A mishná detalha as medidas da mesa do Santuário e a disposição do pão da face sobre ela, segundo Rabi Yehuda e, em disputa, segundo Rabi Meir; e encerra com a controvérsia entre Abba Shaul e os sábios sobre onde ficavam as duas tigelas de incenso.
A mesa: seu comprimento é dez, e sua largura cinco. O pão da face: seu comprimento é dez, e sua largura cinco. Coloca seu comprimento diante da largura da mesa, e dobra dois palmos e meio daqui e dois palmos e meio dali; encontra-se que seu comprimento preenche toda a largura da mesa — palavras de Rabi Yehuda. — Como o pão tem o mesmo comprimento — dez palmos — que a largura da mesa, ao colocá-lo transversalmente, sobra meio palmo e meio de cada lado além da largura da mesa; esse excesso, segundo Rabi Yehuda, era dobrado para cima nas duas extremidades, de modo que o comprimento do pão terminasse exatamente preenchendo a largura da mesa, sem sobrar nem faltar nada.
Rabi Meir diz: a mesa, seu comprimento é doze e sua largura seis. O pão da face, seu comprimento é dez e sua largura cinco. Coloca seu comprimento diante da largura da mesa, e dobra dois palmos daqui e dois palmos dali, e dois palmos de vão no meio, para que o vento sopre entre eles. — Rabi Meir discorda das medidas da própria mesa, tornando-a maior, o que deixa uma folga entre as duas fileiras de pães dispostas sobre ela; esse espaço vazio no centro não é desperdiçado, mas serve a um propósito prático — permitir que o ar circule entre os pães e evite que mofem, já que ficam ali de um Shabat a outro.
Abba Shaul diz: ali colocavam as duas tigelas de incenso do pão da face. Disseram-lhe: mas já não está dito “e porás sobre a fileira incenso puro”? Disse-lhes: mas já não está dito “e junto a ele a tribo de Menashê”? — Abba Shaul aproveita justamente aquele vão central deixado por Rabi Meir para colocar ali as tigelas de incenso. Os sábios objetam com o versículo que diz que o incenso vai “sobre” a fileira de pães, o que sugeriria estar em cima e não ao lado. Abba Shaul responde com um paralelo gramatical: assim como o versículo sobre o acampamento das tribos usa a mesma preposição “sobre ele” para descrever a tribo de Menashê meramente adjacente à de Efraim, e não literalmente em cima dela, também aqui “sobre a fileira” pode significar apenas ao lado dela.
Rambam explica que a respeito da mesa a Torá diz que seu comprimento é dois côvados e sua largura um côvado; Rabi Yehuda entende que o côvado dos utensílios é de cinco palmos, e Rabi Meir entende que todo côvado mencionado na Torá ou nas palavras dos sábios é de seis palmos, exceto o altar de ouro, o chifre do altar externo, a cornija e a base, pois estes são de cinco, como se explicará no terceiro capítulo de Midot; e a halachá é segundo Rabi Meir. E quando se coloca o pão da face sobre a mesa, é necessário que parte dele sobressaia da mesa, para que seja visível aos peregrinos quando o erguem, como se explicará no final deste capítulo; e a halachá não é segundo Abba Shaul.
Bartenura explica que “seu comprimento dez e sua largura cinco” corresponde ao que está escrito (Shemot 28): “dois côvados seu comprimento e um côvado sua largura”, e Rabi Yehuda entende que o côvado dos utensílios é de cinco palmos. “E dobra” — o pão, dois palmos e meio para cima na altura, deste lado e daquele, como duas orelhas. “Seu comprimento doze” — Rabi Meir segue seu próprio critério, segundo o qual todo côvado é de seis palmos. “E dois palmos de vão no meio” — entre as duas fileiras, pois a largura do pão é cinco e as fileiras preenchem apenas dez dos doze palmos de largura da mesa, restando dois palmos de vão no meio. “Abba Shaul diz que ali” — naquele vão entre uma fileira e outra colocavam-se as duas tigelas de incenso. “Mas já não está dito e porás sobre a fileira” — e “sobre” indica literalmente que colocavam as tigelas em cima do pão. “E junto a ele a tribo de Menashê” — e isso significa adjacente; também aqui “sobre” significa adjacente. E não é a halachá segundo Abba Shaul.
Rashi explica que os quinze palmos correspondem a dois palmos e meio para cada pão, sendo seis pães empilhados uns sobre os outros; conclui-se que a mesa consagra até essa altura — e daí resulta que, se algo for colocado no espaço aéreo da mesa dentro desses quinze palmos, a mesa o consagra, ficando sujeito a desqualificação por permanecer ali durante a noite.
Rashi explica que “seus jarros”, no versículo, referem-se aos suportes dourados, por dedução da linguagem do próprio versículo — pois eles “endurecem” o pão e o fortalecem para que não se quebre — e não por tradição oral direta; “suas tigelas” referem-se às varetas, que limpam o pão do mofo, pois se colocavam entre um pão e outro para que o ar circulasse por cima deles.