Abre-se para a pessoa pela honra de si mesmo e pela honra de seus filhos. Dizem-lhe: "Se soubesses que amanhã dirão a teu respeito: assim é o costume de fulano, expulsa suas esposas — e de tuas filhas dirão: são filhas de divorciadas, o que viu a mãe destas para ser expulsa?" — e disse, "Se eu soubesse que era assim, eu não teria feito o voto" — eis que este fica permitido. — Esta abertura completa, em espelho, a primeira mishná do capítulo: lá a honra invocada era a dos pais do votante; aqui é a sua própria honra e a de seus filhos. O sábio pinta ao marido a imagem concreta de sua futura reputação de "homem que expulsa esposas" e o estigma social que suas filhas herdarão por isso, mesmo sem culpa própria — a suspeita de que algo estava errado com a mãe delas. Diferente da abertura pela honra dos pais na primeira mishná, aqui os sábios não levantam objeção: talvez porque a preocupação com o próprio nome e com o futuro dos filhos seja considerada mais confiável do que a alegação de vergonha alheia.
A preocupação da mishná com a reputação transmitida às filhas ecoa o valor bíblico atribuído a um bom nome, mais precioso do que a riqueza — o mesmo bem que o marido arrisca destruir, para si e para seus descendentes, ao tornar-se conhecido como quem expulsa esposas.
O princípio de que o bom nome é mais precioso do que qualquer riqueza é a base emocional pela qual esta abertura funciona: o sábio não apela a nenhum argumento financeiro ou legal, apenas ao próprio valor que o marido atribui à sua reputação e à de seus filhos. O detalhe da mishná é particularmente agudo — não é apenas a honra do próprio marido que está em jogo, mas a de suas filhas, que carregarão, sem culpa alguma, a suspeita gerada pela fama do pai; e é precisamente esse alcance da mácula, que se estende à geração seguinte, que revela ao votante o verdadeiro peso do que está fazendo.
Rambam, no Perush HaMishná, confirma que também esta abertura, como as demais aceitas no capítulo, exige a consulta formal a um sábio para se tornar efetiva.
Rambam confirma brevemente que, apesar de esta abertura ser aceita sem disputa, ela ainda segue a regra geral de todas as aberturas do capítulo: não basta que o votante reconheça seu erro — é necessária a consulta formal a um sábio, seguido do ato próprio de hafará (anulação), para que o voto efetivamente deixe de valer.
Bartenura explica o cenário concreto por trás da mishná — o voto de divórcio e o estigma da suspeita — completando o quadro já traçado por Rambam sobre o requisito processual da hatará.
Rambam registra que, apesar da mishná anterior sobre a ketubá e esta sobre a honra própria não gerarem disputa entre os sábios — ao contrário das duas primeiras mishnayot do capítulo —, todas seguem o mesmo requisito processual: a hafará formal, precedida da consulta ao sábio, é sempre necessária para que a abertura se converta em anulação efetiva do voto.
Bartenura esclarece que o cenário desta mishná é o marido que jurou divorciar-se da esposa. A frase "o que viu a mãe destas para ser expulsa" implica publicamente que algo impróprio foi encontrado nela — e é essa mácula, projetada sobre as próprias filhas do casal, que fere o marido de forma mais aguda do que qualquer vergonha pessoal. Bartenura nota também, em paralelo à primeira mishná do capítulo, que aqui os sábios não temem que o marido esteja mentindo ao admitir seu arrependimento: ele não está fingindo remorso por vergonha alheia, mas apenas admitindo, sem embaraço, que não havia pensado nas consequências para seus próprios filhos.