Há voto dentro de voto, mas não há juramento dentro de juramento. Como assim? Disse: eis que sou nazireu se eu comer, eis que sou nazireu se eu comer — e comeu — está obrigado por cada um separadamente. Juramento que eu não comerei, juramento que eu não comerei — e comeu — não está obrigado senão uma vez. — A mishná trata do caso de quem repete a mesma formulação de proibição duas ou mais vezes antes de violá-la. Com o voto de nazireado — "eis que sou nazireu se eu comer" —, cada repetição cria uma obrigação nova e independente, de modo que, quando a pessoa finalmente come, ela se torna responsável por múltiplos períodos de nazireado, um para cada vez que formulou o voto, com múltiplas oferendas ao final de cada um. Já com o juramento — "juramento que eu não comerei" — repetir a fórmula não cria uma nova obrigação: a segunda formulação simplesmente reafirma a primeira, sem acrescentar nada, e por isso, ao comer, a pessoa infringe um único juramento, recebendo um único castigo. A razão estrutural é que o segundo voto de nazireado recai sobre uma pessoa que, tecnicamente, "ainda não é nazireu" até que o primeiro período se complete e ela traga sua oferenda — havendo, portanto, espaço para o segundo voto se sobrepor; já o segundo juramento recai sobre uma pessoa já plenamente vinculada pelo primeiro, sem nada de novo a acrescentar.
O voto de nazireado que se acumula encontra sua base no versículo que institui o próprio instituto do nazireado como um voto especial, distinto e separado, que a pessoa "vota" a cada vez que o formula.
O versículo trata o nazireado como um "voto" (nêder) autônomo, distinto de outros votos, o que permite que cada nova formulação — "eis que sou nazireu" — institua um período de consagração próprio, mesmo que sobreposto a um voto anterior ainda não cumprido. Diferentemente do juramento, que recai sobre a pessoa e a mantém presa a um único compromisso já assumido, cada voto de nazireado "vota" um novo status de consagração, e por isso a pessoa pode acumular tantos períodos de nazireado quantas vezes tiver formulado o voto antes de violá-lo.
Rambam, no Perush HaMishná, detalha como se cumprem, na prática, os múltiplos períodos de nazireado acumulados, e por que o juramento repetido não gera senão uma única transgressão.
Rambam explica que quem se compromete várias vezes seguidas com "eis que sou nazireu se eu comer" e depois come deve cumprir um período de nazireado de trinta dias — caso tenha dito "nazireu" sem especificar prazo — ou o prazo específico que tiver mencionado, trazendo a oferenda de nazireu ao final; concluído esse primeiro período, ele se torna obrigado a cumprir o segundo período completo, com sua própria oferenda, e assim sucessivamente para a terceira e a quarta vez que tiver formulado o voto, até esgotar todas as vezes que disse a fórmula. Sobre o juramento, Rambam observa que a própria mishná, ao dizer apenas "não está obrigado senão uma vez" — e não "eis que se trata de um único juramento" —, indica que, caso a pessoa consulte um sábio e seja liberada do primeiro juramento antes de comer, o segundo juramento permanece plenamente vinculante, e o mesmo vale para um terceiro, se o segundo também tiver sido liberado: cada juramento continua tecnicamente distinto, mesmo que, ao comer uma única vez sem qualquer liberação prévia, a pessoa transgrida apenas um deles.
Rambam detalha o cumprimento sequencial dos períodos de nazireado; Bartenura explica por que, tecnicamente, os juramentos repetidos continuam distintos entre si mesmo gerando apenas uma transgressão; Rashi, sobre a Guemará, discute a base talmúdica que confirma a validade do segundo voto de nazireado.
Rambam retoma aqui a explicação de que, embora a violação de vários juramentos idênticos gere apenas uma pena, os juramentos permanecem, cada um, tecnicamente vigentes até serem individualmente anulados por um sábio: se a pessoa pedir a anulação apenas do primeiro juramento, o alimento continua proibido por força do segundo, que segue intacto; e se pedir também a anulação do segundo, o terceiro (caso exista) ainda o mantém proibido, e assim por diante, até que todos os juramentos idênticos tenham sido individualmente liberados. É exatamente essa sutileza, nota Rambam, que a mishná sinaliza ao evitar dizer "eis que se trata de uma única obrigação de juramento" e preferir a formulação mais cautelosa "não está obrigado senão uma vez" — que se refere apenas à pena por comer, não à contagem formal dos juramentos.
Bartenura confirma a leitura de Rambam quanto ao nazireado, precisando que a pessoa deve cumprir, sucessivamente, um período completo de trinta dias — ou o prazo específico mencionado — para cada uma das vezes que declarou o voto, trazendo a respectiva oferenda a cada conclusão. Sobre o juramento, Bartenura enfatiza a leitura literal da mishná: "não está obrigado senão uma vez" refere-se apenas à pena de açoites por comer, mas se a pessoa for consultar um sábio sobre o primeiro juramento e obtiver sua anulação, a proibição do alimento permanece de pé por força do segundo juramento, que ainda não foi anulado — e assim também se for consultado sobre o segundo, permanece por força do terceiro, até que todos tenham sido individualmente liberados. É essa sutileza que explica por que a mishná evita dizer "eis que se trata de um único juramento".
Rashi discute, sobre a Guemará desta mishná, a posição de Rav Huná, que sustentava que o segundo voto de nazireado formulado por quem já está em nazireado não recairia de fato — sendo apenas uma repetição vazia da primeira, sem efeito próprio. Rashi mostra que a linguagem da própria fonte tanaítica citada pela Guemará — "a segunda contou-se para ele dentro da primeira" — implica precisamente o oposto: se a segunda declaração de nazireado "conta" e se soma à primeira (ainda que os dias se sobreponham no tempo), isso prova que a segunda nazireut de fato recaiu sobre a pessoa como um voto autônomo e válido, refutando a posição de Rav Huná. É essa mesma lógica de sobreposição — o segundo voto recaindo genuinamente sobre quem já está sob o primeiro — que sustenta o princípio "há voto dentro de voto" desta mishná.