Seder Kodashim · Massechet Menachot · Perek Chet · Mishná 5 de 7

A hierarquia dos nove azeites e por que as oferendas não exigem óleo "puro e batido"

הָרִאשׁוֹן שֶׁבָּרִאשׁוֹן אֵין לְמַעְלָה מִמֶּנּוּ
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Depois de enumerar os nove azeites das três colheitas na mishná anterior, esta mishná os ordena por qualidade em uma escala de equivalências, e depois explica, por meio de um argumento a fortiori refutado pelo próprio texto bíblico, por que somente a Menorá exige azeite "puro e batido", e não as oferendas de refeição.

A escala de equivalência entre os nove azeites das três colheitas

O primeiro da primeira colheita não tem superior. O segundo da primeira e o primeiro da segunda são iguais. O terceiro da primeira, o segundo da segunda e o primeiro da terceira são iguais. O terceiro da segunda e o segundo da terceira são iguais. O terceiro da terceira não tem inferior. — A mishná organiza os nove graus de azeite descritos anteriormente numa escala única, mostrando que graus de colheitas diferentes podem ser equivalentes entre si: o azeite mais nobre de todos é o primeiro grau da primeira colheita, e o mais inferior é o terceiro grau da terceira colheita; entre esses extremos, os graus se sobrepõem, de modo que, por exemplo, quem possui o segundo grau da primeira colheita não ganha nada em trazer, em vez dele, o primeiro grau da segunda — ambos valem o mesmo para as oferendas.

הָרִאשׁוֹן שֶׁבָּרִאשׁוֹן, אֵין לְמַעְלָה מִמֶּנּוּ. הַשֵּׁנִי שֶׁבָּרִאשׁוֹן וְהָרִאשׁוֹן שֶׁבַּשֵּׁנִי, שָׁוִין. הַשְּׁלִישִׁי שֶׁבָּרִאשׁוֹן וְהַשֵּׁנִי שֶׁבַּשֵּׁנִי וְהָרִאשׁוֹן שֶׁבַּשְּׁלִישִׁי, שָׁוִין. הַשְּׁלִישִׁי שֶׁבַּשֵּׁנִי וְהַשֵּׁנִי שֶׁבַּשְּׁלִישִׁי, שָׁוִין. הַשְּׁלִישִׁי שֶׁבַּשְּׁלִישִׁי, אֵין לְמַטָּה מִמֶּנּוּ.
O argumento a fortiori refutado: por que as oferendas não exigem azeite "puro e batido" como a Menorá

Também as oferendas de refeição, por lógica, deveriam exigir azeite de oliva puro. Pois, se a Menorá, que não é para comer, exige azeite de oliva puro, as oferendas de refeição, que são para comer, não deveriam, por lógica, exigir azeite de oliva puro? Vem o texto e ensina: "puro, batido, para a iluminação" — e não puro, batido, para as oferendas de refeição. — A mishná apresenta e refuta um argumento a fortiori: seria de esperar que, se até a Menorá — cujo azeite não é consumido por ninguém, mas apenas queimado para dar luz — exige a qualidade máxima de azeite ("puro"), as oferendas de refeição, cujo óleo é de fato consumido (misturado à farinha e queimado no altar como alimento), exigissem essa mesma qualidade com ainda mais razão. Mas o versículo bíblico especifica explicitamente que a exigência de azeite "puro, batido" vale apenas "para a iluminação" — ou seja, para a Menorá — excluindo, por essa mesma formulação, as oferendas de refeição dessa exigência.

אַף הַמְּנָחוֹת הָיוּ בַדִּין שֶׁיִּטָּעֲנוּ שֶׁמֶן זַיִת זָךְ. מָה אִם הַמְּנוֹרָה שֶׁאֵינָהּ לַאֲכִילָה, טְעוּנָה שֶׁמֶן זַיִת זָךְ, הַמְּנָחוֹת, שֶׁהֵן לַאֲכִילָה, אֵינוֹ דִין שֶׁיִּטָּעֲנוּ שֶׁמֶן זַיִת זָךְ. תַּלְמוּד לוֹמַר (שמות כז), זָךְ כָּתִית לַמָּאוֹר, וְלֹא זַךְ כָּתִית לַמְּנָחוֹת:

Fontes bíblicas · מְקוֹרוֹת מִן הַתּוֹרָה

Shemot 27:20
וְאַתָּ֞ה תְּצַוֶּ֣ה אֶת־בְּנֵ֣י יִשְׂרָאֵ֗ל וְיִקְח֨וּ אֵלֶ֜יךָ שֶׁ֣מֶן זַ֥יִת זָ֛ךְ כָּתִ֖ית לַמָּא֑וֹר לְהַעֲלֹ֥ת נֵ֖ר תָּמִֽיד׃
"E tu ordenarás aos filhos de Israel que te tragam azeite de oliva puro, batido, para a iluminação, para acender a lâmpada continuamente."
Nota: A mishná lê a expressão "para a iluminação" (lamaor) como uma restrição: a exigência de azeite "puro, batido" aplica-se exclusivamente à Menorá, e não se estende, por analogia lógica, às oferendas de refeição — mesmo que estas, sendo "para comer" (isto é, efetivamente consumidas no altar), pareçam merecer, com maior razão, essa mesma exigência de qualidade.

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Menachot 8:5
ראשון שבראשון אין למעלה ממנו השני שבראשון כו': כל מקום שהוא אומר שוין אין רצונו לומר בכל הדברים לפי שכבר אמרנו שאין ראוי למנורה אלא ראשון שבשלשתן ור"ל ושוין למנחות ואין יתרון לזה על זה אלא למי שרוצה מצוה מן המובחר לפי שכלן שלישי שבשלישי כשר למנחות אבל הרוצה היפה והטוב כבר ידוע מעלתן בשבחן:

Rambam explica que, em todo lugar em que a mishná diz "iguais", não pretende dizer que sejam iguais em tudo — pois já dissemos que apenas o primeiro dos três é apto para a Menorá — mas sim que são iguais para as oferendas de refeição, sem vantagem de um sobre o outro, exceto para quem deseja cumprir o preceito da forma mais excelente. Pois, na realidade, até mesmo o terceiro grau da terceira colheita é válido para as oferendas de refeição; mas quem deseja o mais belo e o melhor já conhece a hierarquia de excelência entre eles.

Bartenura · Menachot 8:5

שָׁוִין. לָאו לְכָל מִלֵּי שָׁוִין, דְּהָא בְּכֻלְּהוּ תְּנַן הָרִאשׁוֹן לַמְּנוֹרָה וְהַשְּׁאָר לַמְּנָחוֹת, אֶלָּא שָׁוִין לַמְּנָחוֹת קָאָמַר. וּמִשּׁוּם דְּקַיְמָא לָן בְּכָל מָקוֹם מִבְחַר נְדָרֶיךָ, שֶׁיָּבִיא מִן הַמֻּבְחָר, קָא מַשְׁמַע לָן הַשְׁתָּא שֶׁהָרִאשׁוֹן שֶׁבַּשֵּׁנִי וְהַשֵּׁנִי שֶׁבָּרִאשׁוֹן שָׁוִין. שֶׁאִם יֵשׁ לוֹ מִנְחָה לְהָבִיא וְיֵשׁ לוֹ מִשְּׁנֵיהֶם, מֵאֵיזֶה שֶׁיִּרְצֶה יָבִיא. אֲבָל אִם יֵשׁ לוֹ מִשְּׁלִישִׁי שֶׁבָּרִאשׁוֹן וּמֵרִאשׁוֹן שֶׁבַּשֵּׁנִי, יָבִיא מִנְחָתוֹ מֵרִאשׁוֹן שֶׁבַּשֵּׁנִי שֶׁהוּא מֻבְחָר:

Bartenura esclarece que "iguais" não significa iguais em tudo, pois em todas as colheitas se ensinou que o primeiro é para a Menorá e o restante para as oferendas de refeição, mas sim que são iguais especificamente para as oferendas de refeição. E, como está estabelecido em toda parte que se deve trazer "o melhor de teus votos" — ou seja, da qualidade mais excelente disponível — a mishná vem ensinar que o primeiro da segunda colheita e o segundo da primeira são iguais: se alguém tem uma oferenda de refeição para trazer e possui azeite de ambos os graus, pode trazer de qualquer um deles à sua escolha. Mas se possui apenas o terceiro grau da primeira colheita e o primeiro grau da segunda, deve trazer sua oferenda do primeiro da segunda, que é o mais excelente.

Perush — os Mefarshim · פֵּרוּשׁ הַמְּפָרְשִׁים

Rashi רש״י
Menachot 86a–86b, sobre a Guemará desta mishná
מתני' השני שבזית ראשון הראשון שבזית שני שוין - ואע"ג דשני שבראשון וראשון שבשני שוין למנחות אפ"ה לא אתי בשני שבראשון למנורה דהא אמרינן בגמ' דלמנורה בעינן כתית ולא היה כתית אלא ראשון שבכל זית:
גמ' שוין - בתמיה דקתני השני שבראשון והראשון שבשני שוין והא אמרת ראשון למנורה והשאר למנחות דהשני שבראשון אין ראוי למנורה וראשון שבשני ראוי למנורה והיכי הוי שוין:
למנחות - שאם רוצה ליתן הראשון שבשני למנחות הרי הוא כשני שבראשון:

Rashi observa que, embora a mishná diga que o segundo grau da primeira colheita e o primeiro grau da segunda são "iguais" para as oferendas de refeição, isso não significa que o segundo grau da primeira colheita se torne apto para a Menorá — pois, como se diz na Guemará, para a Menorá exige-se azeite "batido" (catit), e somente o primeiro grau de qualquer colheita atinge esse padrão. Na Guemará, questiona-se a própria expressão "iguais": afinal, já se ensinou que o primeiro é para a Menorá e o restante para as oferendas — de modo que o segundo grau da primeira colheita não serve para a Menorá, enquanto o primeiro grau da segunda colheita sim; como, então, podem ser chamados "iguais"? A resposta é que são iguais especificamente quanto ao seu uso nas oferendas de refeição: se alguém quisesse usar o primeiro grau da segunda colheita para as oferendas em vez de reservá-lo à Menorá, ele teria o mesmo valor que o segundo grau da primeira.