Se foi aspergido sobre ela um dos sangues, ele não pode mais anular. Rabi Akiva diz: mesmo que tenha sido abatido sobre ela um dos animais, ele não pode mais anular. — A partir do momento em que o sangue de um dos três sacrifícios do nazireado — pecado, elevação ou paz — é aspergido sobre o altar, o marido perde definitivamente o poder de anular o voto de sua esposa, pois o processo de conclusão do nazireado já está em curso e não pode mais ser desfeito. Rabi Akiva vai além: para ele, basta que um dos animais tenha sido abatido, mesmo antes da aspersão do sangue, para que o marido já não possa mais anular — pois anular nesse ponto acarretaria o desperdício de um animal já consagrado e destinado ao altar.
Em que caso se disse isso? Na tosquia de pureza. Mas na tosquia de impureza, ele pode anular, pois pode dizer: não quero mulher desfigurada. Rabi diz: mesmo na tosquia de pureza ele pode anular, pois pode dizer: não quero mulher tosquiada. — A regra de que a aspersão do sangue encerra o poder de anulação do marido aplica-se apenas quando os sacrifícios oferecidos são os da conclusão normal do nazireado — a "tosquia de pureza". Mas quando a mulher se contaminou por um morto durante seu nazireado e precisa oferecer os sacrifícios de purificação antes de recomeçar a contagem — a "tosquia de impureza" —, mesmo depois da aspersão do sangue o marido ainda pode anular o voto, pois ele pode alegar que não deseja permanecer casado com uma mulher "desfigurada", isto é, proibida de beber vinho e sujeita às restrições do nazireado sem nenhum benefício a mostrar por isso, já que seus dias anteriores se perderam por causa da impureza. Rabi discorda até desse limite: para ele, o marido pode anular mesmo na tosquia de pureza, normal e bem-sucedida, pois pode alegar simplesmente que não deseja uma esposa de cabeça raspada, aparência que ele considera indesejável independentemente do motivo por trás da tosquia.
A mishná distingue os sacrifícios de conclusão normal do nazireado dos sacrifícios exigidos quando o nazireu se contamina por um morto no meio de seu voto, ambos descritos na Torá.
A Torá distingue claramente os sacrifícios trazidos após a tosquia de impureza — aves mais simples, trazidas por causa da contaminação inesperada — dos sacrifícios trazidos ao final normal do nazireado, quando o voto se completa com sucesso. É sobre essa distinção bíblica que a mishná constrói o argumento de "mulher desfigurada": no caso da tosquia de impureza, os dias de nazireado já cumpridos se perderam por completo, e a mulher terá de recomeçar toda a contagem — situação que a Torá mesma trata como um contratempo indesejável, o que justifica o argumento do marido de que não quer permanecer casado nessas condições.
A halachá não segue nem Rabi Akiva nem Rabi, mantendo-se com a posição dos sábios anônimos da mishná, como registra Rambam.
Rambam explica que a razão de Rabi Akiva é a preocupação com o desperdício de coisas sagradas: uma vez abatido qualquer um dos três animais, anular o voto tornaria esse abate inútil, o que os sábios buscam evitar sempre que possível. Mas a halachá segue a posição intermediária dos sábios anônimos da mishná, e não acompanha nem a extensão de Rabi Akiva nem a restrição ainda maior de Rabi.
Perush de Rashi, Rambam e Bartenura.
Rashi define de modo simples e direto o sentido do termo "mulher desfigurada" que fundamenta o argumento do marido: trata-se de uma esposa que permanece proibida de beber vinho — uma das principais restrições do nazireado —, condição que ele não é obrigado a aceitar quando os dias já cumpridos se perderam sem proveito, por causa da impureza.
Rashi explica a lógica por trás da distinção entre as duas tosquias: segundo Rabi Eliezer, a tosquia em si é o que permite à mulher voltar a beber vinho, e não a mera aspersão do sangue. Por isso, enquanto ela ainda não foi tosquiada — mesmo que todos os sangues já tenham sido aspergidos —, ela continua proibida de beber vinho, o que configura o "desfiguramento" que autoriza o marido a anular, mesmo nesse estágio avançado.
Rambam esclarece que a tosquia de impureza ocorre quando o nazireu se contamina, traz duas rolinhas ou dois pombinhos como purificação, e depois recomeça a contagem inteira de seu voto do zero — perdendo por completo os dias anteriores. E explica a posição de Rabi: mesmo quando a tosquia é de pureza, e a mulher já pode beber vinho, o marido ainda pode anular, pois, se não o fizer, ela ficará obrigada a se tosquiar — e ele pode alegar simplesmente que não deseja uma esposa de cabeça raspada, independentemente de já poder ou não beber vinho.
Bartenura resume os fundamentos das duas posições: os sábios anônimos permitem a anulação até que o sangue seja aspergido, porque só depois disso a mulher volta a ter permissão para beber vinho e se contaminar, o que encerra a natureza do voto como "aflição da alma" que ainda pode ser anulada. Rabi Akiva estende o limite até o próprio abate, por preocupação com o desperdício de um animal já consagrado ao altar.