Se duas o viam de uma janela, e duas o viam de outra janela, e um os advertia no meio — se algumas delas conseguem ver umas às outras, eis que é um único testemunho; e senão, eis que são dois testemunhos. Por isso, se uma delas se revelar conspiradora, ele e elas são executados, e a segunda é isenta. — O critério decisivo é puramente visual e físico: se as duas duplas, situadas em janelas diferentes, conseguem se enxergar mutuamente no momento do evento — mesmo que cada uma veja o crime de um ângulo distinto —, elas são tratadas como um único testemunho conjunto e unificado; caso não consigam se ver, formam dois testemunhos independentes e separados. A consequência prática dessa distinção aparece quando apenas uma das duas duplas é desmascarada como conspiradora: sendo dois testemunhos independentes, o acusado ainda pode ser (e é) executado com base no testemunho da outra dupla, que permanece válida — e a dupla desmascarada também é executada, por conspiração; mas a segunda dupla, que não foi desmascarada, está isenta de qualquer pena, pois seu testemunho jamais foi contestado.
Rabi Yosei diz: nunca são executados, a menos que a boca de suas duas testemunhas os advirta, pois está dito: "com base em duas testemunhas" (Devarim 17). Outra explicação de "com base em duas testemunhas": para que o Sinédrio não ouça pela boca de um intérprete. — Rabi Yosei exige que a advertência formal ao transgressor — o aviso prévio de que o ato que está prestes a cometer é proibido e sujeito a determinada pena, requisito indispensável para qualquer condenação capital — venha diretamente da própria boca das duas testemunhas que depois testemunharão, e não de uma terceira pessoa intermediária, com base na expressão "com base em duas testemunhas" do mesmo versículo já discutido na mishná anterior (Devarim 17:6). A mishná acrescenta uma segunda leitura possível do mesmo versículo, com implicação processual distinta: o tribunal — especificamente o Sinédrio — não pode receber testemunho por meio de um tradutor ou intérprete; os próprios juízes precisam compreender diretamente a língua em que a testemunha depõe, sem intermediação.
Rambam esclarece o mecanismo exato de unificação: quem faz a advertência precisa ver as testemunhas de ambas as janelas, e elas precisam vê-lo a ele — só essa visibilidade mútua completa, envolvendo todos os participantes, une o conjunto num único testemunho. A halachá não segue a primeira posição de Rabi Yosei (sobre exigir que a advertência venha exclusivamente das duas próprias testemunhas), mas confirma como correta e digna de ser seguida a segunda leitura: o Sinédrio não deve julgar por meio de intérprete.
Bartenura confirma que é justamente a visibilidade mútua entre a pessoa que adverte e as duas duplas de testemunhas que une tudo num único testemunho. Explica com clareza por que o acusado é executado mesmo com apenas uma dupla desmascarada: porque a outra dupla permanece intacta e válida — suficiente, por si só, para sustentar a condenação —, enquanto a dupla desmascarada é executada por sua própria conspiração. Confirma como halachá estabelecida a exigência de que os próprios juízes do Sinédrio compreendam a língua das testemunhas, sem depender de um intérprete.
Rashi, ao abrir a Guemará sobre esta mishná, precisa a consequência prática de se tratar de um único testemunho unificado: quando as duas duplas contam como um só testemunho, desmascarar apenas parte delas — uma ou duas das quatro testemunhas — não basta para executar ninguém; é necessário que todo o conjunto unificado seja desmascarado. Essa é justamente a diferença central em relação ao caso de dois testemunhos separados, tratado na primeira metade da mishná, onde desmascarar uma dupla isolada já basta para condená-la, deixando a outra intacta.