Quem fez voto de nazireado e foi trazer seu animal, e o encontrou roubado — se fez o voto antes de seu animal ser roubado, eis que este é nazireu; e se fez o voto depois que seu animal foi roubado, não é nazireu. — Se alguém faz voto de nazireado contando, sem dizer explicitamente, com um animal que já possuía para oferecer como sacrifício ao final, e depois descobre que esse animal foi roubado, a validade do voto depende de quando o roubo ocorreu. Se o voto foi feito quando o animal ainda estava em sua posse, o voto é válido — o roubo posterior é apenas um infortúnio que não afeta a nezirut já assumida. Mas se o voto foi feito depois de o animal já ter sido roubado, sem que ele soubesse disso, o voto não é válido, pois foi feito com base numa suposição falsa sobre uma realidade que já não existia no momento do voto.
E foi este o engano em que caiu Nachum, o Medo: quando subiram nazireus do exílio e encontraram o Templo destruído, disse-lhes Nachum, o Medo: "se soubessem que o Templo estava destruído, teriam feito o voto?" Disseram-lhe: "não" — e Nachum, o Medo, os liberou do voto. — Após a destruição do Segundo Templo, judeus que retornavam do exílio e haviam feito voto de nazireado enquanto ainda estavam fora da Terra de Israel chegaram e descobriram que o Templo, onde deveriam oferecer os sacrifícios finais de seu nazireado, estava destruído. O sábio Nachum, o Medo, perguntou-lhes se teriam feito o voto sabendo dessa realidade; ao responderem que não, ele considerou essa resposta um motivo válido para anular retroativamente os votos, liberando-os de suas obrigações de nazireu.
E quando o caso chegou aos sábios, disseram-lhe: todo aquele que fez o voto antes de o Templo ser destruído é nazireu; e quem fez o voto depois de o Templo ser destruído não é nazireu. — Os sábios discordaram da decisão de Nachum, o Medo, explicando que a destruição do Templo era, para efeitos de anulação de um voto anterior, um "fato novo" (nolad) — algo que ainda não existia, nem era previsível, no momento em que o voto foi feito — e não se pode usar um fato novo como base para anular um voto retroativamente. Assim, quem fez o voto de nazireado antes da destruição do Templo permanece nazireu, exatamente como no primeiro caso desta mishná, ainda que a realização de seus sacrifícios finais fique impossibilitada até a reconstrução do Templo; apenas quem fez o voto depois da destruição — sabendo, portanto, que não haveria como cumpri-lo integralmente — poderia ter seu voto anulado com base nesse conhecimento.
Como em todo o tratado, o voto de nazireado em si remonta ao versículo que o institui; mas a regra sobre anulação de voto por um sábio, central a esta mishná, deriva de outro conjunto de versículos, sobre a autoridade de anular ou confirmar votos.
Este versículo, base geral da obrigatoriedade dos votos, é também a base, segundo a tradição oral, da possibilidade de um sábio "abrir" o voto através de um arrependimento fundamentado — uma pesicha —, mostrando que, se a pessoa soubesse desde o início de algo que ignorava no momento do voto, não teria feito o voto. É exatamente esse mecanismo que está em jogo nesta mishná: os nazireus do exílio tentaram usar a destruição do Templo como pesicha para anular seu voto, mas os sábios recusaram esse fundamento específico por se tratar de um fato ainda inexistente no momento do voto — um "nolad" —, que a halachá não aceita como abertura válida para anulação, ao contrário de fatos que já existiam mas eram desconhecidos.
Rambam esclarece a natureza exata do erro de Nachum, o Medo, e confirma que a halachá segue a posição final dos sábios.
Rambam esclarece que Nachum, o Medo, não pretendia apenas anular formalmente o voto, mas declarar que a nezirut jamais havia entrado em vigor, liberando-os de imediato para beber vinho e se contaminar por contato com morto. E explica que a posição final dos sábios — que quem fez voto após a destruição do Templo não é nazireu — segue a opinião de Rabi Eliezer, que permite abrir um voto com base em um fato novo (nolad); mas a Guemará relata que os próprios sábios "empurraram" Rabi Eliezer para a posição da maioria, e a halachá prática é que não se abre um voto com base em fato novo — daí a distinção da mishná entre quem fez o voto antes ou depois da destruição.
Perush de Rashi, Rambam e Bartenura sobre o episódio de Nachum, o Medo.
Rashi explica que, no caso de quem fez o voto sabendo já que o animal fora roubado, o voto simplesmente não se realiza, por se basear numa suposição falsa sobre a disponibilidade do animal — um caso de nazireado por engano. E identifica com precisão o erro de Nachum, o Medo: ele partiu do princípio equivocado de que se pode abrir um voto com base num fato novo (nolad), quando na verdade a halachá não permite tal abertura.
Rashi explica a expressão talmúdica de que os sábios "arrastaram" Rabi Eliezer para sua posição: embora em Massechet Nedarim Rabi Eliezer sustente, em disputa com os demais sábios, que se pode abrir um voto com base em fato novo, aqui em Massechet Nazir ele parece concordar tacitamente com a maioria, sem manter sua posição individual — o que os comentadores da Guemará entendem como um recuo silencioso diante da posição consolidada dos demais sábios.
Rambam observa que a palavra "seu animal", no primeiro caso da mishná, refere-se tecnicamente aos três animais que todo nazireu deve trazer ao final de seu voto — um pelo pecado, um pela oferenda de subida e um pela oferenda de paz — ainda que a mishná fale no singular por simplicidade. E confirma que a conclusão final dos sábios significa que quem fez o voto após a destruição do Templo nunca teve nezirut válida, sem necessidade de qualquer processo formal de anulação.
Bartenura resume o episódio de forma direta e confirma a decisão final: os nazireus haviam feito seus votos antes da destruição do Templo — o que, segundo a regra da mishná, deveria mantê-los como nazireus válidos —, mas Nachum, o Medo, ainda assim os liberou, cometendo o erro de tratar a destruição do Templo, um fato que ainda não existia no momento do voto, como fundamento válido de anulação. Os sábios corrigiram esse erro, e a halachá prática segue a posição dos sábios, não a de Nachum.