Seder Tehorot · Massechet Ohalot · Perek Yud-Guimel · Mishná 6 de 6

O que não reduz o palmo

אֵלּוּ שֶׁאֵינָן מְמַעֲטִים
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Fecha o Perek Yud-Guimel com a lista espelhada da mishná anterior: os elementos que NÃO reduzem o palmo, porque são eles próprios impuros ou porque, mesmo puros, foram destinados a permanecer — osso com osso, carne com carne, as medidas plenas de impureza, os fios de urdidura e trama com marcas de lepra, e a controvérsia entre Rabi Meir e os sábios sobre o tijolo feito de terra de um campo onde se perdeu um cadáver

Estes não reduzem: o osso não reduz por causa de ossos, nem a carne por causa de carne, nem uma azeitona do morto, nem uma azeitona da carniça, nem uma lentilha do réptil, nem um ovo de alimentos, nem o produto que está nas janelas, nem a teia de aranha que não tem substância, nem a carcaça da ave pura sobre a qual se pensou, nem a carcaça da ave impura sobre a qual se pensou e a tornou apta, nem os fios de urdidura e trama com marcas de lepra, nem um tijolo de bet haperas, palavras de Rabi Meir. E os sábios dizem: o tijolo reduz, porque seu pó é puro. Esta é a regra: o que é puro reduz, e o que é impuro não reduz.

Esta última mishná do capítulo espelha exatamente a anterior, invertendo cada um de seus casos para mostrar quando o mesmo elemento deixa de reduzir o palmo. Osso não reduz diante de outro osso, nem carne diante de outra carne, porque, sendo do mesmo tipo da impureza do outro lado, eles se somam a ela em vez de bloqueá-la — o princípio já explicado pelo Rambam e pelo Bartenura na mishná anterior. Já uma azeitona inteira de cadáver, uma azeitona inteira de carniça, uma lentilha inteira de réptil e um ovo inteiro de alimento não reduzem porque, tendo atingido sua própria medida mínima de impureza, tornam-se eles mesmos fontes de impureza, e não mais elementos puros capazes de bloquear. O produto agrícola enraizado dentro da própria janela — e não afastado dela, como no caso anterior — não reduz, porque o dono tem intenção de removê-lo, já que, se o deixasse, ele danificaria a parede; e tudo o que se tem intenção de remover perde a condição de bloqueio. A teia de aranha sem substância, sendo fina demais, não ocupa espaço suficiente para reduzir. A carcaça de ave pura já pensada para consumo, e a de ave impura já pensada e tornada apta, tendo ambas atingido a condição plena de impureza alimentar, deixam de ser elementos puros. Os fios de urdidura e trama com marcas de lepra são, eles mesmos, impuros pela lepra que a Torá descreve tanto na urdidura quanto na trama (Levítico 13:48), e por isso não reduzem. Por fim, a controvérsia entre Rabi Meir e os sábios sobre o tijolo feito da terra de um bet haperas — um campo onde se presume ter havido, em algum ponto não identificado, um cadáver arado pelo solo — gira em torno de saber se esse tijolo conserva a impureza presumida da terra de origem: Rabi Meir sustenta que sim, e por isso ele não reduz; os sábios, cuja opinião prevalece como halachá, sustentam que a impureza de bet haperas se aplica apenas a um torrão de terra em seu estado natural, e não ao pó depois de moldado em tijolo, que permanece puro e, portanto, reduz. A mishná encerra com a regra geral que resume todo o capítulo: o que é puro reduz o palmo, e o que é impuro não reduz.

אֵלּוּ שֶׁאֵינָן מְמַעֲטִים. אֵין הָעֶצֶם מְמַעֵט עַל יְדֵי עֲצָמוֹת, וְלֹא בָשָׂר עַל יְדֵי בָשָׂר, וְלֹא כַזַּיִת מִן הַמֵּת, וְלֹא כַזַּיִת מִן הַנְּבֵלָה, וְלֹא כָעֲדָשָׁה מִן הַשֶּׁרֶץ, וְלֹא כַבֵּיצָה אֳכָלִים, וְלֹא תְבוּאָה שֶׁבַּחַלּוֹנוֹת, וְלֹא כָכַי שֶׁאֵין בָּהּ מַמָּשׁ, וְלֹא נִבְלַת הָעוֹף הַטָּהוֹר שֶׁחִשַּׁב עָלֶיהָ, וְלֹא נִבְלַת עוֹף הַטָּמֵא שֶׁחִשַּׁב עָלֶיהָ וְהִכְשִׁירָהּ, וְלֹא הַשְּׁתִי וְהָעֵרֶב הַמְנֻגָּעִים, וְלֹא לְבֵנָה מִבֵּית הַפְּרָס, דִּבְרֵי רַבִּי מֵאִיר. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים, הַלְּבֵנָה מְמַעֶטֶת, מִפְּנֵי שֶׁעֲפָרָהּ טָהוֹר. זֶה הַכְּלָל, הַטָּהוֹר מְמַעֵט, וְהַטָּמֵא אֵינוֹ מְמַעֵט:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Ohalot 13:6
לְשׁוֹן הַתּוֹרָה בֵּין בַּשְּׁתִי בֵּין בָּעֵרֶב שֶׁיִּטְמָא בְּצָרַעַת…

A linguagem da Torá é que tanto a urdidura quanto a trama se impurificam pela lepra, como disse, bendito seja: “ou na urdidura, ou na trama” (Levítico 13:48). E quanto ao tijolo de bet haperas: é um torrão feito da terra de um bet haperas, e é sabido que o bet haperas é impuro, pois dizem na Tosefta que só declararam impuro o torrão em seu estado natural — e todas as suas leis se esclarecerão neste tratado. E disseram “o impuro não reduz”; e a regra geral é: tudo o que é impuro por si mesmo, como uma azeitona de carniça e uma lentilha de réptil, ou aquilo que impurifica por estar na janela, como um ovo de alimentos aptos, ou semelhante a estes, não reduz. E a halachá é como os sábios.

Bartenura · Ohalot 13:6
וְלֹא תְבוּאָה שֶׁבַּחַלּוֹן. שֶׁהִשְׁרִישָׁה בַּחַלּוֹן מַמָּשׁ…

Sobre “nem o produto que está na janela”: quando enraizou dentro da própria janela, porque o dono tem a intenção de removê-lo, já que ele danifica a parede; e tudo o que se tem intenção de remover não reduz na janela. E acima falava-se de quando enraizou longe da parede, quando já não há intenção de removê-lo.

Sobre “os fios de urdidura e trama com marcas de lepra”: pois urdidura e trama se impurificam pela lepra, e o que é impuro não reduz.

Sobre “nem um tijolo de bet haperas”: o tijolo feito da terra de um bet haperas. Rabi Meir sustenta que ele é impuro, assim como a terra de bet haperas é impura, e por isso não reduz na janela. E os sábios sustentam que só declararam impuro o torrão em seu estado natural vindo de bet haperas, e não a terra, mesmo depois de moldada. E a halachá é como os sábios. E a medida do torrão é como uma rolha grande de sacos, do tamanho do selo dos fardos.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Massechet Ohalot não possui Guemará no Talmud Bavli — como a maior parte de Seder Tehorot (com exceção de Massechet Nidá), é um tratado de mishnayot puras, sem o debate amoraico que caracteriza a maioria dos demais tratados. Por isso, o comentário de Rashi é omitido nesta e em todas as demais mishnayot deste capítulo.
זֶה הַכְּלָל, הַטָּהוֹר מְמַעֵט, וְהַטָּמֵא אֵינוֹ מְמַעֵט

Com esta sexta mishná, encerra-se o Perek Yud-Guimel de Massechet Ohalot, um capítulo dedicado, do início ao fim, à medida exata das aberturas em paredes e portas capazes de transmitir ou deter a impureza de ohel.

O capítulo abriu (13:1–13:2) estabelecendo a hierarquia completa das medidas de um buraco de luz: a plenitude da broca grande da câmara do Templo para quem o abre desde o início; dois dedos por um polegar para seus restos depois de tapado parcialmente; a plenitude de um punho para um buraco formado por água, répteis ou salitre, sem intenção humana; e o palmo aberto quadrado para quando alguém decide aproveitá-lo para uso — com a controvérsia entre Bet Shamai e Bet Hilel sobre a soma dos vãos de uma grade, e entre os sábios e Rabi Shimon sobre se as mesmas medidas valem tanto para a impureza entrar quanto para sair. A mishná seguinte (13:2) aplicou princípios semelhantes à janela feita para o ar, cuja medida se reduz quando uma casa é construída defronte dela, com o caso intermediário do telhado colocado no meio de sua altura. A mishná 13:3 voltou-se para o buraco no meio de uma porta, com a controvérsia entre Rabi Akiva e Rabi Tarfon, e os casos em que todos concordam na medida do punho fechado. A mishná 13:4 tratou dos buracos feitos para objetos específicos — vara, tenaz, lâmpada —, com a controvérsia entre Bet Shamai e Bet Hilel, e da medida fixa de um palmo para espiar, conversar ou usar. E as duas mishnayot finais (13:5–13:6) formaram um par espelhado, elencando sistematicamente o que reduz e o que não reduz a abertura de um palmo — carne, osso, cadáver, carniça, réptil, alimento, produto agrícola, teia de aranha, carcaças de aves puras e impuras, fios de tecido leprosos e o tijolo de bet haperas —, culminando na regra geral que resume todo o capítulo: o que é puro reduz, e o que é impuro não reduz.

O estudo de Massechet Ohalot prossegue agora para o Perek Yud-Dálet, que continuará a explorar, ao longo dos cinco perakim que ainda restam, as inúmeras ramificações da impureza transmitida por ohel.