Os consagrados do altar juntam-se uns aos outros para meilá, e para responsabilizar sobre eles por pigul, nótar e tamê. Os consagrados da manutenção do Templo juntam-se uns aos outros. Os consagrados do altar e os consagrados da manutenção do Templo juntam-se uns aos outros para meilá.
Um item consagrado ao altar (como a carne ou o sebo de uma oferenda) tem duas medidas de responsabilidade: a de uma perutá, para meilá pelo desfrute indevido, e a de um cazáit (o volume de uma azeitona), para as transgressões de pigul (oferenda invalidada por intenção incorreta no momento do serviço), nótar (oferenda comida além do prazo permitido) e tamê (oferenda comida em estado de impureza). A mishná ensina que, se alguém desfrutou de dois tipos diferentes de consagrados do altar — por exemplo, um pouco de carne de uma oferenda e um pouco de outra — as duas porções somam-se para completar tanto a perutá quanto o cazáit, ainda que sejam espécies distintas. Da mesma forma, os consagrados da manutenção do Templo (bens dedicados à obra e à conservação do edifício, não ao altar) somam-se entre si para a medida de meilá — mas apenas para meilá, já que não há neles pigul, nótar ou tamê, leis exclusivas dos sacrifícios. Por fim, a mishná ensina que mesmo os dois grupos, consagrados do altar e consagrados da manutenção, somam-se um com o outro para a medida de meilá, apesar de pertencerem a duas categorias distintas de santidade — a santidade do próprio corpo do sacrifício e a santidade de valor monetário.
Rambam observa que, tendo já entendido tudo o que foi antecipado ao longo deste tratado, todo este enunciado se torna evidente e conhecido, sem necessitar de maior explicação, pois é claro por si mesmo.
Bartenura explica, sobre “os consagrados do altar juntam-se uns aos outros para meilá”: se alguém desfrutou de dois tipos de consagrados do altar no valor somado de uma perutá, cometeu meilá; e também se juntam para a medida de um cazáit, para responsabilizar sobre eles por quem come pigul, nótar ou tamê, ou para responsabilizar por quem oferece um cazáit fora do lugar devido. Sobre “os consagrados da manutenção do Templo juntam-se uns aos outros”: para meilá; mas pigul, nótar e tamê não há neles. Sobre “os consagrados do altar e os consagrados da manutenção do Templo juntam-se uns aos outros para meilá”: mas não para outra coisa, como dissemos, pois os consagrados da manutenção do Templo não têm neles pigul, nótar e tamê.
Rashi explica que pigul, nótar e tamê não se aplicam aos consagrados da manutenção do Templo porque essas três leis não regem sobre bens de santidade de valor (kedushat damim) — consagrados apenas para serem vendidos e seu dinheiro usado na obra — e sim apenas sobre os consagrados do altar, que têm santidade do próprio corpo. A Guemará (15a) traz ainda a posição de Rabi Yanai, que sustenta ser evidente que, pelo versículo “nefesh ki timol maal mikodshei Hashem” (uma alma que cometer transgressão contra os consagrados do Eterno), a meilá bíblica se aplica apenas aos consagrados da manutenção do Templo e à oferenda de subida (que é totalmente do Eterno, sem porção para sacerdotes ou donos); mas a Guemará questiona essa posição a partir da mishná que ensina que os consagrados do altar em geral também se juntam para meilá, e conclui que tal meilá nos demais consagrados do altar decorre de outro versículo — “veish ki yochal kodesh bishgagá” — que abrange todo tipo de consagrado.