Como assim? Se o morto está fora [da casa] e seu cabelo está dentro, a casa é impura. Um osso que tem sobre ele carne do tamanho de uma azeitona: se introduziu parte dele para dentro, e a casa cobre sobre ele, é impuro. Dois ossos, e sobre eles carne do tamanho de duas metades de azeitona: se introduziu parte deles para dentro, e a casa cobre sobre eles, é impuro. Se estavam presos [ao osso] pela mão do homem, é puro, pois as ligações feitas pelo homem não são ligação.
A mishná anterior fechou com a regra geral de que dentes, cabelo e unha só contaminam por ohel quando ligados ao corpo; esta mishná abre com “como assim” e oferece o caso concreto: um corpo inteiro permanece fora da casa, mas seu cabelo — ainda ligado à cabeça — se estende para dentro; basta essa ligação orgânica para que a casa toda se torne impura, como se o próprio morto ali estivesse. A mishná estende então o princípio a duas configurações de osso e carne: um único osso com uma medida de azeitona de carne, ou dois ossos com duas metades de azeitona cada um — em ambos os casos, se apenas uma parte é introduzida na casa e o teto a cobre, a casa se torna impura, pois o osso funciona como uma espécie de “alça” que estende a carne. O fechamento da mishná introduz, porém, um limite fundamental a toda essa cadeia de ligações: se a carne foi presa ao osso não por crescimento natural, mas pela mão de uma pessoa — como quem espeta um pedaço de carne num osso à maneira de um espeto —, essa ligação artificial não conta. O princípio “אֵין חִבּוּרֵי אָדָם חִבּוּר”, ligações feitas pelo homem não são ligação, distingue nitidamente a continuidade orgânica do corpo, que soma e transmite impureza, da simples justaposição física, que não soma nada.
Sobre “estavam presos pela mão do homem”: isto é, quando essa carne foi presa ao osso por uma pessoa — como quem toma meia azeitona de carne do morto e a perfura com um osso, também do morto, à maneira de quem espeta a carne num espeto — sem que a carne esteja ligada ao osso por uma ligação natural.
Sobre “a casa é impura”: tudo o que está dentro dela é impuro, pois ela cobre o cabelo que está ligado ao morto.
Sobre “um osso que tem sobre ele carne do tamanho de uma azeitona”: o osso é considerado uma “alça” para a carne.
Sobre “estavam presos pela mão do homem”: quando a carne não estava ligada ao osso desde sua origem, mas uma pessoa a prendeu ali, à maneira de quem espeta a carne num espeto.