Não há entre Shilo e Jerusalém senão que em Shilo se comem as consagrações leves e o segundo dízimo em todo lugar de onde se pode avistá-la, e em Jerusalém dentro dos muros. — Enquanto o Tabernáculo esteve erguido em Shilo, as ofertas de santidade leve e o segundo dízimo podiam ser consumidos em qualquer ponto de onde se avistasse o local; já em Jerusalém, essas mesmas categorias só podem ser consumidas dentro dos muros da cidade, um espaço bem mais restrito.
E aqui e ali as consagrações de santidade máxima são comidas dentro das cortinas. — Quanto às ofertas de santidade máxima, porém, tanto em Shilo quanto em Jerusalém a regra é a mesma: elas só podem ser consumidas dentro do próprio recinto sagrado, dentro das cortinas que cercam o altar — não há diferença nesse ponto entre os dois locais.
A santidade de Shilo tem revogação depois de si, e a santidade de Jerusalém não tem revogação depois de si. — Quando o Tabernáculo em Shilo foi destruído, sua santidade se extinguiu e voltou a ser permitido oferecer em altares particulares; mas quando Jerusalém foi santificada pelo rei Shlomo, essa santidade permanece válida para sempre, mesmo depois da destruição do Templo — nunca mais voltou a ser permitido oferecer fora dela.
A tradição distingue neste versículo dois lugares: "o repouso" é Shilo, onde Israel repousou da conquista da terra, e "a herança" é Jerusalém — e a própria Torá, ao separar os dois termos num único versículo, ensina que há distinção entre a permissão que sucede um e a que sucede o outro. Assim, quando a santidade de Shilo se extinguiu com sua destruição, redistribuiu-se novamente a permissão de oferecer em altares particulares — sinal de que aquela santidade não era definitiva; mas a partir do momento em que o rei Shlomo escolheu e santificou Jerusalém como "a herança", nenhum outro local jamais recebeu permissão equivalente, mesmo após a destruição do Templo — a proibição de oferecer fora de Jerusalém permanece válida até hoje.
Rambam explica o sentido de "em todo lugar de onde se pode avistá-la" e remete ao tratado Zevachim para as provas completas da diferença entre as duas santidades.
Bartenura precisa o alcance de "em todo lugar de onde se pode avistá-la"; Rashi conclui o perek explicando por que a santidade de Jerusalém não se revoga, com base na distinção entre "o repouso" e "a herança".
E ainda se explicarão os fundamentos de todas essas leis e suas provas completas no final do tratado Zevachim — ali se detalha por que a santidade de Shilo permitiu retorno aos altares particulares após sua destruição, e a de Jerusalém não.
"Em todo lugar de onde se pode avistá-la": em todo lugar de onde é possível avistar dali o próprio local de Shilo — mesmo que distante, desde que haja linha de visão direta.
"Tem revogação depois de si": quando Shilo foi destruída, foram novamente permitidos os altares particulares — encerrando-se ali aquele grau de santidade central e retornando-se à permissão que vigorava antes de sua construção.
"Tem revogação depois de si" — quando Shilo foi destruída, foram novamente permitidos os altares particulares, como dizemos no tratado Zevachim.
"Pois não chegastes ainda até agora ao repouso" — refere-se a Shilo, onde repousaram da conquista da terra; "e à herança" — refere-se a Jerusalém. Por que a Torá as separou num mesmo versículo? Para estabelecer uma distinção de permissão entre uma e outra: Shilo, o "repouso", teve sua santidade revogada quando destruída; Jerusalém, "a herança" — a posse definitiva e permanente do povo —, jamais teve sua santidade revogada, nem antes nem depois da destruição do Templo.