Quem vota da casa, está permitido no sótão — palavras de Rabi Meir. E os sábios dizem: o sótão está incluído na casa. Quem vota do sótão, está permitido na casa. — Para Rabi Meir, "casa" na linguagem popular designa apenas o andar térreo de habitação comum, e o sótão — o compartimento superior, frequentemente usado para armazenamento — fica fora dessa categoria; por isso quem vota da casa continua livre para entrar no sótão. Os sábios discordam e sustentam que o sótão está incluído na própria definição de casa, tornando o voto sobre a casa também um voto sobre o sótão. Já na direção oposta não há disputa: todos concordam que quem vota apenas do sótão permanece livre para entrar na casa, pois o termo mais específico e menor — sótão — nunca carrega consigo o termo mais amplo e maior que o contém.
A lei do mezuzá na Torá menciona repetidamente "beitecha" — tua casa — como unidade completa de habitação, o mesmo termo cujo alcance exato a mishná agora discute quanto ao sótão superior.
A Torá ordena fixar a mezuzá nas ombreiras de "beitecha" — tua casa —, um mandamento que a tradição sempre entendeu como aplicável a toda a habitação, incluindo seus compartimentos superiores, e não apenas ao andar térreo. Essa é justamente a leitura que os sábios adotam também para o voto: assim como o dever da mezuzá se estende ao sótão como parte integrante da "casa", também o voto que proíbe "a casa" alcança o sótão, pois ambos pertencem à mesma estrutura unificada de habitação. Rabi Meir, ao isolar o sótão como categoria distinta apenas para efeitos do voto, não contesta essa unidade estrutural geral, mas entende que a linguagem cotidiana e específica dos votos separa os dois espaços de modo mais estrito que a linguagem legal geral da Torá.
Sem citação direta correspondente na Mishné Torá, Rambam decide a favor dos sábios no próprio Perush HaMishná, e Bartenura confirma a mesma conclusão de forma sucinta.
Rambam remete ao que já explicou em Massechet Eruvin sobre casas e espaços semelhantes de habitação, esclarecendo que o sótão pertence estruturalmente à mesma unidade de moradia que a casa. Rambam decide a halachá a favor dos sábios: o voto sobre a casa inclui o sótão.
Bartenura confirma que a linguagem popular considera o sótão parte da casa, e que a halachá segue os sábios contra Rabi Meir: quem vota da casa não pode entrar sequer no sótão. Apenas o voto na direção inversa — do sótão especificamente — deixa a casa inteira livre, pois o termo específico não carrega consigo o termo geral que o contém.
Rashi, na Guemará (Nedarim 56a), confirma em poucas palavras a lógica da inclusão e da exclusão entre casa e sótão.
Rashi confirma que, para Rabi Meir, o sótão não está incluído na categoria de "casa" — daí quem vota da casa permanecer livre para entrar nele. Sobre a segunda parte da mishná, Rashi observa que ali não há disputa alguma: todos concordam, sem exceção, que a casa nunca está incluída na categoria de "sótão", pois o termo específico e menor jamais carrega consigo o termo geral e maior que o engloba.
Rambam trata em conjunto esta mishná e a seguinte, remetendo ao seu próprio comentário sobre Massechet Eruvin, onde já explicou a estrutura dos espaços de habitação — casas, sótãos, e seus compartimentos anexos — como unidades funcionalmente conectadas para efeitos legais, o que fundamenta a inclusão do sótão na categoria de casa segundo os sábios.
Bartenura resume a posição de Rabi Meir: o voto que proíbe entrar na casa não impede a entrada no sótão, pois este não está incluído na categoria de casa, segundo sua leitura da linguagem popular — posição que a halachá, como visto acima, não segue.