O que conclui com os Profetas é o mesmo que recita o Shemá em comunidade, e o mesmo que passa diante da arca, e o mesmo que levanta as mãos. E se era menor, seu pai ou seu mestre passam por ele. — À pessoa designada para ler a passagem complementar dos Profetas depois da leitura da Torá foi atribuída também a honra de conduzir as demais partes centrais da oração pública daquele dia: a recitação introdutória do Shemá, a repetição da amidá diante da arca, e, se for sacerdote, o levantamento das mãos para a bênção sacerdotal. Contudo, se quem lê os Profetas for menor de idade — apto a ler mas não a conduzir formalmente a oração da congregação —, seu pai ou seu mestre assumem em seu lugar a tarefa de passar diante da arca.
A concentração de todas essas honras litúrgicas numa única pessoa reflete o princípio geral, já articulado na Guemará a propósito de outras honras sagradas, de que "não se acumulam mitzvot" desnecessariamente entre diferentes pessoas quando uma só pode desempenhá-las todas com dignidade — mas, no caso de quem lê os Profetas, a lógica se inverte: a Guemará explica que se concede a ele especificamente a honra adicional de conduzir a oração, precisamente por causa da honra que ele mesmo já recebeu ao ser chamado para a haftará. A justificativa prática, detalhada pelos comentaristas, é evitar disputas entre quem lê os Profetas e quem conduziria separadamente a repetição da amidá — reunindo as honras numa só pessoa, evita-se qualquer atrito quanto a quem recebe qual honraria.
Rambam explica que essa concentração de honras foi instituída especificamente para dignificar quem se dispõe a ler a haftará.
Bartenura explica o propósito de honrar quem lê os Profetas com a condução da oração; Rashi detalha por que essa concentração de honras evita disputas na comunidade.
Foi por consideração à honra própria do leitor dos Profetas que os sábios instituíram que a ele também caibam as demais honras de condução da oração pública — a leitura da haftará, embora considerada de menor peso que a leitura da própria Torá, recebe assim uma compensação de prestígio litúrgico.
"O que conclui com os Profetas" — refere-se a quem tem o costume de ser chamado para a leitura complementar dos Profetas; os sábios instituíram que essa mesma pessoa também recite as bênçãos introdutórias do Shemá em nome da congregação, reunindo assim numa única figura o conjunto das principais honras públicas daquele momento da oração.
"Ele passa diante da arca" — para conduzir a congregação na recitação da santificação incluída na repetição da amidá.
Na Guemará: "por causa da honra" — concede-se a ele a honra de passar diante da arca precisamente porque, ao se dispor a ler a haftará — tarefa considerada de menor prestígio —, faz-se justiça compensando-o com a maior das honras litúrgicas daquele dia.
"Por causa de disputas" — se as honras fossem divididas entre pessoas diferentes, isso poderia gerar atrito: um diria "eu leio a haftará, e você passa diante da arca", disputando qual das duas tarefas é mais honrosa; reunindo-as numa só pessoa, evita-se esse tipo de conflito na comunidade.