O impuro que comeu algo sagrado, e aquele que entra ao Templo estando impuro; e aquele que come gordura proibida, ou sangue, ou notar, ou pigul, ou impuro; aquele que abate ou oferece fora; aquele que come chametz em Pessach; aquele que come ou realiza trabalho em Yom Kipur; aquele que mistura o óleo, e aquele que mistura o incenso, e aquele que se unge com o óleo da unção; aquele que come carniça e animais transgredidos, répteis e animais rastejantes. Comeu tevel, ou primeiro dízimo do qual não se separou sua terumá, ou segundo dízimo ou consagrado que não foram resgatados. Quanto deve comer do tevel para ser responsável? Rabi Shimon diz: qualquer quantidade. E os sábios dizem: do tamanho de uma azeitona. Disse-lhes Rabi Shimon: não concordais comigo que aquele que come uma formiga, de qualquer tamanho, é responsável? Disseram-lhe: porque ela é um ser completo em sua criação. Disse-lhes: também um grão de trigo é completo em sua criação. — Esta mishná reúne dezoito ou mais categorias de transgressões, quase todas ligadas ao Templo, aos sacrifícios e às leis de pureza alimentar — do sacerdote impuro que come carne consagrada até quem consome carne não dizimada corretamente (tevel). A disputa final é célebre: Rabi Shimon sustenta que, para o tevel, qualquer quantidade — por menor que seja — já gera responsabilidade de açoite, pois a proibição bíblica não menciona medida; os sábios exigem o volume mínimo padrão de "uma azeitona", a medida geral para proibições alimentares na Torá. Rabi Shimon desafia-os com o caso da formiga: todos concordam que comer uma formiga inteira, mesmo sendo minúscula, gera responsabilidade — porque ela é "um ser completo em sua criação", uma criatura integral, não um fragmento. Ele então argumenta, por analogia, que um único grão de trigo também é "completo em sua criação" e deveria, pela mesma lógica, gerar responsabilidade independente do volume.
Rambam classifica todas as transgressões desta mishná como proibições "simples" (a sétima categoria de sua introdução em 3:1) — nenhuma delas está ligada a pena capital, indenização, ou mandamento positivo alternativo — e por isso todas resultam em açoites. Sobre a disputa do tevel: Rambam explica que a raiz do desacordo está em saber se a proibição de comer tevel se equipara às proibições de "proveito" (onde qualquer quantidade, por ínfima que seja, já é proibida), ou às proibições comuns de alimentação (onde a medida padrão de uma azeitona é exigida). A halachá, nota Rambam, segue os sábios: exige-se o volume de uma azeitona.
Bartenura esclarece que "impuro" nesta lista se refere a quem come carne consagrada que se tornou impura — uma categoria adicional às já mencionadas. Sobre tevel: são frutos dos quais ainda não se separaram os dízimos obrigatórios. A halachá não segue Rabi Shimon; exige-se a medida padrão de uma azeitona, como em todas as demais proibições alimentares da Torá. E quanto à formiga: a responsabilidade ali não decorre de nenhuma medida especial, mas do fato de ser "um ser completo em sua criação" — uma categoria à parte, que não abre precedente para o caso do grão de trigo.
Rashi rastreia, para cada item da lista, a fonte bíblica de sua proibição, discutida em detalhe na Guemará: o impuro que come algo sagrado tem sua advertência explicada ali; a proibição de notar e pigul vem de "e queimarás o que sobrar no fogo, não se comerá, pois é sagrado" (Shemot 29); a proibição de abater ou oferecer sacrifícios fora do Templo deriva de "guarda-te de não ofereceres" (Devarim 12); a proibição de comer em Yom Kipur é explicada no final do tratado Yoma; e a proibição do tevel vem de "e não profanarão as coisas sagradas dos filhos de Israel". Sobre a formiga: a responsabilidade por comê-la decorre da proibição específica de "todo réptil que se arrasta sobre a terra" — uma categoria própria, independente da discussão sobre medida mínima.