Seder Tehorot · Massechet Negaim · Perek Chet · Mishná 2 de 10

Mancha grande com carne viva que floresce por completo

בַּהֶרֶת כַּגְּרִיס וּבָהּ מִחְיָה כָעֲדָשָׁה
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Mancha do tamanho de um grão com carne viva de uma lentilha, que floresce por todo o corpo — em qualquer ordem entre o florescimento e o desaparecimento da carne viva — e a disputa entre Rabi Yehoshua e os sábios sobre o pelo branco renascido

Uma mancha do tamanho de um grão, em que havia carne viva do tamanho de uma lentilha: se ela floresceu em todo ele e depois a carne viva se foi, ou se a carne viva se foi e depois ela floresceu em todo ele, é pura. Se lhe nasceu carne viva, é impuro. Se lhe nasceu pelo branco: Rabi Yehoshua declara impuro; mas os sábios declaram puro.

Trata-se de uma mancha já certificada impura pela presença de carne viva — o caso clássico de baheret com mechiyá tratado nos capítulos anteriores. A mishná ensina que a ordem entre os dois eventos não importa: seja que a mancha primeiro floresceu sobre todo o corpo e só depois a carne viva desapareceu (recoberta pela própria brancura), seja que a carne viva desapareceu primeiro e só depois a mancha floresceu — em ambos os casos ele é puro, pois o resultado final é idêntico: nenhuma carne viva visível sob uma brancura total. Mas, segundo Bartenura, isso pressupõe que a carne viva realmente desapareça em algum momento; se ela nunca se recobre, o florescimento sozinho não basta para purificar. Depois de alcançada a puridade, se nasce nova carne viva, ele volta a ser impuro — conforme o princípio geral do retorno das pontas dos membros. Mas se, em vez de carne viva, nasce pelo branco, há disputa: Rabi Yehoshua sustenta que carne viva e pelo branco são sinais de impureza equivalentes, e assim como um renova a impureza, o outro também deveria renová-la; os sábios respondem que o versículo (Vayikrá 13:14) menciona explicitamente apenas a carne viva como sinal que contamina ao reaparecer, não o pelo branco — e a lei segue os sábios.

בַּהֶרֶת כַּגְּרִיס וּבָהּ מִחְיָה כָעֲדָשָׁה, פָּרְחָה בְכֻלּוֹ וְאַחַר כָּךְ הָלְכָה לָהּ הַמִּחְיָה, אוֹ שֶׁהָלְכָה לָהּ הַמִּחְיָה וְאַחַר כָּךְ פָּרְחָה בְכֻלּוֹ, טָהוֹר. נוֹלְדָה לוֹ מִחְיָה, טָמֵא. נוֹלַד לוֹ שֵׂעָר לָבָן, רַבִּי יְהוֹשֻׁעַ מְטַמֵּא, וַחֲכָמִים מְטַהֲרִין:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Negaim 8:2
נולדה בו מחיה טמא כמו שבא הפסוק וביום הראות בו בשר חי יטמא…

“Nasceu-lhe carne viva, é impuro”: conforme diz o versículo, “e no dia em que nele se vir carne viva, será impuro”. E Rabi Yehoshua diz: a carne viva é sinal de impureza, e o pelo branco é sinal de impureza; e assim como se torna impuro pelo surgimento renovado de carne viva, também se torna impuro pelo surgimento renovado de pelo branco. E os sábios trazem prova do que diz o versículo, “e no dia em que nele se vir a carne viva”: disseram, a carne viva contamina quando reaparece, mas o pelo branco não contamina — isto quer dizer, na reversão de quem se tornou todo branco. E a lei é conforme os sábios.

Bartenura · Negaim 8:2
וְאַחַר כָּךְ הָלְכָה לָהּ הַמִּחְיָה. שֶׁפָּשָׂה הַנֶּגַע עָלֶיהָ…

Sobre “e depois a carne viva se foi”: que a praga alastrou sobre ela. Mas, no momento do florescimento, a carne viva ainda não havia se ido — só se foi depois. Mas se a carne viva não foi recoberta, o florescimento não o purifica.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Negaim não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraíco que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido em todas as mishnayot deste capítulo.