A trumá eleva a orlá, e a orlá a trumá (cada uma delas, uma vez diluída na mistura, pode servir de base numérica que ajuda a anular a outra, caída posteriormente). Como assim? Uma medida de trumá que caiu em cem (de alimento comum, ficando assim anulada, pois cem é a proporção que anula trumá), e depois caíram três cabin de orlá, ou três cabin de kilei hakerem (um cabin equivale a um sexto de uma medida-seá; três cabin são, portanto, meia medida), este é o caso em que a trumá eleva a orlá, e a orlá a trumá (a medida original de cem, somada aos três cabin, ultrapassa a proporção de duzentos necessária para anular a orlá; e, inversamente, o total combinado também basta para manter anulada a trumá original).
A mishná aprofunda o mesmo princípio de anulação estabelecido em 2:1, aplicado agora a uma mistura sucessiva de duas proibições distintas.
Como pode a mesma medida de cem, insuficiente sozinha para anular a orlá, ajudar a anulá-la quando somada a apenas meia medida adicional? O ponto central é que a orlá não precisa encontrar duzentas medidas todas de alimento comum puro — ela precisa apenas que o total da mistura (comum mais trumá já anulada) chegue a duzentos e uma partes para uma de orlá. Como a trumá, uma vez anulada em proporção de cem, deixa de ser tratada como "proibida" e passa a contar como parte da massa diluidora, a soma de cem (comum) mais trumá (já neutralizada) mais os três cabin (meia medida) de orlá resulta exatamente na proporção necessária. Este mecanismo de "elevação recíproca" (maalá) é o fio condutor que liga esta mishná à seguinte, que estende o mesmo princípio a orlá e kilei hakerem entre si.
O Rambam codifica este mecanismo de elevação recíproca em Hilchot Maachalot Assurot 16:17-18.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná.
Uma medida de trumá que caiu em [alimento] comum, tornando-se tudo cem... e a meia medida de orlá não proíbe o todo, pois ela caiu em duzentos quando calculamos [o total] junto com a trumá (explicação do mecanismo: para os fins do cálculo de duzentos-para-um exigido pela orlá, o volume da trumá já anulada é somado ao alimento comum original, formando a base de diluição). E do mesmo modo será a orlá elevando a trumá (o Rambam nota que a mishná descreve dois fenômenos distintos usando um único exemplo numérico — a trumá elevando a orlá, e, por dedução do mesmo cenário, a orlá elevando de volta a trumá).
"A trumá eleva a orlá": soma-se com o alimento comum para anular a orlá. E do mesmo modo a orlá se soma com o comum para anular a trumá (a definição do próprio termo "elevar" — maalá —, que aqui significa "servir de base numérica que ajuda a completar a proporção de anulação da outra"). [Sobre a segunda direção] os três cabin de orlá, que são meia medida, se somaram com o comum para anular a medida de trumá em um e cem (o Bartenura explica que, quando se olha a mistura pela perspectiva inversa — do ponto de vista da própria trumá, que já estava tecnicamente "proibida" antes de atingir a proporção de cem — os cabin de orlá caídos depois completam, junto com o comum original, a proporção de cem-para-um que confirma a anulação da trumá).