O nazireado sem especificação é de trinta dias. Disse "sou nazireu por um voto grande" ou "sou nazireu por um voto pequeno", mesmo que diga "daqui até o fim do mundo" — é nazireu por trinta dias. "Sou nazireu, e mais um dia", "sou nazireu, e mais uma hora", "sou nazireu, e mais meio voto" — eis que é nazireu por dois períodos. Disse "sou nazireu por trinta dias e uma hora" — é nazireu por trinta e um dias, pois não se conta o nazireado por horas. — A primeira regra estabelece que trinta dias é a duração mínima e padrão do nazireado, e nenhuma linguagem exagerada ("daqui até o fim do mundo") consegue estendê-la além disso — porque essa expressão, entendida em contexto, é apenas uma forma retórica de dizer "um voto muito grande", e não uma especificação real de duração. Já quem, após dizer "sou nazireu", acrescenta uma fração de tempo — "e mais um dia", "e mais uma hora", "e mais meio voto" — está, na leitura da mishná, formulando dois votos distintos: o primeiro voto completo ("sou nazireu"), e um segundo voto, provocado pelo acréscimo, que por sua vez não pode ser menor que trinta dias — pois não existe nazireado de duração inferior a um mês inteiro. Por isso a pessoa acaba com dois nazireados de trinta dias cada, e não um único nazireado de "trinta dias e um pouco". A distinção com o último caso é sutil: quando a pessoa especifica de uma só vez "trinta dias e uma hora", a hora se absorve dentro do número de dias já mencionado, sem criar um segundo voto — resultando em trinta e um dias inteiros, porque horas isoladas nunca constituem unidade própria de contagem no nazireado.
A cifra de trinta dias é derivada por uma leitura numérica (guematria) da palavra "yihyê" (será) no versículo que descreve o nazireu como "santo" durante todo o período do voto — o valor numérico da palavra soma trinta.
A palavra "yihyê" (será), somada por guematria — cada letra hebraica convertida em seu valor numérico —, resulta em trinta. Os sábios apoiaram nessa soma a determinação de que o nazireado sem prazo especificado dura, no mínimo, trinta dias. É uma leitura tradicional apoiada no texto como sinal (asmachta) mais do que uma dedução lógica direta do versículo — mas se tornou a base fixa e incontestável da duração padrão do voto, servindo de piso mínimo para qualquer voto de nazireado que não especifique sua própria duração.
Rambam, no Perush HaMishná, explica por que "daqui até o fim do mundo" não estende o voto além de trinta dias, e detalha o mecanismo pelo qual o acréscimo de "um dia" ou "uma hora" gera um segundo nazireado completo.
Rambam explica que "daqui até o fim do mundo" é interpretado não como uma duração literal, mas como uma forma exagerada de dizer que aquele único voto de nazireado parece, subjetivamente, tão grande quanto o próprio mundo — mas mesmo assim, na prática, obriga apenas trinta dias. Quanto ao voto duplo, Rambam esclarece que a pessoa fica obrigada a dois nazireados porque o primeiro já foi completamente especificado ao dizer "sou nazireu", e o acréscimo posterior de um dia, uma hora, ou meio voto cria necessariamente um voto adicional — que, como todo nazireado, não pode ser inferior a trinta dias.
Rashi explica o raciocínio da gemará por trás de "daqui até o fim do mundo" e o mecanismo do voto duplo; Bartenura detalha a guematria de "yihyê" e confirma a leitura de Rambam sobre a contagem por horas.
Rashi explica que dizer "um voto pequeno" não pode significar menos de trinta dias, pois essa é a duração mínima possível; e "um voto grande, mesmo que até o fim do mundo" significa apenas que a pessoa quis enfatizar a intensidade subjetiva do voto, comparando-o a algo tão longo quanto o próprio voto de trinta dias frente ao mundo inteiro — mas na prática permanece trinta dias. Sobre o voto duplo, Rashi confirma o mecanismo: assim que a pessoa diz "sou nazireu", o primeiro nazireado já recai sobre ela por completo; qualquer acréscimo posterior — um dia, uma hora, meio voto — cria necessariamente um segundo nazireado independente.
Bartenura confirma a origem da cifra de trinta: a palavra "yihyê" (será), no versículo "santo será", vale trinta em guematria, e dessa soma os sábios apoiaram a duração mínima do nazireado sem especificação. Sobre o último caso da mishná — "trinta dias e uma hora" —, Bartenura explica que a Torá fala em "dias do seu nazireado" (yemei nizro), nunca em horas; por isso, quando a pessoa menciona uma hora junto com um número de dias já fixado, essa hora simplesmente se absorve no total, resultando em trinta e um dias inteiros, e não num nazireado adicional separado.