Iam pelo caminho, e alguém veio ao encontro deles. Disse um deles: "eis que sou nazireu se este é fulano"; e outro disse: "eis que sou nazireu se este não é fulano" — "eis que sou nazireu se um de vocês é nazireu", "se nenhum de vocês é nazireu", "se ambos vocês são nazireus", "se todos vocês são nazireus". — Vários companheiros caminhavam juntos quando avistaram uma pessoa se aproximando, cuja identidade não conseguiam determinar com certeza à distância. Um deles apostou seu nazireado na afirmação de que o desconhecido era certa pessoa conhecida; outro apostou o seu na afirmação contrária. Em seguida, outros companheiros do grupo fizeram votos ainda mais complexos, condicionando seu próprio nazireado não à identidade do desconhecido, mas ao fato de um, nenhum, dois ou todos os primeiros dois terem se tornado nazireus com suas apostas.
Beit Shammai dizem: todos são nazireus. E Beit Hilel dizem: não é nazireu senão aquele cujas palavras não se confirmaram. E Rabi Tarfon diz: nenhum deles é nazireu. — Beit Shammai, coerentes com sua posição de que consagração — e, por extensão, nazireado — por engano é válida, consideram todos os participantes efetivamente nazireus, sejam quais forem os fatos reais sobre a identidade do desconhecido. Beit Hilel distinguem: apenas aquele cuja aposta específica falhou — isto é, cuja condição que o livraria do nazireado não se confirmou na realidade — torna-se de fato nazireu, e não aquele cuja aposta se confirmou como verdadeira, pois este nunca teve a intenção séria de assumir o voto, apenas de afirmar um fato do qual já estava certo. Rabi Tarfon, por sua vez, sustenta que nenhum voto condicionado dessa forma incerta chega a valer, pois o nazireado exige clareza e determinação (hafla'ah) no momento do voto, e nenhum dos participantes tinha certeza, no instante em que falou, se seu voto se realizaria ou não.
A disputa sobre nazireado condicional remonta ao mesmo versículo que institui o voto de nazireado, cuja palavra "extraordinário" (יַפְלִא) é a base do argumento de Rabi Tarfon.
Rabi Tarfon lê a palavra "יַפְלִא" (extraordinário, ou "que distinga claramente") como uma exigência de que o nazireado seja assumido com plena clareza e determinação — hafla'ah — e não em meio à incerteza sobre um fato desconhecido. Segundo essa leitura, nenhum dos votos condicionais desta mishná satisfaz esse requisito, pois todos foram feitos sem que o próprio declarante soubesse, no momento de falar, se seu voto de fato se realizaria. Beit Shammai e Beit Hilel, por sua vez, não exigem esse grau de certeza subjetiva, e fundamentam suas posições na mesma lógica geral da consagração por engano discutida nas mishnayot anteriores deste perek.
Rambam esclarece a lógica precisa de Beit Hilel, e confirma que a halachá não segue Rabi Tarfon.
Rambam explica a posição de Beit Hilel com precisão: quem disse "sou nazireu se este é fulano" e de fato era fulano, seu nazireado se confirma normalmente, pois ele efetivamente apostou corretamente sobre algo que se tornou nazireado válido. Já quem disse "sou nazireu se este NÃO é fulano" — pretendendo, com essa fórmula, escapar do nazireado por estar confiante de que era mesmo fulano — mas descobre que na verdade não era fulano, vê suas palavras "não se confirmarem" no sentido de que a condição que o livraria do voto falhou, e por isso se torna nazireu. Rambam confirma, por fim, que a halachá segue Beit Hilel, e não Rabi Tarfon.
Perush de Rashi, Rambam e Bartenura sobre o nazireado condicionado à identidade de um desconhecido.
Rashi descreve passo a passo a cadeia de declarações do grupo, e explica a posição de Beit Shammai: uma vez que cada um dos participantes de fato pronunciou as palavras "eis que sou nazireu", o voto se aplica a todos eles indistintamente, mesmo que a maioria estivesse enganada quanto à realidade que motivou sua fórmula condicional — pois, para Beit Shammai, um voto pronunciado por engano ainda assim é válido.
Rambam confirma que a posição de Beit Shammai nesta mishná decorre diretamente do mesmo princípio das mishnayot anteriores: assim como consagração por engano é consagração válida para eles, também nazireado por engano é nazireado válido. E explica a posição de Rabi Tarfon: cada participante falou apenas "segundo o poder do pensamento" — isto é, especulando sobre uma possibilidade sem afirmá-la com certeza — e por isso nenhum deles se comprometeu de fato, com obrigação plena, ao voto que pronunciou.
Bartenura explica que a base textual da posição de Rabi Tarfon é a palavra "יַפְלִא" do versículo que institui o nazireado, entendida como exigência de clareza plena, no momento do voto, sobre o fato de que se está de fato assumindo o nazireado — condição que nenhum dos votos condicionais desta mishná satisfaz, já que todos foram pronunciados sem saber se as palavras se confirmariam. E confirma que a halachá não segue Rabi Tarfon, mas sim Beit Hilel.