Árvore que foi arrancada, e a rocha [de terra] veio junto com ela (a massa de terra endurecida que envolve as raízes, arrancada junto quando o vento ou uma enxurrada desalojam a árvore), [ou] um rio a arrastou, e a rocha veio junto com ela (mesmo caso, mas causado por uma enchente que a levou a outro local) — se pode sobreviver (com apenas essa terra original, sem terra adicional), fica isenta (não recomeça a contagem dos anos de orlá, pois é considerada como se nunca tivesse saído do lugar); e se não [pode sobreviver só com aquela terra] (precisando de terra nova ao seu redor para se manter viva), fica obrigada (recomeça a contagem dos três anos, como se fosse um plantio novo). [Se] a rocha se soltou de seu lado (caiu parcialmente, sem levar a árvore consigo), ou o arado a sacudiu (desprendendo parte da terra ao redor das raízes durante a lavoura), ou a sacudiu e a transformou em pó (esfarelando por completo a massa de terra original) — se pode sobreviver, fica isenta; e se não, fica obrigada.
O princípio aplicado aqui deriva da mesma base textual de todo o tratado: a obrigação de orlá recai sobre a árvore "plantada" — e a mishná avalia quando um deslocamento por força natural equivale, ou não, a um novo plantio.
Por que o critério é "se pode sobreviver" com a terra original, e não simplesmente se a árvore se moveu? A lógica subjacente, explicada pelos comentadores, é que o "plantio" relevante para orlá não é o ato físico de colocar a árvore num buraco, mas o vínculo nutricional entre a árvore e a terra que a sustenta. Enquanto a árvore continuar vivendo exclusivamente da mesma massa de terra que sempre a alimentou — mesmo que essa massa tenha sido deslocada de lugar —, ela é juridicamente "a mesma árvore, no mesmo plantio". Só quando essa terra original já não é suficiente para sustentá-la, e ela passa a depender de terra nova ao seu redor, é que se considera ter havido um novo enraizamento — e portanto um novo plantio, que reinicia a contagem de orlá.
O Rambam codifica este princípio em Hilchot Maaser Sheni veNeta Reva, capítulo 10, halachá 12, junto com o caso análogo da raiz remanescente (tratado na mishná seguinte).
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná.
A terra que se compacta ao redor da base da árvore, [os sábios] chamam de "rocha" [sela], e chamaram-na por este nome porque a terra dura que sai depois que a pessoa cava fundo é chamada de "rocha" entre eles (um termo técnico para a massa de terra endurecida ao redor das raízes, não uma pedra literal). E é costume das árvores que suas raízes se estendam bastante pela terra, e a terra se compacte ao redor delas até que fique em volta da árvore como se fosse pedra.
"Árvore que foi arrancada": que o vento a arrancou, ou um rio a arrastou e a levou a outro lugar. "E a rocha veio junto com ela": a terra ao redor das raízes é chamada de rocha, porque ali se torna dura como rocha. E [a mishná] diz que se aquela terra veio junto com ela, e adicionou terra sobre ela e se enraizou ali no solo, examina-se: se pode sobreviver da terra que veio junto com ela, sem adição de outra terra, eis que é como se estivesse plantada em seu lugar original, e fica isenta da orlá (a contagem anterior continua valendo, sem reinício); e se não, eis que é como uma árvore que brota por si mesma, e fica obrigada (equiparada a um plantio totalmente novo).