Como é a tosquia da pureza? Ele trazia três animais, uma oferenda pelo pecado, uma oferenda de ascensão, e uma oferenda de paz, e abatia a de paz, e tosquiava sobre ela — palavras de Rabi Yehudá. Rabi Elazar diz: não tosquiava senão sobre a oferenda pelo pecado, pois a oferenda pelo pecado precede em todo lugar. E se tosquiou sobre uma das três, cumpriu sua obrigação. — Ao completar com sucesso o período de nazireado, sem qualquer interrupção por impureza, o nazireu traz três animais distintos ao Templo: um para oferenda pelo pecado, um para oferenda de ascensão totalmente consumida no altar, e um para oferenda de paz, cuja carne é parcialmente consumida pelo próprio ofertante. Rabi Yehudá sustenta que o abate específico sobre o qual a tosquia deve ocorrer é o da oferenda de paz. Rabi Elazar discorda, aplicando o princípio geral segundo o qual a oferenda pelo pecado sempre tem precedência sobre as demais em todo procedimento sacrificial, e conclui que é sobre ela que a tosquia deve ocorrer. Ambos concordam, porém, que, se a tosquia ocorreu sobre qualquer uma das três oferendas, o nazireu cumpriu sua obrigação de qualquer forma.
O versículo que institui a tosquia final do nazireado a associa expressamente à entrada do sacrifício de paz.
Rabi Yehudá lê a expressão "à entrada da tenda do encontro" como referência ao versículo paralelo sobre a oferenda de paz, que também é abatida "à entrada da tenda do encontro", vinculando textualmente a tosquia a esse sacrifício específico; Rabi Elazar, por sua vez, prefere aplicar o princípio geral de precedência da oferenda pelo pecado, deixando a expressão bíblica como indicação apenas de local, não de sacrifício específico.
Rambam decide a halachá entre as duas posições e explica o significado de tosquiar sobre um sacrifício.
Rambam esclarece que a expressão "tosquiar sobre" um sacrifício significa que o ato da tosquia ocorre depois do abate daquele animal específico, e não simultaneamente a ele. E decide a halachá como Rabi Yehudá, que a tosquia ocorre sobre a oferenda de paz — ainda que, na prática, quem tosquiar sobre qualquer uma das três oferendas, como a própria mishná conclui, cumpra sua obrigação de qualquer forma.
Perush de Rashi, Rambam e Bartenura.
Rashi traz a fonte textual do princípio geral invocado por Rabi Elazar: o versículo sobre a ordem dos sacrifícios especifica explicitamente que a oferenda pelo pecado é trazida em primeiro lugar, fundamento que Rabi Elazar aplica também à tosquia do nazireu.
Como citado acima em Halachot, Rambam confirma que a halachá segue Rabi Yehudá, e que a controvérsia entre as duas opiniões se resolve, na prática, sem grande consequência, já que a própria mishná reconhece que tosquiar sobre qualquer uma das três oferendas é suficiente para cumprir a obrigação.
Bartenura explica a leitura textual de Rabi Yehudá: como a expressão "à entrada da tenda do encontro" também aparece na passagem sobre a oferenda de paz, a Guemará interpreta o versículo do nazireu como referindo-se especificamente a esse sacrifício — daí a conclusão de que é sobre a oferenda de paz que a tosquia deve ocorrer, posição que a halachá adota.