Uma clarabóia entre a casa e o sótão, com uma panela colocada sobre ela e perfurada com [furo] capaz de admitir líquido: Bet Shamai diz: tudo é impuro. E Bet Hilel diz: a panela é impura, e o sótão é puro. Rabi Akiva diz: também a panela é pura.
A segunda mishná do capítulo desloca o cenário do forno para o teto da casa: a arubá, uma abertura semelhante a uma clarabóia no teto que separa o andar térreo do sótão. Sobre essa abertura foi colocada uma panela de barro, mas perfurada por um furo de tamanho suficiente para deixar passar líquido — o que a torna incapaz, segundo a regra geral, de servir como tampa hermética. Novamente as três opiniões se dividem: Bet Shamai considera que, como a panela está perfurada, a impureza que sobe da casa passa por ela sem obstáculo e contamina também o sótão inteiro. Bet Hilel discorda quanto ao sótão: para eles, a impureza que sobe pela arubá contamina a panela — pois um vaso de barro não protege contra a impureza que vem por baixo dele —, mas não ultrapassa a própria abertura de um palmo da arubá para chegar ao sótão, que permanece puro. Rabi Akiva purifica também a panela, pois entende que, mesmo perfurada, ela continua a interpor-se como um vaso íntegro para este efeito. A halachá segue Bet Hilel.
Já explicamos no capítulo oito de Kelim que “admitir líquido” é quando se coloca o vaso sobre o líquido e o líquido entra em seu interior por esse orifício. E não é necessário, aqui, que o orifício da panela seja de um palmo por um palmo, para que a própria abertura da arubá tenha um palmo por um palmo; mas a panela não se une a ela por estar em condição de “admitir líquido”, e a arubá permanece aberta. Por isso, quando havia impureza na casa, ela se tornava impura por causa dela — e é este o sentido de suas palavras “tudo é impuro”. E Rabi Akiva sustenta que a panela já obstruiu o orifício e impediu a impureza de passar, pois o orifício da panela é pequeno e não tem uma abertura de um palmo, e a boca da panela é o que continua a linha do batente do sótão; por isso a panela é pura, pois um vaso de barro não se torna impuro pela sua parte de trás, como já estabelecemos. E Bet Hilel dizem que essa panela se torna impura por esse orifício. E a lei não é como Rabi Akiva.
Sobre “clarabóia” [arubá]: uma espécie de janela no teto da casa, que forma o chão do sótão.
Sobre “capaz de admitir líquido”: quando se colocam vasos sobre os líquidos, os líquidos entram em seu interior por esse mesmo orifício.
Sobre “tudo é impuro”: se há impureza na casa, a panela e tudo o que está no sótão é impuro, pois a panela não protege, e a impureza sobe pela arubá, que tem uma abertura de um palmo.
Sobre “e Bet Hilel diz: a panela é impura”: é uma simples estringência, pela qual Bet Hilel é rigoroso em tornar impura a panela; pois, segundo Rabi Akiva, sustenta-se que a panela protege contra a impureza — por exemplo, quando o fundo da panela está voltado para baixo, junto à impureza, já que um vaso de barro não recebe impureza pela sua parte de trás. E a halachá é como Bet Hilel.