Dez lugares não têm o estatuto de morada dos povos: as tendas dos árabes, e as cabanas, e as choupanas, e os barracões, e as casas de verão, e a portaria, e o ar do pátio, e a casa de banho, e o local das flechas, e o local das legiões.
O Rambam explica cada um destes dez lugares. As tendas dos árabes não são fixas em lugar algum, e por não haver fixidez ali não se enterra. As choupanas (tzerifin) são um tipo de tenda pontiaguda, sem teto, feita de junco, e assim se chamam pelo material do qual são feitas; os barracões (burganin) são cabanas destinadas a guardar frutas e coisas semelhantes; as casas de verão (alaktiyot) são um teto sem paredes apoiado sobre colunas, por onde o vento entra de todos os lados, e nelas as pessoas ficam durante o verão — daí seu nome, do termo aramaico para verão, “kaita”. O local das flechas e das armas de guerra, e o local das legiões, onde correm os cavaleiros, são lugares que não têm habitação fixa e permanente, mas onde se permanece apenas por curtos períodos; por isso não decretaram sobre eles, nem exigiram verificação, mas permanecem em sua presunção de pureza. A halachá, com esta mishná, encerra o tratado inteiro sem qualquer controvérsia registrada, como convém ao fecho de uma lista exaustiva de exceções ao decreto sobre as moradas dos povos.
As choupanas (tzerifin) são um tipo de tenda, chamadas conforme sua forma, sendo pontiagudas e sem teto, e recebem o nome do material do qual são feitas — um tipo de junco — e por isso se chamam “tzerifa”; e no Talmud (Sucá 13b): “tzerifa de salgueiros”.
Os barracões (burganin) são cabanas feitas para guardar ali frutas e coisas semelhantes.
As casas de verão (alaktiyot) são um teto sem paredes, apoiado sobre colunas, por onde o vento entra de todos os lados, e nelas se fica durante o verão; e o nome do verão, em aramaico, é “kaitá”.
O local das flechas: os lugares onde se fazem flechas e armas de guerra.
E as legiões: as corridas dos cavaleiros. Pois todos estes lugares não têm habitação fixa e permanente, e não se enterra neles, mas se permanece ali apenas por algum tempo; e por isso não decretaram sobre eles, nem exigiram verificação, mas eles permanecem em sua presunção original.
Sobre “tendas dos árabes”: não são fixas num único lugar, e, por não serem fixas, não se enterra ali; ou então, porque viajam e acampam de lugar em lugar, não quiseram considerar impureza fixa nelas.
Sobre “e as cabanas”: dos que guardam frutas.
Sobre “e as choupanas”: moradas sem teto, mas cujas paredes se tocam nos topos, uma com a outra; são habitações de aflição, e não fixas.
Sobre “barracões”: cabanas feitas no campo para trazer para elas frutas por causa das chuvas.
Sobre “casas de verão (alaktiyot)”: um teto apoiado sobre quatro colunas, para se refrescar ali no verão, pois o vento sopra nele de todos os lados. E o termo “alaktiyot” significa casas de verão, e o Targum traduz “verão” por “kaitá”.
Sobre “local das flechas”: lugar onde os habitantes da cidade guardam flechas para se defenderem em tempo de guerra.
Sobre “local das legiões”: onde acampam as tropas do rei.
Com esta décima mishná do Perek Yud-Chet, encerra-se o Perek “כֵּיצַד בּוֹצְרִים” — e com ele, toda a Massechet Ohalot. Como o tratado não possui Guemará no Talmud Bavli, não há aqui a fórmula amoraica tradicional de encerramento de daf; em seu lugar, adota-se a fórmula que abre este bloco — “hadran alach” (“voltaremos a ti”), nomeando o capítulo por suas palavras iniciais, seguida de “vessalika lah massechet Ohalot”, “e assim se encerra o tratado Ohalot” — o mesmo padrão adotado ao final de Massechet Midot e de Massechet Kinim, os demais tratados sem Guemará já concluídos neste site.
Ao longo de seus dezoito perakim e cento e trinta e quatro mishnayot, Ohalot construiu, peça por peça, o edifício completo da impureza por ohel — a lei, derivada de Bemidbar 19:14, segundo a qual tudo o que está sob o mesmo teto ou cobertura de um cadáver se contamina, mesmo sem contato direto. O Perek Alef abriu com a cadeia de contaminação a partir de um cadáver e fechou com a contagem dos duzentos e quarenta e oito membros do corpo humano. O Perek Bet organizou o que contamina por cobertura, contato e carregamento, e a arquitetura da sepultura. O Perek Guimel explorou a propagação e a interrupção da impureza de ohel na casa. O Perek Dálet examinou o armário de madeira (migdal) diante da casa. O Perek Hei tratou dos vasos e coberturas que protegem contra essa impureza. O Perek Vav estabeleceu os princípios de meio a meio e de casca de alho para paredes e colunas. O Perek Zayin tratou da parede, das inclinações das tendas e das leis do parto. O Perek Chet classificou todos os objetos do mundo em quatro categorias diante da impureza de ohel. O Perek Tet, o mais extenso do tratado, examinou a colmeia, o sarcófago e o jarro como possíveis moradas. O Perek Yud retomou a claraboia, a panela e o umbral da porta. O Perek Yud-Alef tratou da casa e da varanda rachadas, e da pessoa e do animal como tendas. O Perek Yud-Bet examinou o forno, a sandália do berço, a viga e a coluna. O Perek Yud-Guimel mediu as aberturas mínimas em paredes e portas. O Perek Yud-Dalet dedicou-se às saliências e cortinas sobre portas e janelas. O Perek Tet-Vav reuniu tábuas, barris, a casa dividida e o campo funerário. O Perek Yud-Vav tratou do marde’a, dos montículos de dúvida e de quem encontra um morto no campo. O Perek Yud-Zayin dedicou-se inteiramente ao bet haperas, o campo tornado impuro por decreto quando um arado atravessa um túmulo desconhecido. E este Perek Yud-Chet, último do tratado, fechou o tema do bet haperas — a vindima, os três tipos de campo, a purificação, o caminhar sobre pedras, o campo comprado na Síria — e ampliou-o para as moradas dos povos e os lugares que delas se isentam, culminando nesta lista final de dez lugares sem habitação fixa: as tendas dos árabes, as cabanas, as choupanas, os barracões, as casas de verão, a portaria, o ar do pátio, a casa de banho, o local das flechas e o local das legiões.
Com a conclusão de Massechet Ohalot, completa-se o segundo tratado da Seder Tehorot, a sexta e última das seis Ordens da Mishná. O estudo da Mishná prossegue agora para o próximo tratado desta Ordem, Massechet Negaim — o terceiro tratado de Seder Tehorot, dedicado às leis da tzaraat, a marca ritual que afeta pessoas, roupas e casas.