Duzentos e quarenta e oito membros há na pessoa: trinta no pé — seis em cada dedo; dez no tornozelo; dois na perna; cinco no joelho; um na coxa; três no quadril; onze costelas; trinta na mão — seis em cada dedo; dois no antebraço; dois no cotovelo; um no braço; e quatro no ombro. Cento e um de um lado, e cento e um do outro. E dezoito vértebras na espinha; nove na cabeça; oito no pescoço; seis na chave do coração; e cinco ao redor dos órgãos genitais. Cada um deles contamina por contato, por carregamento e por cobertura. Quando? Quando têm sobre si carne como convém. Mas, se não têm sobre si carne como convém, contaminam por contato e por carregamento, mas não contaminam por cobertura.
A última mishná do capítulo encerra o tema da mishná anterior — os membros que contaminam mesmo abaixo da medida mínima — oferecendo uma anatomia jurídica completa: a lista exaustiva dos 248 membros do corpo, contados em pares simétricos de cento e um de cada lado, mais dezoito vértebras da coluna, nove da cabeça, oito do pescoço, seis do peito (“a chave do coração”, por onde entra e sai o ar que move o coração) e cinco ao redor dos órgãos genitais. Essa contagem, que se tornaria clássica na literatura rabínica posterior (repetida, por exemplo, na terminologia de mitzvot que “correspondem” aos 248 membros), serve aqui a um propósito técnico preciso: cada um desses 248 membros, quando arrancado de um corpo — vivo ou morto — com sua carne, tendões e ossos completos, transmite impureza pelas três vias possíveis: maga (contato direto), massá (carregamento, mesmo sem contato) e ohel (cobertura — contaminar tudo o que está sob o mesmo teto). Mas essa terceira via, a mais grave e a que dá nome a todo o tratado, só se aplica quando o membro conserva “a carne como convém” — o suficiente para que, se ainda estivesse unido a um corpo vivo, a ferida pudesse cicatrizar. Sem essa quantidade de carne, o membro ainda contamina por contato e carregamento, mas perde o poder de contaminar por cobertura — pois a impureza de ohel, ensina Rambam, só se aplica à pessoa completa ou a um membro que, em sua composição de carne, tendões e ossos, ainda seja “semelhante” a uma pessoa.
Rambam reúne três fontes distintas para as três vias de impureza mencionadas na mishná. A impureza por contato e por cobertura [ohel] do próprio morto vêm de Bemidbar 19:14, “esta é a lei: quando um homem morrer numa tenda, todo o que entrar na tenda, e tudo o que estiver na tenda, ficará impuro sete dias”. A impureza por carregamento [massá] é aprendida, por analogia, da impureza da carniça — impureza mais leve — que já contamina por carregamento, conforme Vayikra 11:40, “e o que carregar sua carniça lavará suas vestes…”: se até a carniça, cujo contato é impureza de véspera, contamina por carregamento, tanto mais o morto, cujo contato é impureza de sete dias. E a extensão dessas três impurezas a um membro — e não apenas ao corpo inteiro — vem de Bemidbar 19:16, “…ou em osso de homem…”: o versículo relaciona o osso à pessoa (“osso de homem”) precisamente para ensinar que um membro com carne, tendões e ossos, na medida devida, tem o mesmo estatuto do corpo inteiro.
Rambam explica: uma vez que já nos precedeu a lei de que o membro contamina mesmo com menos que a medida mínima, convém que nos informe quais são esses membros. “A planta do pé” e “a palma da mão” são as articulações do pé e da mão; e, sendo trinta as articulações do pé, há seis articulações em cada dedo. “Tornozelo” [kursal] — o Targum traduz kera'ayim por karsulin.
“Perna, joelho e coxa” são conhecidos. “Quadril” [katlit] é a articulação do quadril e o que a ele se prende por cima. “Costelas” são os lados [do tronco]. “E ligaram dois no antebraço” — o antebraço do braço. “Cotovelo” é a articulação do cotovelo.
“E vértebras da espinha” são as vértebras das costas, e o nome do conjunto todo é “a espinha”. E “a chave do coração” é o peito, pois pelo movimento do peito o pulmão sopra sobre o coração, e este é, para ele, como uma chave que abre o caminho por onde entra o ar e sai o sopro. E “os órgãos genitais” são os órgãos da geração e o membro viril.
E o que se deve compreender é que o próprio morto contamina por contato, por carregamento e por cobertura. A impureza por contato e por cobertura está no versículo, como disse (Bemidbar 19:14): “o que tocar no morto”, e disse (ibidem): “todo o que entrar na tenda ficará impuro”. E a impureza por carregamento, a tradição recebida a extraiu da impureza da carniça, que é impureza leve e ainda assim contamina por carregamento, como veio o versículo (Vayikra 11:40): “e o que carregar sua carniça…” — e tanto mais o morto, que contamina por carregamento; e assim como a carniça, cujo contato é impureza de véspera, tem seu carregamento também impureza de véspera, assim o morto, cujo contato é impureza de sete dias, tem seu carregamento também impureza de sete dias — e isto está explicado no Sifrei.
E disse o Eterno (Bemidbar 19:16): “em [alguém] morto pela espada, ou em um morto…” — e não há dúvida de que “morto pela espada” é como o próprio morto, e veio a tradição recebida (Nazir 53b) de que o sentido é que o que a espada separou é como o próprio morto — e isto é membro do vivo, e também membro do morto, conforme se explicou; e é o que se diz: “fazer o que se separa dele como ele mesmo”.
E se o que foi separado do morto ou do vivo era um membro com a carne, os ossos e os tendões suficientes para que, se ainda estivesse unido a uma pessoa viva, toda a carne pudesse cicatrizar e sarar — esse membro contamina como o próprio morto contamina por inteiro. E isto é o que diz o versículo (ibidem): “ou em osso de homem” — atribui o osso à pessoa, para que haja nele osso e carne como todo o corpo da pessoa, e então seu estatuto é o mesmo do morto por inteiro. Mas se não há sobre ele carne, ou se é um osso do tamanho de um grão de cevada, mesmo que não seja das articulações enumeradas, ele contamina por contato, conforme disse (blank) “e sobre” — “e todo o que tocar em osso…” — e também contamina por carregamento, pelo mesmo raciocínio já mencionado quanto à carniça, mas não contamina por cobertura, pois a impureza de cobertura só se dá pela pessoa, como disse (ibidem 14): “quando um homem morrer numa tenda”, ou por um membro semelhante à pessoa, conforme disse “em osso de homem” — dizem: assim como o morto tem carne, tendões e ossos, também o membro do vivo, em sua formação natural, tem carne, tendões e ossos. E disseram também que se mencionam dois ossos no versículo “ou em osso de homem” — este é membro do vivo — “e sobre”, “e todo o que tocar em osso” — este é osso do tamanho de um grão de cevada. Guarde todos estes princípios, e não me peça repeti-los no futuro.
Sobre “a planta do pé”: a sola do pé é a “parsá”. Sobre “seis em cada dedo”: para cinco dedos, isso dá trinta.
Sobre “tornozelo” [kursal]: o Targum traduz “kera'ayim” por “karsulin” — o local onde se unem o pé e a perna.
Sobre “quadril” [katlit]: acima, no alto da coxa.
Sobre “no antebraço”: o osso ligado à mão, da expressão “kené hamidá” (cana de medir), com a qual se mede o côvado.
Sobre “cotovelo” [marpek]: “codo”, em francês antigo.
Sobre “cento e um de um lado”: pois tudo o que foi contado até agora é de um só lado do corpo — como uma mão, um pé e um flanco.
Sobre “a chave do coração”: é o peito. Pois, pelo movimento do peito, o pulmão sopra sobre o coração; assim, o peito abre um caminho pelo qual o ar entra e sai para o coração.
Sobre “ao redor dos órgãos genitais”: os testículos e o membro viril.
Sobre “carne como convém”: o suficiente para que, se estivesse unido a uma pessoa viva, a ferida pudesse cicatrizar e sarar.
Sobre “e não contaminam por cobertura”: porque a impureza por cobertura só se dá por uma pessoa completa, conforme está escrito (Bemidbar 19) “quando um homem morrer numa tenda”, ou por um membro semelhante à pessoa, conforme está escrito (ibidem) “em osso de homem” — assim como a pessoa tem carne, tendões e ossos, e contamina por cobertura, também o membro que tem carne, tendões e ossos contamina por cobertura.
Com esta oitava mishná, encerra-se o Perek Alef de Massechet Ohalot — o segundo tratado de Seder Tehorot, a sexta e última das seis Ordens da Mishná, dedicado às leis da impureza transmitida por “ohel” — uma cobertura, tenda ou teto sobre um cadáver, que estende a impureza a tudo o que está sob o mesmo teto, mesmo sem contato direto.
O capítulo abriu com quatro mishnayot que traçam, passo a passo, a cadeia de contaminação a partir de um cadáver: os casos de dois, três e quatro elos sucessivos (1:1–1:3, com a proposta rejeitada de Rabi Akiva de um quinto elo através de uma vara fincada na tenda), fechados por uma síntese comparativa entre o rigor da pessoa e o rigor dos utensílios (1:4). A quinta mishná (1:5) repetiu a mesma estrutura de rigor recíproco para a impureza do zav, agora entre pessoa e vestes. A sexta mishná (1:6) fixou o momento exato em que começa a impureza do morto — apenas com a saída efetiva da alma, mesmo que o corpo esteja cortado em pedaços ou agonizante —, com a mesma regra estendida a animais, ressalvado o movimento convulsivo pós-decapitação. E as duas últimas mishnayot (1:7–1:8) fecharam o capítulo com a lei do membro completo, que contamina mesmo abaixo da medida mínima normal, culminando na contagem exaustiva dos duzentos e quarenta e oito membros do corpo humano e nas três vias pelas quais um membro transmite impureza: contato, carregamento e cobertura.
O estudo de Massechet Ohalot prossegue agora para o Perek Bet, que continuará a explorar as leis de tumat ohel ao longo dos dezessete perakim restantes do tratado.