sobre a teruma, sobre os dízimos, sobre o resgate do segundo dízimo, e sobre a chalá —, todas mencionando explicitamente o Nome do Eterno; deixar de recitar essas bênçãos, mesmo tendo cumprido corretamente a separação em si, também impediria a recitação válida da confissão final).
Esta mishná continua a decomposição do mesmo versículo iniciado na mishná anterior, avançando às condições finais que garantem a validade técnica de toda a separação de presentes descrita nas mishnayot anteriores deste perek.
Por que uma simples inversão de ordem invalida toda a confissão? A exigência de que o primeiro dízimo seja separado antes do segundo não é meramente cronológica — ela reflete a estrutura hierárquica da própria Torá, que estabelece o primeiro dízimo como o presente devido ao levita antes mesmo de o segundo dízimo, destinado ao próprio dono, ser calculado sobre o que resta. Inverter essa ordem sugere uma inversão implícita de prioridades — como se o consumo pessoal do dono viesse antes da obrigação para com o levita —, contradizendo o espírito da frase "conforme todo o mandamento que me ordenaste", que exige fidelidade não apenas ao resultado final, mas ao processo integral tal como prescrito. Do mesmo modo, as quatro combinações inválidas mencionadas em "não transgredi meus mandamentos" (espécie diferente, colhido por preso à terra, preso à terra por colhido, novo por velho) protegem um princípio comum: cada porção separada como presente deve ter uma relação de identidade genuína e contemporânea com o produto do qual se pretende separá-la, e não pode ser "emprestada" artificialmente de um lote diferente para cumprir a obrigação de outro.
O Rambam codifica estas condições em Hilchot Maaser Sheni veNeta Reva (Mishné Torá), capítulo 11, halachot 13 e 15, mantendo a mesma estrutura tripartite do versículo.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná.
Isto já foi explicado no que precedeu, e já mencionamos as provas e os apoios textuais para cada uma dessas afirmações (o Rambam remete o leitor a explicações anteriores em seu próprio comentário — provavelmente às mishnayot deste mesmo tratado que tratam da precedência entre os diferentes tipos de dízimo, e às leis técnicas de separação já discutidas em Massechet Terumot e Massechet Maasrot —, sem repetir aqui os detalhes já fundamentados alhures).
"Nem do colhido sobre o preso à terra etc.": isto é, do obrigado sobre o isento, e do isento sobre o obrigado (o Bartenura esclarece que a distinção entre "colhido" (talush) e "preso à terra" (mechubar) corresponde, na prática, à distinção entre um produto já obrigado aos dízimos por ter atingido sua época técnica, e um produto ainda isento por não tê-la atingido). "Nem do novo sobre o velho": pois está escrito "que sai do campo ano após ano" (Devarim 14) — não da produção deste ano sobre a de seu companheiro (cada ano agrícola deve ter sua própria separação de presentes, sem misturar a obrigação de um ano com a produção de outro). "Nem me esqueci de te abençoar e de mencionar teu nome sobre ele": pois se abençoa ao separar a teruma, e do mesmo modo sobre o primeiro e o segundo dízimo, e o dízimo do pobre, e para o resgate do segundo dízimo, e para a chalá — sobre todos eles se abençoa (o Bartenura lista as cinco ocasiões distintas em que uma bênção formal, mencionando o Nome do Eterno, deve acompanhar o ato de separação — cada uma delas incluída na exigência genérica de "não me esqueci" do texto do viduy).