O pão da presença — há meilá nele desde que foi consagrado. Formou crosta no forno — tornou-se apto a ser desqualificado por tevul iom e por mechussar kipurim, e a ser arranjado sobre a mesa. Foram oferecidas as taças — são responsáveis sobre ele por causa de pigul, notar e impureza, e não há neles meilá.
Esta mishná espelha exatamente a estrutura da anterior, agora para o lêchem hapanim, o pão da presença arranjado sobre a Mesa de Ouro no Santuário a cada Shabat (Vaicrá 24:5-9). Assim como as duas pães, o primeiro estágio de aptidão ocorre quando o pão forma crosta no forno, tornando-o suscetível à desqualificação por tevul iom e mechussar kipurim, e apto a ser arranjado sobre a mesa — e, também aqui, não se menciona pernoite, já que o pão da presença permanece intencionalmente sobre a mesa por muitos dias antes de ser comido. O que substitui a aspersão do sangue como ato liberador, neste caso, são as taças de incenso (bezichin) colocadas junto ao pão, que, ao serem queimadas no altar na semana seguinte, cumprem a função de “liberador” do pão para o consumo dos sacerdotes. É esse ato — a queima das taças — que fixa a responsabilidade por pigul (caso alguém tenha pensado, no momento de sua queima, em comer o pão fora do tempo devido), por notar e por impureza; e é também esse ato que retira definitivamente o pão do âmbito da meilá, pois a partir dele os sacerdotes já têm plena permissão para comê-lo.
Rambam explica que tudo isto se esclarece quando se compreende o que já se explicou, e se recordar o que se antecipou em Menachot.
Bartenura explica que, a respeito do pão da presença, também aqui não se lê “desqualificado por pernoite”, pois ele é assado na véspera de Shabat e só é comido no Shabat seguinte.
Rashi explica, sobre “o pão da presença, há meilá nele desde que foi consagrado”: pela boca. Sobre “formou crosta no forno etc.”: como dissemos a respeito das duas pães, e também aqui não há desqualificação por pernoite, pois assim estabelecemos que o pão da presença é comido no oitavo, no nono ou no décimo dia. Sobre “e a ser arranjado sobre a mesa”: e enquanto não formou crosta ainda não se chama pão. Sobre “foram oferecidas as taças”: isto é, os liberadores — são responsáveis por causa de pigul, pois, se alguém pensou, no momento da queima das taças, “eis que queimo com a intenção de comer o pão fora de seu tempo”, o pão se fixa em pigul; pois, assim como a aspersão do sangue do animal, que é seu liberador, fixa em pigul, notar e impureza, do mesmo modo a queima das taças fixa o pão da presença em todas estas. Sobre “e não há neles meilá”: pois já há neles hora de permissão para os sacerdotes.