Como leva ao rigor? Se não havia nele pêlo branco e nasceu pêlo branco; se eram pretos e embranqueceram; um preto e um branco, e ambos embranqueceram; se eram curtos e alongaram; um curto e um longo, e ambos alongaram; se a chaga se aproximou de ambos ou de um deles, se a chaga cercou ambos ou um deles, ou se a chaga, a carne viva da chaga, a queimadura, a carne viva da queimadura ou a mancha esbranquiçada os dividiu, e depois desapareceram; se não havia nela carne viva e nasceu carne viva; se era redonda ou alongada e se tornou quadrada; se estava de lado e passou a ficar cercada; se era dispersa e se reuniu, e veio a chaga e entrou nela; se a chaga, a carne viva da chaga, a queimadura, a carne viva da queimadura ou a mancha esbranquiçada a cercou, a dividiu ou a diminuiu, e depois desapareceram; se não havia nela propagação e nasceu propagação; se a chaga, a carne viva da chaga, a queimadura, a carne viva da queimadura ou a mancha esbranquiçada se interpôs entre a mancha original e a propagação, e depois desapareceram — eis que estes levam ao rigor.
Esta mishná espelha exatamente a estrutura da anterior, invertendo cada cláusula: onde ali um sinal de impureza desaparecia no intervalo do Shabat (a favor do portador da praga), aqui o mesmo sinal nasce nesse intervalo (contra ele); e onde ali algo se interpunha entre a mancha original e a propagação impedindo a certificação, aqui esse obstáculo desaparece, permitindo-a. Juntas, as mishnayot 5 e 6 ilustram de modo exaustivo o princípio enunciado ao final da mishná 4: a norma de nunca examinar uma praga em Shabat, ainda que protegendo o santo dia do descanso de qualquer aparência de julgamento, tem consequências reais e imprevisíveis para o portador da praga — ora a seu favor, ora contra ele — conforme o acaso da fisiologia da praga durante o dia de espera.
Toda esta halachá já está explicada, se você entendeu o que precedeu neste discurso — pois a intenção é que, sendo o sétimo dia visto num Shabat, e surgindo na manhã de domingo algo que obrigue a impureza — como o surgimento de carne viva, pêlo branco ou propagação — ou faltando um destes elementos que o teriam salvado, tal como ocorreria no dia de Shabat (por exemplo, o furúnculo estar próximo à baheret, e as demais coisas que explicamos que o salvariam), e depois estas salvações desaparecerem — este é o sentido de “e desapareceram”, isto é, que foram removidas no restante do dia de Shabat, sendo a causa de que a manhã de domingo seja impura; e isto é para o rigor.
E já se explicou, desta halachá e da anterior, que o pêlo branco não é sinal de impureza a menos que esteja na própria praga; mas quando havia furúnculo ou queimadura dentro da praga, e pêlo branco nesse furúnculo ou queimadura, não é sinal de impureza — e por isso se diz “a chaga se aproximou de ambos ou de um deles”, etc.
E o que convém que você saiba é que a carne viva não é sinal de impureza a menos que apareça dentro da baheret, com a praga a circundando por todos os lados, e também que esteja unida; mas se a carne viva estivesse do lado, como uma tira de carne viva já estendida e penetrando dentro da praga, sem que a praga a circunde por todos os lados, não é sinal de impureza — e isto se explicará totalmente. E do mesmo modo, quando a carne viva estava espalhada dentro da praga, não é sinal de impureza. E sendo isto assim, já se explicou que os termos “fortificada” e “tornou-se do lado”, “reunida” e “dispersou-se”, todos são condições da carne viva; e do mesmo modo tudo o que se segue neste discurso, ao dizer “a cercou a chaga, a dividiu ou a diminuiu”, e o mais que se segue, são todos condições da carne viva, como se explicou na halachá anterior a esta — e este é o resumo de todos os princípios sobre os quais se constrói este discurso.
Sobre “a chaga se aproximou”: em Shabat.
Sobre “de ambos”: dos dois pêlos — pois agora não são mais sinal de impureza, já que o pêlo branco só é sinal de impureza quando está na própria praga, e não dentro da chaga ou da queimadura.
Sobre “ou a chaga cercou”, etc.: pois se o sacerdote o tivesse visto em Shabat, não o teria certificado impuro.
Sobre “e desapareceram”: depois do Shabat, quando o lugar da chaga e da queimadura se tornou uma cicatriz, sendo então como pele da carne comum, e restando a pele da carne com a praga como no início, junto com o pêlo branco — e o sacerdote o certifica impuro; isto leva ao rigor.
Sobre “dividem entre a mancha original e a propagação”: quando, no Shabat, algo se interpunha entre o núcleo da praga e a propagação.
Sobre “e desapareceram”: depois do Shabat, e já não há nada que os separe — eis que isto leva ao rigor.
Com esta sexta mishná, encerra-se o Perek Alef de Massechet Negaim — o perek que estabeleceu, de uma só vez, todo o vocabulário técnico e as quatro tonalidades de branco sobre as quais se ergue o tratado inteiro. As mishnayot 1 e 2 definiram as quatro aparências — baheret, se’et e suas secundárias — lisas e mescladas de vermelho. A mishná 3 mostrou que essas quatro aparências, apesar de distintas, se combinam como uma só para os três veredictos do sacerdote: isentar, certificar impuro, ou enclausurar. A mishná 4 ampliou a contagem para as demais categorias de pragas — furúnculo, queimadura, calvície, tinha, roupas e casas — e introduziu a regra sobre o exame não coincidir com o Shabat. E as mishnayot 5 e 6, espelhadas uma na outra, esgotaram exaustivamente as consequências práticas — leniência e rigor — desse mesmo adiamento forçado pelo dia sagrado.
O estudo da Mishná prossegue agora para o Perek Bet de Massechet Negaim, que tratará da autoridade para examinar as pragas — quem pode julgá-las e quem não pode — e das partes do corpo em que a tzaraat não se examina.