A Mishná · הַמִּשְׁנָה
Fecha-se a série de sinais de maturação retornando ao princípio de 1:1 sobre os vegetais e frutos comestíveis desde pequenos, com o caso especial e espelhado das amêndoas amargas e doces
E quanto aos vegetais (retomando o primeiro princípio geral de 1:1): os pepinos, as abóboras, as melancias, os melões (pepinos-melão), as maçãs e os etrogs (embora o etrog seja fruto de árvore, seu caso se assemelha ao dos vegetais), se obrigam pequenos e grandes (pois desde o início são comestíveis, ainda que se deixe que cresçam mais). Rabi Shimon isenta os etrogs pequenos (por considerar que, ao contrário dos demais itens desta lista, o etrog verde e pequeno não é realmente próprio para consumo — opinião individual que a halachá não segue). Aquele que se obriga nas amêndoas amargas, se isenta nas doces; e aquele que se obriga nas doces, se isenta nas amargas (pois a amêndoa amarga é comestível quando verde e imprópria quando madura, ao passo que a amêndoa doce é o oposto — imprópria quando verde e comestível quando madura; assim, cada uma se obriga em seu próprio estágio de maturação).
וּבַיָּרָק, הַקִּשּׁוּאִין וְהַדְּלוּעִים וְהָאֲבַטִּיחִים וְהַמְּלָפְפוֹנוֹת, הַתַּפּוּחִים וְהָאֶתְרוֹגִין, חַיָּבִים גְּדוֹלִים וּקְטַנִּים. רַבִּי שִׁמְעוֹן פּוֹטֵר אֶת הָאֶתְרוֹגִים בְּקָטְנָן. הַחַיָּב בַּשְּׁקֵדִים הַמָּרִים, פָּטוּר בַּמְּתוּקִים, הַחַיָּב בַּמְּתוּקִים, פָּטוּר בַּמָּרִים:
Fontes da Torá · מְקוֹרוֹת בַּתּוֹרָה
Esta mishná retorna ao primeiro princípio geral de 1:1 — o que é comestível desde o início se obriga desde pequeno — aplicando-o aos vegetais e a certos frutos de árvore que se comportam como eles.
Devarim (Deuteronômio) 14:22
עַשֵּׂר תְּעַשֵּׂר אֵת כָּל תְּבוּאַת זַרְעֶךָ, הַיֹּצֵא הַשָּׂדֶה שָׁנָה שָׁנָה.
"Certamente dizimarás toda a produção de tua semente, que sai do campo ano a ano" (Devarim 14:22) — como ensinado em 1:1, tudo cujo início e fim são igualmente alimento se obriga ao dízimo desde pequeno. Esta mishná aplica esse princípio a pepinos, abóboras, melancias, melões, maçãs e etrogs — todos comestíveis, ainda que em menor grau, desde o início de seu crescimento —, e ao caso paradoxal das amêndoas, em que a amargura ou doçura determina, de forma invertida, qual estágio de maturação é considerado "alimento".
Por que a mishná trata as amêndoas amargas e doces de forma invertida? A amêndoa amarga é agradável e comestível quando ainda verde e macia, mas ao amadurecer completamente se torna dura e amarga demais para ser saboreada com prazer; por isso, ela se obriga ao dízimo desde pequena — pois é aí que "seu início é alimento" — e se isenta quando madura, pois nesse estágio deixa de ser considerada alimento desejável. A amêndoa doce segue o padrão oposto: verde, é dura e sem sabor definido; só ao amadurecer se torna doce e agradável. Por isso ela se obriga apenas quando madura, seguindo o segundo princípio de 1:1 — "cujo início não é alimento... não se obriga até que se torne alimento". A mishná usa este par como ilustração viva de que o critério bíblico não é uma regra fixa de tamanho, mas sim a real aptidão do fruto para servir de alimento agradável em cada momento de seu desenvolvimento.
Halachot · הֲלָכוֹת
O Rambam codifica esta lei em Hilchot Maasser, no mesmo contexto do princípio de "início alimento, fim alimento".
Rambam · Mishné Torá, Hilchot Maasser 2:4
פֵּרוֹת שֶׁהֵן רְאוּיִין לַאֲכִילָה בְּקָטְנָן כְּגוֹן הַקִּשּׁוּאִים וְהַמְּלָפְפוֹנוֹת שֶׁאֵין מַנִּיחִין אוֹתָן אֶלָּא כְּדֵי לְהוֹסִיף בְּגוּפָן בִּלְבַד אֲבָל רְאוּיִין הֵן מִתְּחִלָּה לַאֲכִילָה. הֲרֵי אֵלּוּ חַיָּבִין בְּמַעֲשֵׂר בְּקָטְנָן. שֶׁמִּתְּחִלַּת יְצִיאָתָן בָּאוּ לְעוֹנַת הַמַּעַשְׂרוֹת.
"Frutos que são próprios para consumo quando pequenos, como os pepinos e os pepinos-melão, que não se deixam senão para aumentar seu tamanho, mas já são próprios para consumo desde o início — eis que estes se obrigam ao dízimo quando pequenos, pois desde o início de sua saída já chegam ao 'tempo dos dízimos'" (o Rambam apresenta o princípio geral por trás desta mishná — a aptidão real para consumo, não o tamanho, é o que determina a obrigação — sem necessidade de repetir cada item da lista, que já constava em sua formulação anterior sobre pepinos e melões).
Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná.
Rambam · פֵּרוּשׁ הַמִּשְׁנָה
Comentário à Mishná, Maasrot 1:4
שיעור זה המשנה כן ובירק הקשואים והאבטיחים והדלועים והמלפפונות וכן התפוחים והאתרוגים חייבים גדולים וקטנים לפי שתחלתן אוכל וסופן אוכל וראוין הם לאכילה כשהם קטנים ואין מניחים אותן אלא להוסיף אוכל כמו שקדם: והשקדים המרים. הם ראוין לאכילה כשהם קטנים קודם בשולן לפי שאז הם ראויין לאכילה וכשנתבשלו נפטרו מן המעשרות לפי שאז אינם ראוים לאכילה והשקדים המתוקים בהפך זה בתחלתן פטורים מן המעשרות לפי שאינן ראויין לאכילה וחייבין לאחר בשולן ואין הלכה כרבי שמעון:
A leitura desta mishná é: "e quanto aos vegetais, os pepinos, as melancias, as abóboras e os melões, e também as maçãs e os etrogs, obrigam-se grandes e pequenos", pois seu início é alimento e seu fim é alimento, e são próprios para consumo quando pequenos, e não se deixam senão para aumentar o alimento, como já explicado (em 1:1).
"E as amêndoas amargas": são próprias para consumo quando pequenas, antes de sua maturação, pois então são próprias para consumo; e quando amadurecem, isentam-se do dízimo, pois então não são próprias para consumo. E as amêndoas doces são o oposto disso: em seu início são isentas do dízimo, pois não são próprias para consumo, e se obrigam depois de sua maturação. E a halachá não é como Rabi Shimon.
Bartenura · בַּרְטְנוּרָא
Comentário à Mishná, Maasrot 1:4
וּבַיָּרָק הַקִּשּׁוּאִים וְהָאֲבַטִּיחִים. הָכִי קָאָמַר אַרְבָּעָה מִינִים הַלָּלוּ בַּיָּרָק, שֶׁהֵן הַקִּשּׁוּאִין וְהָאֲבַטִּיחִים וְהַדְּלוּעִין וְהַמְּלָפְפוֹנוֹת, וּבְפֵרוֹת הָאִילָן הַתַּפּוּחִים וְהָאֶתְרוֹגִים, חַיָּבִים בֵּין גְּדוֹלִים בֵּין קְטַנִּים, לְפִי שֶׁתְּחִלָּתָן אֹכֶל וְסוֹפָן אֹכֶל, וְהֵן נֶאֱכָלִים בֵּין גְּדוֹלִים בֵּין קְטַנִּים: רַבִּי שִׁמְעוֹן פּוֹטֵר אֶת הָאֶתְרוֹגִין בְּקָטְנָן. דִּסְבִירָא לֵיהּ שֶׁאֵין נֶאֱכָלִים קְטַנִּים, וְלֹא הֲוֵי תְּחִלָּתָן אֹכֶל. וְאֵין הֲלָכָה כְּרַבִּי שִׁמְעוֹן: שְׁקֵדִים הַמָּרִים. נֶאֱכָלִים בְּקָטְנָן וְאֵין נֶאֱכָלִים בְּגָדְלָן. וּשְׁקֵדִים מְתוּקִים אִיפְּכָא:
"E quanto aos vegetais, os pepinos e as melancias": assim se lê: estes quatro tipos entre os vegetais — os pepinos, as melancias, as abóboras e os melões — e entre os frutos de árvore, as maçãs e os etrogs, obrigam-se tanto grandes quanto pequenos, pois seu início é alimento e seu fim é alimento, e são comidos tanto grandes quanto pequenos.
"Rabi Shimon isenta os etrogs pequenos": pois ele entende que não são comidos pequenos, e portanto seu início não é alimento. E a halachá não é como Rabi Shimon.
"Amêndoas amargas": são comidas pequenas e não são comidas grandes; e as amêndoas doces são o oposto.
Massechet Maasrot não possui Guemará no Talmud Bavli — como os demais tratados da Ordem de Zeraim (com exceção de Berachot), restando apenas o Talmud Yerushalmi e a Tosefta. Por isso, o comentário de Rashi é omitido nesta e em todas as demais mishnayot deste tratado. Esta mishná encerra a primeira parte do Perek Alef — dedicada a definir quando cada produto se torna "alimento" e obrigado ao dízimo — e a próxima mishná passa a tratar de um tema distinto: o momento em que o produto já obrigado fica efetivamente "fixado" (kavúa) para o dízimo, proibindo até mesmo o consumo casual.