Como é a tosquia da impureza? Ele aspergia no terceiro e no sétimo dia, tosquiava no sétimo, e trazia seus sacrifícios no oitavo. E se tosquiou no oitavo, traz seus sacrifícios naquele mesmo dia — palavras de Rabi Akiva. Disse-lhe Rabi Tarfon: qual a diferença entre este e o leproso? Disse-lhe: este, sua pureza depende de seus dias, e o leproso, sua pureza depende de sua tosquia, e ele não traz sacrifício a menos que o sol já tenha se posto sobre ele. — O procedimento de purificação do nazireu impurificado envolve aspersão da água de purificação no terceiro e no sétimo dia após o contato com o morto; no sétimo dia ele também tosquia o cabelo, e no oitavo dia traz os sacrifícios exigidos. Rabi Akiva acrescenta que, se por algum motivo a tosquia foi adiada e ocorreu apenas no oitavo dia, ainda assim ele pode trazer os sacrifícios nesse mesmo dia, sem esperar mais. Rabi Tarfon questiona essa leniência, comparando-a ao caso análogo do leproso purificado, cuja lei exige que se aguarde até o pôr do sol após a tosquia para trazer os sacrifícios. Rabi Akiva responde apontando a diferença estrutural entre os dois casos: a pureza do nazireu depende inteiramente da contagem dos dias — no sétimo dia, com a aspersão e o mergulho ritual, ele já está puro, independentemente de quando tosquia —, enquanto a pureza do leproso depende especificamente do próprio ato da tosquia, de modo que, se ele tosquia apenas no oitavo dia, ainda precisa aguardar o entardecer daquele dia para se considerar puro, adiando seus sacrifícios para o dia seguinte.
O procedimento de purificação do nazireu impurificado, com sua sequência específica de aspersão, tosquia e sacrifícios, está detalhado na própria passagem sobre o nazireado.
O texto bíblico associa a tosquia ao sétimo dia e a trazida dos sacrifícios ao oitavo, sem estabelecer explicitamente uma dependência causal entre os dois atos — e é justamente sobre essa aparente independência textual entre tosquia e sacrifício que se apoia a resposta de Rabi Akiva a Rabi Tarfon, contrastando-a com a passagem paralela sobre o leproso, que liga expressamente a purificação à própria tosquia.
Rambam detalha os sacrifícios trazidos no oitavo dia e explica a lógica da resposta de Rabi Akiva.
Rambam detalha os sacrifícios trazidos: duas rolas ou dois pombinhos, e um cordeiro de um ano para sacrifício de culpa. E esclarece o mecanismo temporal: se o nazireu mergulhou no sétimo dia e aguardou o pôr do sol, pode trazer seus sacrifícios no oitavo mesmo que só tosquie nesse dia; mas se atrasou o próprio mergulho para o oitavo dia, só poderá trazer seus sacrifícios no dia seguinte, o nono, após novo entardecer. A halachá segue Rabi Akiva.
Perush de Rashi, Rambam e Bartenura.
Rashi esclarece que, após a aspersão da água de purificação no terceiro e no sétimo dia, o nazireu ainda precisa mergulhar em água ritual — uma exigência que a própria passagem bíblica sobre a água de purificação especifica para quem foi aspergido com ela, e que é pressuposta pela mishná antes de detalhar tosquia e sacrifícios.
Rambam explica a pergunta de Rabi Tarfon: no caso do leproso, ensinado no tratado de Negaim, os sacrifícios só podem ser trazidos no dia seguinte à segunda tosquia — nunca no mesmo dia dela —, o que tornava natural perguntar por que o nazireu, aparentemente em situação análoga, poderia trazer seus sacrifícios no próprio dia da tosquia.
Bartenura explica com clareza a distinção central: a pureza do nazireu se completa com a aspersão nos dias terceiro e sétimo, somada ao mergulho ritual — de modo que ele já está puro no sétimo dia, independentemente de quando venha a tosquiar. Já a pureza do leproso está diretamente condicionada ao ato da tosquia em si, de modo que, se esta é adiada, a purificação também o é, junto com a possibilidade de trazer os sacrifícios.