O vinhedo de quarto ano subia a Jerusalém (seus frutos, e não apenas o dinheiro do resgate, deviam ser fisicamente levados à cidade e ali consumidos, dentro de certo raio) a uma distância de um dia de caminho para cada lado (de Jerusalém). E qual é o seu limite? Eilat ao sul, Acrabat ao norte, Lod a oeste, e o Jordão a leste (quatro pontos geográficos que demarcam aproximadamente um dia de viagem a pé em cada direção a partir de Jerusalém, formando o perímetro dentro do qual os frutos de vinhedo de quarto ano tinham de subir fisicamente à cidade). E quando os frutos se multiplicaram (a produção de vinhedos de quarto ano cresceu além do que os mercados de Jerusalém conseguiam absorver e adornar adequadamente), decretaram que se resgatasse junto ao muro (da cidade — isto é, permitiu-se o resgate por dinheiro já nas proximidades de Jerusalém, sem a necessidade de transportar fisicamente os próprios frutos para dentro da cidade, aliviando o volume excessivo que sobrecarregava os mercados). E havia uma condição nisso: que, quando quisessem, voltaria a ser como antes (o decreto de permitir o resgate junto ao muro não era definitivo, mas condicional — reservava-se o direito de os sábios revogá-lo e restaurar a obrigação original de subir os frutos fisicamente, caso a situação de excesso de produção se revertesse). Disse Rabi Yossei: depois da destruição do Templo, essa condição voltou a valer (isto é, a permissão de resgatar junto ao muro deixou de se justificar pela razão original — o excesso de produção —, mas passou a se justificar por uma nova razão: a própria impossibilidade prática de subir os frutos a uma Jerusalém destruída e sob domínio estrangeiro).
Esta mishná continua o tema aberto na anterior, aprofundando o mecanismo específico pelo qual os frutos de vinhedo de quarto ano — sagrados por comparação direta ao segundo dízimo — chegavam a Jerusalém para serem consumidos.
Por que a regra foi ajustada duas vezes, por razões tão diferentes? A mishná narra, com precisão histórica incomum, duas mudanças sucessivas na mesma lei, cada uma com lógica própria. A primeira mudança — permitir o resgate junto ao muro da cidade, sem subir fisicamente os frutos — ocorreu ainda com o Templo em pé, motivada pelo próprio sucesso do propósito original: quando os vinhedos de quarto ano se multiplicaram, o volume de frutos que precisava subir fisicamente tornou-se impraticável de administrar, e o objetivo de "adornar os mercados" já estava sendo cumprido mesmo sem exigir o transporte físico de toda essa quantidade. Por isso a mudança veio com uma condição explícita de reversibilidade: a razão prática (excesso de volume) poderia, em princípio, desaparecer, e a lei então voltaria ao normal. A segunda mudança — relatada por Rabi Yossei, após a destruição do Templo — não decorre mais do excesso de frutos, mas da ausência completa de um Templo e de mercados a adornar: a "condição de reversibilidade" original, que fora criada para lidar com prosperidade, passou paradoxalmente a servir como fundamento para lidar com a catástrofe, mantendo o mesmo resultado prático (resgate sem necessidade de subir os frutos) por uma razão inteiramente oposta.
O Rambam codifica o princípio central desta mishná em Hilchot Maaser Sheni veNeta Reva (Mishné Torá), capítulo 9, halachá 5, embora sem repetir o detalhamento geográfico exato dos quatro pontos cardeais, por já não ter aplicação prática em sua época.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná.
Aquilo que se tornou obrigatório subir do vinhedo de quarto ano a Jerusalém é o que está próximo a Jerusalém, a um dia de caminho ou menos, para adornar os mercados de Jerusalém com frutos, como disseram os sábios. E quando os frutos se multiplicaram em Jerusalém, decretaram que pudessem resgatá-lo mesmo junto ao muro, e condicionaram esse decreto a não ser perpétuo, mas que, quando quisessem, a situação voltaria a ser como era — porque temiam que os frutos diminuíssem e se tornasse necessário voltar a subi-los (o Rambam explica a lógica precavida por trás da cláusula de reversibilidade: os sábios não queriam que uma solução criada para lidar com abundância se tornasse permanente a ponto de impedir, no futuro, o retorno à prática original caso as circunstâncias mudassem). E disse Rabi Yossei: que depois da destruição essa foi a condição — e depois da destruição do Templo, estando ele em mãos dos inimigos, não nos preocupamos nem nos importamos com os frutos, sejam muitos ou poucos; e, de todo modo, hoje não exigimos que se suba a Jerusalém, seja porque esse decreto existia quando os frutos eram abundantes antes da destruição, seja porque passou a existir depois da destruição (o Rambam esclarece que, na prática, o resultado final é o mesmo — não se exige mais subir os frutos fisicamente —, mas explica que a razão de Rabi Yossei mistura as duas causas históricas em uma só conclusão prática válida para todos os tempos posteriores à destruição).