E qual é a coisa dos que subiram da Babilônia? Como o Monte do Templo, e os pátios, e o poço que está no meio do caminho. E qual é a coisa da própria cidade? Como a praça, e o banho, e a sinagoga, e a arca, e os livros. E o que escreve sua parte ao nasi. Rabi Yehudá diz: um escreve ao nasi e um escreve a um comum. Qual a diferença entre escrever ao nasi e escrever a um comum? Que o que escreve ao nasi não precisa dar posse. E os sábios dizem: tanto este quanto este precisam dar posse. Não falaram do nasi senão no que é comum. Rabi Yehudá diz: os homens da Galileia não precisam escrever, pois já escreveram seus pais por eles. — A mishná esclarece com exemplos concretos a distinção da mishná anterior: o Monte do Templo, os pátios do Templo, e um poço no caminho de subida — todos financiados e mantidos por doações de todo o povo de Israel, com a parte de cada indivíduo tão diluída que não configura proveito relevante entre dois votados. Já a praça, o banho, a sinagoga, a arca de guardar rolos e os próprios livros de estudo pertencem apenas aos moradores daquela cidade específica, com participação mais concentrada e direta. Para contornar a proibição sobre esses bens locais, cada votado escreve sua parte como doação ao nasi — o mecanismo já explicado por Rambam na mishná anterior. Rabi Yehudá amplia essa possibilidade: qualquer pessoa comum, não apenas o nasi, pode receber essa doação; a diferença prática é que uma doação ao nasi dispensa o ato formal de zechiyá — dar posse por meio de um terceiro —, por respeito à sua posição, enquanto uma doação a um homem comum exige esse ato formal. Os sábios discordam: mesmo ao nasi é preciso dar posse formalmente; a menção especial ao nasi na prática comum reflete apenas o costume mais frequente, não uma diferença legal. A mishná fecha com uma isenção histórica: os habitantes da Galileia, por serem naturalmente briguentos e caírem com frequência nesses votos, já tinham esse mecanismo pré-estabelecido por seus antepassados, dispensando-os de repeti-lo a cada novo caso.
O princípio de que bens financiados igualmente por todo o povo diluem a parte de cada indivíduo tem sua raiz no próprio mandamento da contribuição do meio-siclo, cobrada igualmente de rico e pobre para a obra do Templo.
A contribuição do meio-siclo, cobrada em partes exatamente iguais de todo homem de Israel para a construção e manutenção do Templo, é o modelo bíblico da propriedade coletiva e diluída que a mishná chama de "coisa dos que subiram da Babilônia". Assim como ninguém, rico ou pobre, tinha uma parte maior ou menor no Templo por ter contribuído mais ou menos — pois a contribuição era fixa e igual para todos —, também o Monte do Templo, os pátios e o poço do caminho pertencem a cada israelita de forma tão igualitária e diluída que nenhum votado pode alegar estar recebendo proveito específico de seu companheiro ao utilizá-los. É esse mesmo modelo de propriedade compartilhada ao extremo que distingue esses bens dos bens da própria cidade, cuja titularidade é mais concentrada entre um grupo menor e definido de moradores.
Rambam, no Perush HaMishná, decide a favor dos sábios no debate sobre a necessidade de zechiyá mesmo ao nasi, e explica o propósito da isenção concedida aos homens da Galileia.
Rambam explica que a lei, no debate entre Rabi Yehudá e os sábios, segue os sábios: tanto a doação ao nasi quanto a doação a um homem comum exigem o ato formal de dar posse por meio de um terceiro, e a menção específica ao nasi na mishná reflete apenas o costume comum da época, sem implicar diferença legal alguma. Quanto à isenção dos homens da Galileia, Rambam nota que ela existia precisamente porque esse povo tinha fama de briguento e impulsivo, votando cherem uns contra os outros com frequência incomum; para poupá-los de repetir constantemente o mesmo procedimento formal, seus antepassados já haviam escrito, de uma vez por todas, a parte de toda a comunidade ao nasi, cobrindo de antemão qualquer voto futuro entre seus descendentes.
Rashi, na Guemará (Nedarim 48a), detalha os exemplos e a razão histórica da fama dos homens da Galileia; Bartenura confirma a decisão contra Rabi Yehudá.
Rashi explica que os "livros" mencionados são rolos de Torá para os quais os dois votados, junto com os demais moradores da cidade, contribuíram financeiramente — daí sua qualificação como bem da própria cidade, e não bem diluído de todo o povo. Rashi também situa a discussão sobre o poço do meio do caminho em paralelo com a explicação dada no final do último capítulo de Eiruvin, mostrando que a mishná pressupõe conhecimento de outro contexto onde esse mesmo poço aparece como exemplo padrão de propriedade compartilhada por todos os peregrinos.
Rashi confirma que "קַנְטְרָנִין" significa "irritadiços" ou "briguentos" — os homens da Galileia tinham fama de se envolver com frequência incomum em disputas que terminavam em votos de cherem uns contra os outros. Por essa razão, seus antepassados tomaram a iniciativa preventiva de já escrever, de uma vez por todas, a parte comunitária de toda a cidade ao nasi, garantindo que, quando quer que um voto de cherem viesse a ocorrer entre dois moradores, ambos já estivessem automaticamente cobertos pelo mecanismo de permissão, sem precisar repeti-lo a cada nova disputa.
Bartenura resume a posição de Rabi Yehudá: a doação pode ser feita tanto ao nasi quanto a um homem comum, mas apenas a doação ao nasi dispensa o ato formal de zechiyá, por causa de sua importância e prestígio, que faz a doação valer por si só. Bartenura confirma que a halachá segue os sábios contra Rabi Yehudá: mesmo ao nasi é necessário completar o ato de zechiyá, pois a menção específica ao nasi na mishná refletia apenas o costume habitual, sem constituir uma regra legal diferenciada.