Quem vota do grão, fica proibido no feijão egípcio seco — palavras de Rabi Meir. E os sábios dizem: não fica proibido senão nas cinco espécies. Rabi Meir diz: quem vota da produção agrícola, não fica proibido senão nas cinco espécies; mas quem vota do grão, fica proibido em tudo, e está permitido nos frutos da árvore e na verdura. — Para Rabi Meir, a palavra "dagan" (grão) tem um alcance amplo que inclui qualquer coisa que se amontoa em monte (dagan, da raiz "medugan") — inclusive o feijão egípcio seco, que forma monte como um cereal, embora seja tecnicamente uma leguminosa. Os sábios discordam e restringem "dagan" apenas às cinco espécies de cereal reconhecidas pela Torá — trigo, cevada, centeio, aveia e espelta. Rabi Meir esclarece então sua própria posição com uma distinção fina entre dois termos: "tevuah" (produção agrícola), para ele, refere-se apenas às cinco espécies, exatamente como "dagan" é para os sábios; mas "dagan" no seu vocabulário é mais amplo ainda, abrangendo tudo que se amontoa, com a única exceção dos frutos da árvore e da verdura, que ficam fora mesmo dessa categoria ampla.
A própria Torá nomeia a terra de Israel como terra de trigo e cevada — as cinco espécies que os sábios fixam como o alcance exato do voto sobre grão.
A Torá nomeia expressamente trigo e cevada como os primeiros produtos da terra de Israel, distinguindo-os, na mesma frase, da videira, da figueira e da romã — os frutos da árvore. Essa mesma distinção entre grão e fruto de árvore é o que a mishná fixa como fronteira do voto: mesmo na leitura mais ampla de Rabi Meir, quem vota do grão permanece livre para comer frutos da árvore e verdura, pois estes nunca se confundem, na linguagem, com trigo e cevada. As cinco espécies que os sábios reconhecem como o alcance exato de "dagan" — trigo, cevada, centeio, aveia e espelta — são precisamente as variedades derivadas dessas duas categorias mencionadas na Torá.
Sem citação direta correspondente na Mishné Torá, Rambam decide a disputa no próprio Perush HaMishná, definindo com precisão as cinco espécies e a natureza botânica do feijão egípcio.
Rambam identifica as cinco espécies mencionadas pelos sábios: trigo e espelta (variedades do trigo), e aveia e centeio (variedades da cevada), além da cevada propriamente dita. Rambam explica ainda que o feijão egípcio é um tipo de leguminosa que só se encontra na terra do Egito — daí seu nome —, e não deve ser confundido com o feijão comum conhecido popularmente. Rambam decide a halachá a favor dos sábios: o voto sobre grão fica restrito às cinco espécies.
Bartenura explica que, para Rabi Meir, "dagan" abrange todo tipo de leguminosa da qual se costuma formar um monte de colheita — como se faz com o cereal —, e não apenas as cinco espécies estritas. Bartenura confirma, porém, que a halachá não segue Rabi Meir nesta disputa: o voto sobre grão, tanto quanto o voto sobre produção agrícola, fica restrito às cinco espécies reconhecidas pelos sábios.
Rashi, na Guemará (Nedarim 55a), identifica as cinco espécies e explica em que ponto exato os sábios concordam com Rabi Meir.
Rashi lista as cinco espécies exatamente como Rambam: trigo, cevada, espelta, centeio e aveia. Sobre a distinção de Rabi Meir entre "tevuah" e "dagan", Rashi explica que Rabi Meir concede aos sábios que, no caso do voto sobre "tevuah" (produção agrícola), a proibição realmente se restringe às cinco espécies — nesse ponto específico não há disputa; a divergência aparece apenas quando o voto usa a palavra "dagan", que Rabi Meir entende como todo tipo de coisa que forma monte de colheita, incluindo leguminosas como o feijão egípcio.
Rambam detalha a taxonomia botânica das cinco espécies: espelta é uma variedade do trigo; aveia e centeio são variedades da cevada. O feijão egípcio, explica Rambam, é uma leguminosa que cresce exclusivamente na terra do Egito, daí o nome pelo qual os próprios médicos da época o identificavam — e não deve ser confundido com o feijão comum e mais difundido entre o povo.
Bartenura explica a etimologia da posição de Rabi Meir: "dagan" deriva da mesma raiz de "medugan", que designa qualquer coisa amontoada em pilha de colheita — e como o feijão egípcio seco também se amontoa dessa forma, ele se enquadra na categoria, apesar de ser uma leguminosa e não um cereal propriamente dito. Bartenura fecha confirmando que a halachá não segue Rabi Meir: o voto sobre grão, como o voto sobre produção agrícola, fica restrito às cinco espécies de cereal.